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““Porque eu te juro, de todas as coisas do mundo, eu só queria abraçar você.””
— Mai Geffer.
Sobre se contentar com migalhas
Esses dias eu percebi que possuo a terrível mania de me contentar com migalhas. A verdade é que discutimos sempre sobre aqueles que idealizam demais o amor e que criam mil e uma expectativas a respeito de um relacionamento, mas esquecemos de observar o extremo oposto disso: Aqueles que aceitam o pouco, o efêmero, como suficiente. Não falo sobre uma medição do que pode ser ou não considerado amor de verdade; sentimentos são subjetivos e cada um de nós os expressa de forma distinta. Mas falo sobre o se doar para alguém. Se entregar, se expor, dar valor. A consideração que uma pessoa possuí por outra e a importância que atribui à relação entre elas pode sim ser medida, e deve ser questionada. O meu grande problema é que não paro para analisar justamente isso. Me agarro a primeira insinuação de interesse, ao gesto mais sutil de afeto e os levo comigo como verdade absoluta. Todavia, muitas vezes, o que acredito ser uma chama forte não passa de uma mísera faísca, que logo perde seu brilho. E é aí que erro. Eu permaneço presa aquilo, ainda que seja perceptível a ausência de luz. Tenho o péssimo costume de achar que é assim que as coisas funcionam: No começo arde, mas fatalmente uma hora tudo esfria. Apenas recentemente vim me dar conta do quanto esse pensamento era equivocado. O amor não deve perder o brilho, mas sim ter ele intensificado; Uma relação deve se manter continuamente aquecida. Não está tudo bem as demonstrações de carinho se transformarem em raridades ou as conversas se tornarem vazias. Não é ok tratarmos alguém como prioridade, ao passo que o outro só nos afaga quando necessita de algo. Não devemos aceitar migalhas. Não podemos. Merecemos uma pessoa que esteja disposta a realmente estar ao nosso lado e sentir na mesma intensidade que sentimos. Uma pessoa que não tenha medo do comprometimento e que enxergue a preciosidade existente nos momentos de encontro, nos falatórios sem sentido e nos abraços ainda meio tortos. Uma pessoa que goste de ouvir nossa voz através do telefone por horas e que reconhece nosso perfume impregnado na roupa dela. Precisamos de alguém que nos ame sem poréns e parênteses, de maneira genuína e, mais importante, completa. Porque quem vive de migalhas nunca estará plenamente saciado. E quem as dá, de certo poderia ter ofertado muito mais.