Por favor Lucille, não julgue a mim.
Ela me disse, depois que tudo já havia acabado, depois que eu já tinha matado a última coisa dentro dela com meu último sacrifÃcio, que ainda iria tentar.
E agora, o que tu faria em meu lugar? Usaria-a como uma válvula de escape? Descontaria nela todo o peso do mundo e sentiria prazer em saber e vê-la a se definhar na mais profunda e legitima dor?
Manipularia toda a realidade como a ilusão mais bem construÃda que a própria realidade e com muito mais sentido que qualquer outro plano de existência possa proporcionar ou até mesmo convenceria ate a si mesma para acreditar junto?
Ou faria como eu fiz? E se entregaria ainda mais?
Pois a mim não há nada de parecer mais junto do que a mais pura e honesta entrega, de corpo, alma, ate seder seu emocional para martÃrio em troca de uma falsa alisada do ego? O que mais poderia oferecer? Afogado, encharcado e afundado em tanto sofrimento e arrependimento? O que mais seria respeitoso a meu âmago do que largar a minha alma para que a partir disso se possa acertar as contas a partir de como as coisas devem ser feitas e não da minha vontade?
Mas ora luci, o que poderias uma gata reencarnada das mais profanas bruxas saber sobre amor? Se quer amares de verdade sem feitiço... Na verdade me pergunto mais se qualquer pessoa que ama esta livre de cair nos feitiços...
Mas lhe darei o direito, nem prazer em me julgar, minha decisão foi tomada, embasada e fundada em medo, angustia, decadência e pura vaidade, aqui permanecerei em luto, por tudo que eu havia jurado sagrado, vi ter feito sangrar diante dos meus olhos, então que tipo de perdão sou digno além da cobrança maquiavélica do meu próprio carma?
Em qual inferno pagarei meus débitos não sei, e a essa altura já nem tanto me importo mais. Já vejo justiça na minha dor, já vejo salvação alheia em meu sofrimento, não quero pena nem espero mais a compaixão, pois aceitei depois que entendi
Este é meu lugar, daqui não tem saÃda para mim, como um cacto da época dos dinossauros que agora está enterrado mas areias de algum inominável e maldito deserto, caido em esquecimento em seu próprio lamurio, aqui irei ficar, aqui perecerei e desbotarei. Ate o último dia que deus não se cansar do meu sofrimento e que o capeta não se cansar de me acompanhar, daqui não sairei...
Então luci, por favor, não me julgue...