I'd rather be in outer space đž

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do meu corpo apodrecido, flores crescerĂŁo, e eu estarei nelas e isso Ă© a eternidade
para alguém agitado o descanso pode doer.
Cristal
Perdi os sapatinhos de cristal cedo demais [cedo até demais]
andei por aà descalço,
senti o gelado nos pés,
o molhado que fica logo apĂłs uma tempestade,
algumas pedras no caminho machucaram [sem dĂł]
os meus pés
descansei os pés na grama verde,
continuo sem os sapatos de cristal, nĂŁo os procuro mais
Sou livre, seguirei
conectada com a terra.
Por que vocĂȘ escreve este tipo de coisa?
VocĂȘ diria, se falasse comigo.
Porque eu preciso, mĂŁe. Porque eu preciso me distender. Acho que os escritores, os de verdade, sĂŁo aqueles que procuram na palavra aquilo que nĂŁo encontraram na vida. escrever nĂŁo Ă© divino, Ă© humano, Ă© triste. Ă uma criança numa piscina de bolinhas, a criança nĂŁo sabe por que estĂĄ lĂĄ: gosta, fica, brinca, Ă© divertido. Mas chega uma hora que ela começa a estranhar as bolinhas, o cheiro de plĂĄstico, a escuridĂŁo quando mergulha, e começa a se cuidar, teme perder o tĂȘnis, o bico, e estranha o propĂłsito de estar ali. Nenhuma criança quer morar numa piscina de bolinhas: Ă© um lugar de felicidade transitĂłria, de alguns momentos iluminados, que depois se tornam sombrios (lembra aquela vez que eu tive um ataque de pĂąnico dentro de um escorregador de uma piscina de bolinhas, mĂŁe?). O escritor passa pelo mesmo processo, da diversĂŁo ao iniciar um texto para a tormenta, para a turbulĂȘncia de terminar e de se desapegar de um texto.
MĂŁe, sou escritora [de palavras silenciosas] sinto muito. Uma estranha que jĂĄ nasceu melancĂłlica, alguĂ©m que gosta da solidĂŁo, do silĂȘncio, da reflexĂŁo. Sinto muito por ter sido tĂŁo quieta, espero que me perdoe por todas as palavras que nĂŁo disse.

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Desculpe o incĂŽmodo, mas eu vim falar sobre vocĂȘ.
Conheci vocĂȘ hĂĄ muitos anos. VocĂȘ era uma menininha chorona, muito chorona, para ser sincera. Chatinha e sempre buscando aprovação dos outros, com seus grandes olhos verdes e sardas pelo rosto, vocĂȘ vivia olhando para as pessoas em busca de um sinal ou gesto que mostrasse que elas concordavam ou apoiavam o que vocĂȘ fazia. VocĂȘ sĂł queria ser vista e reconhecida e isso vinha desde muito nova. VocĂȘ tinha umas manias esquisitinhas, de conversar com a lua, de cheirar plantas e sonhar escrevendo. VocĂȘ tinha umas vontades diferentes demais para sua idade, sempre com sonhos romĂąnticos demais. Mas poucos sabiam disso, nĂŁo Ă© mesmo? VocĂȘ vivia se anulando, se negando e amuando pra tentar se encaixar na vida das outras pessoas, vocĂȘ vivia ignorada, e isso me matava aos poucos. VocĂȘ me mostrou coisas incrĂveis assim como me mostrou coisas tristes.
Eu chorei com vocĂȘ nas suas derrotas, da mesma forma que sorri e vibrei nas suas vitĂłrias. Eu presenciei coisas absurdas que vocĂȘ fazia por causa dessa sua mania de querer resolver tudo sozinha, por causa dessa sua mania de tentar ser guerreira, quando na verdade sĂł gostaria de ser cuidada. Eu vi vocĂȘ chorar vĂĄrias noites escondido por causa dos seus medos mais sombrios.
Eu vi coisas boas tambĂ©m. Vi vocĂȘ conhecer pessoas boas, vi vocĂȘ amadurecer e ir pra escola. Vi aquela garota que sĂł queria poder usar tranças no cabelo, se transformar em uma menina - e depois em mulher - mas vi tambĂ©m vocĂȘ confusa e perdida por que nĂŁo sabia que rumo dar pra sua vida.
Eu vi vocĂȘ se apegar e desapegar. Vi vocĂȘ lutar contra seus sentimentos, como vi vocĂȘ assumir eles. Eu vi suas batalhas, suas caĂdas e suas guinadas na vida. Eu vi tanta coisa e eu aprendi muitas outras. E vocĂȘ sabe como eu sei tudo que sei sobre vocĂȘ? Porque vocĂȘ sou EU. Sou eu olhando pra quem eu fui um dia. Eu olhando para aquela menininha que um dia se sentiu perdida. Eu sou aquela garota que vivia morrendo de medo de acabar sozinha e sou a garota sonhadora que sonha com uma vida tranquila, romĂąntica e com tradiçÔes familiares. Eu sou a Ășnica que sabe o que vocĂȘ jĂĄ passou na vida, seus medos, seus anseios e seus pensamentos mais escuros e nebulosos.
Eu sou a Ășnica pessoa com quem vocĂȘ jĂĄ compartilhou tudo.
EntĂŁo, eu vim aqui escrever sobre vocĂȘ. NĂŁo me pergunte o porquĂȘ, eu sĂł queria falar sobre vocĂȘ e tentar entender mais sobre vocĂȘ. VocĂȘ marcou a minha vida porque vocĂȘ construiu a minha vida junto comigo.
NĂŁo existe eu e vocĂȘ
porque EU sou VOCĂ.
Brilho
A garotinha dentro de mim
sĂł
aparece quando estĂĄ
com vocĂȘ
ela brilha e sonha
protegida nos teus braços
Encontro
Desde o primeiro momento em que te encontrei, eu senti algo diferente, como se estivesse voltando para casa, embora nunca tivesse estado ali antes. Havia uma conexĂŁo imediata, uma sensação de pertencimento que nĂŁo podia ser explicada. VocĂȘ trouxe para a minha vida uma segurança e uma familiaridade que me fizeram perceber que, de alguma forma, tudo me levava atĂ© o agora. Estar com vocĂȘ Ă© como descobrir um lar que sempre existiu dentro de mim, esperando para ser encontrado.
HĂĄ um medo em toda tentativa como se ela fosse a sombra de uma dor antiga.
Maxwell Santos
HĂĄ uma garota que sĂł canta quando todas as janelas estĂŁo fechadas.
como muitas garotas, ela vem aprendendo o dom do silĂȘncio desde o nascimento.
todos subestimam a importĂąncia da sua voz,
e o mais trågico de tudo é que ela subestima também.

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20/06/2024
A: Vamos fugir? Eu olhava fixamente para os olhos daquele desconhecido, como se o jĂĄ conhecesse hĂĄ milhares de anos, como se pudesse confiar minha vida a ele. Como se minha alma o conhecesse de outras vidas, quando na verdade, eu estava o vendo pela primeira vez na vida.
L: Sim. - Respondi, sem pensar nas consequĂȘncias.
EntĂŁo,
naquele momento, às 15:30, de uma quinta-feira ensolarada, sentada naquele café, minha vida começou a fazer sentido.
Tudo mudou com urgĂȘncia, como a explosĂŁo de uma super nova, como se minha alma estivesse ansiando em desespero por aquele momento. E eu me tornei dele. Eu sou dele. Encontrei meu lugar.
2020
HĂĄ algo dentro de mim, como uma bomba relĂłgio a explodir a qualquer momento. Eu nĂŁo sei se isso vai durar, ou vai passar. Ă como se cada hora que passasse eu me sentisse cada vez mais fracassada nas minhas atitudes, qual o meu problema? eu nunca acerto em nada. Cada passo adiante em que eu dou, parece entrelaçar mais a minha vida, como um nĂł apertado. Palavras ecoam em meus pensamentos como se algum tipo de força sobrenatural me sussurrasse sobre os ouvidos a fazer coisas que eu nunca havia pensado antes. O que serĂĄ que eu fiz que me embaraçou tanto assim por dentro a ponto de me deixar sem esperança pra nada? Ou serĂĄ que o problema sou eu? E assim brotam as lĂĄgrimas, como um pedido silencioso de socorro. Mas ninguĂ©m me vĂȘ. NinguĂ©m me escuta.
14/02/2020 voar
Não lembro exato quando todas essas coisas começaram. talvez foi quando eu me mudei. Aos 8.
Quando as quatro paredes pareciam grandes demais pra me acolher do medo, das noites mal dormidas, das crises de pĂąnico de madrugada.
Da casca que ele colocou em mim desde pequena, como se eu fosse suportar para sempre. Das escolhas que eu nĂŁo pude ter.
Das consequĂȘncias de decisĂ”es de outras pessoas. Eu tinha vinte anos e nĂŁo conseguia mais sair da cama sem me engolir pelo resto do dia.
A gente tem esse pensamento de que fazer dezoito vai mudar a nossa vida. Mas nĂŁo muda. Aquela consciĂȘncia do quanto vocĂȘ perdeu pelo caminho. A dĂșvida se vocĂȘ vai conseguir se encontrar com tanta bagagem.
As risadas cessam num fim de tarde sem aviso prévio. Sem nenhum acalento do universo. A vida é como um empurrão pro abismo
E eu sĂł quero voar.
Sonhos.
Vi uma menina falando que crianças que cresceram em uma famĂlia disfuncional, nĂŁo tem grandes sonhos.
[Eu sempre quis decorar a casa no natal]
13/02/2020
Escrevo.
Escrevo atĂ© machucar os dedos na esperança de que as palavras me tragam respostas. HĂĄ dias em que odeio com todas as minhas forças o que me tornei. Hoje Ă© um desses dias. Quebrei em milhĂ”es de pedaços e, alĂ©m de ter perdido alguns no meio do caminho, colei errado os que sobraram. Transformei- me em uma espĂ©cie de sei lĂĄ o que, que deve se manter afastada para nĂŁo machucar ninguĂ©m. NĂŁo consigo entender meus prĂłprios sentimentos, vontades, atitudes. Talvez o pior nĂŁo tenha sido vocĂȘ ter me quebrado, e sim ter me ensinado a ser mais forte, quando na verdade uma criança nĂŁo precisa ser forte, precisa ser amada. Possivelmente eu tenha me transformado em outra pessoa. Talvez o vazio me preencheu de tal forma que sem ele eu nĂŁo saiba mais viver. Ou talvez, o meu coração tenha congelado, se recusando a bater dentro de mim, exigindo um dono que saiba o [proteger]
Talvez de me aproximar o mĂĄximo possĂvel do sentimento do trauma, eu consiga encontrar os pedaços perdidos.
Talvez depois de tantas lĂĄgrimas eu,
enfim,
tenha secado.

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13/02/2020
Hå uma avalanche dentro de mim. Em meus pensamentos, no meu emocional, em algum lugar. E quando resolve vir, destrói tudo, sem se preocupar com nada, e eu vou junto, perdida e sem defesas contra isso. Fico querendo atenção e tenho tanto medo de ficar sozinha, tanto medo de pensar demais, medo de ficar triste, medo dessa tristeza que tem aqui dentro decidir acordar.
11/05/2020
Meu silĂȘncio mostra tudo, ele grita aquilo que eu nĂŁo consigo dizer. Ele traduz dores que nenhuma lĂĄgrima Ă© capaz de expressar. Meu silĂȘncio Ă© a minha Ășnica forma de dizer realmente aquilo que eu estou sentindo. Ă© nele que eu consigo ser sincera. Ă no calar que meus pensamentos sĂŁo expostos diante do meu olhar. Ă quando minha boca cala que meus olhos falam por mim. HĂĄ mistĂ©rios que ninguĂ©m nunca ousou em descobrir por trĂĄs dos meus olhos. Por trĂĄs das minhas palavras hĂĄ sentimentos dos quais tenho medo de falar. E Ă© isso, eu acabo me escondendo no meu silĂȘncio. Eu acabo sendo feita pelo mero silĂȘncio. NĂŁo consigo dizer palavras simples pelo fato de meu silĂȘncio invadir completamente tudo o que hĂĄ em mim, tudo o que restou de mim. NĂŁo me recordo de quando o silĂȘncio começou a invadir meu corpo, mas me recordo de ser tĂŁo fraca, ingĂȘnua para nĂŁo ter forças para dizer meus sentimentos. Eu nĂŁo posso estar dizendo, mas meu olhar estĂĄ demonstrando. SĂł ouvem meu silĂȘncio e enxergam o nada, isso faz com que eu queira desaparecer juntamente com o meu prĂłprio silĂȘncio. Ora! Sou tĂŁo medĂocre, estou entre tudo, nunca consigo ser algo, sĂł consigo ser a metade.
PorĂ©m, nĂŁo Ă© tĂŁo fĂĄcil quanto parece, nĂŁo tenho coragem de admitir coisas grandes [como essa] em voz alta, e a Ășnica coisa que meus olhos conseguem transmitir Ă© minha agoniação por ser tĂŁo covarde. NinguĂ©m pode escutar nada no momento. Estou intacta. HĂĄ vĂĄrias pessoas ao meu redor, mas tem um porĂ©m, dentro de mim hĂĄ uma sonoridade enorme, dizendo tudo aquilo que eu nĂŁo consigo falar, pois o silĂȘncio Ă© a mais perfeita expressĂŁo de que estĂĄ tudo bem. NĂŁo preciso dizer as pessoas o "porque disso e aquilo", nĂŁo quero me explicar, nĂŁo agora. Ă perturbador, pois mesmo havendo um eco, mesmo nĂŁo havendo nada, eu consigo entender o porque disso tudo, e se nĂŁo compreender, nada adiantarĂĄ de palavras, pois Ă© ai que estĂŁo os meus maiores sentimentos. Foi ai que eu entendi a voracidade do silĂȘncio, foi quando eu precisei me calar, para nĂŁo magoar ninguĂ©m.