fazem CINCO anos que EMMELINE BRIAR tornou-se uma AVOX , passando a atuar como SERVA na capital . os boatos dizem que isso aconteceu depois de EXECUÇÃO DE ATOS REBELDES , mas não sei se é verdade … de qualquer forma , nada pôde abalar sua personalidade : sua BENEVOLÊNCIA está ainda mais evidenciada e ainda existem resquícios de TEIMOSIA . espero que tenha tempo de assistir e torcer por seu tributo favorito !
os murmúrios que corriam por toda o distrito 2 indicavam apenas uma coisa : alguém havia sido pego . diante a atos rebeldes , o culpado sempre seria punido . não haveria saída . será que alguém a defenderia em frente a sua verdade ?
desejada . como poderia não ser quando carregava tão belos traços em seu rosto ? quando a figura tão esbelta se destacava mesmo de origens tão humildes ? não ! não havia nascido em berço de ouro — enquanto uns treinavam a vida toda para serem algo a mais , emme era apenas uma costureira , trabalhando com sua mãe arduamente para que pudesse viver em tremenda paz .
ingenuidade . carregava tanta em sua cerne que não entendia quando algo estava incerto em sua vida . quando os olhos que pairavam em si carregavam mais crueldade do que admiração . ela não queria acreditar que alguém poderia ser tão mal ou baixo , que a pessoa que beijava sua boca , fosse a mesma que a apunhalou pelas costas do dia para noite .
mentiras . o dia começara como qualquer outro , emmeline se envolvia com um pacificador chefe da cidade cujo qual tinha uma tão bela familia mas que jurava que iria deixar . ah , se ela soubesse , não teria ido atrás . não teria aceitos as caricias ou os presentes . as risadas ao meio da noite , viraram lágrimas e gritos . a exposição de que tudo viria a tona só o irritava . como poderia ser alguém tão petulante se não era nada ? ela tinha a chance de expor tudo , mas valeria ? ele achou que sim .
traição . o plano era a assustar , mas o fizera muito mais que isso . a ameaça de traição não deveria ser real , não deveria realmente haver uma bomba naquela sala — mas havia . emmeline não possuía força nem coragem para matar um passaro , como havia assassinado cinco pessoas a sangue frio ? mas as pistas plantadas anteriormente apontavam para ela , era a única que tinha um motivo para matar o seu ex namorado .
dor . ser separada dos pais não doeu tanto quanto o fato de ter sua lingua cortada . lembra até hoje da dor , do sangue e do tempo que pensou que iria morrer . se tornou avox em um silencio sepulcral que a seguiria eternamente . em sua punição , as lágrimas desciam fervorosa , mas nunca um grito ou pedido ressou de sua boca — o que para alguns dali , soara mais suspeito do que o esperado . ao fim então , para emmeline briar não restara um nome ou uma voz , mas sim , a lembrança suave da melodia que um dia ressoou de sua boca .
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mudar de distrito não melhorava o sentimento esquisito em seu peito, crescente a cada ano que passava. era mais um ano acompanhando tributos, e embora o ambiente do distrito 10 parecesse menos pesado do que do 11, era pouca a diferença. sua preocupação com não conseguir patrocinadores parecia não ser ligada somente a cumprir seu papel, mas garen ignorava isso. buscava tanto pensar em outra coisa que, enquanto andava, nem percebeu o que fez. acabou esbarrando em alguém, rapidamente soltando um pedido de desculpas. "me perdoe, eu estava..." se interrompeu lentamente, ao notar que se tratava apenas de uma avox. o nariz franziu sutilmente, num reflexo de desprezo, porque era assim que os keitel reagiam com os avoxes. "pelo jeito, eu não era o único distraído por aqui." embora a fala fosse educada, havia uma pontada de crítica ali. olhou para a comida espalhada no chão, tentando adivinhar o que era. "aposto que estava gostoso... vocês não experimentam antes de comer, né?" por um momento, deixou uma curiosidade escapar pela cabeça, falando com quem nem poderia responder. com quem nem deveria estar falando.
passo número 1 : ser como uma sombra em frente a todos aqueles . número 2 : não se envolver em conversa com eles . há quanto tempo havia sido ensinada sobre aquilo ? ou melhor ... ainda precisava de quem a apontasse os erros para que percebesse o quão insignificante era ? ora , não é cega para notar o desprezo passando pela face alheia — o que a faz ficar completamente retraída a situação . se anteriormente sentia o coração palpitar pelo erro , agora a taquicardia aumentava em níveis incomuns . emmeline desvia o olhar , focando ao chão enquanto o corpo se curva mais uma vez . desculpas . era isso que a própria postura gostaria de dizer . apenas retorna o olhar — contido e com certa relutância , diante a pergunta . não , eles não provavam . por isso o acenar de cabeça é leve . negação . era apenas uma serva , quem a daria o luxo de provar a mesma comida dos convidados ? isso nunca poderia ocorrer . apenas as sobras habitariam seu prato em breve .
⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ESTAVA MESMO ACONTECENDO. Ver todos os tributos reunidos pela primeira vez fazia tudo tomar proporções maiores do que passar por sua primeira Colheita. Velvet ainda esta inquieto, mas igualmente indeciso de que tipo de sentimento deveria estar nutrindo naquele momento. Inevitavelmente, seus olhos seguiam voltando para seus tributos, analisando como eles estava se saindo entre os outros e zelando pela segurança deles. Não podia deixar que se metessem em nenhum tipo de confusão. Ou quem estaria em uma era ele.
Estava em seu caminho para checar com eles, quando esbarrou sem querer na mulher. ━━ Oh, céus! Me desculpa! ━━ Pediu apressadamente, vendo a bagunça que tinha feito. E sabendo exatamente o que poderia acontecer, se abaixou para pegar os petiscos caídos e colocá-los apressadamente nos bolsos do casaco, na intenção de descartá-los no banheiro e ela não ter que voltar com provas do acidente. ━━ Acho que estou completamente avoado hoje... Um dia cheio, não é?
era dificil , quase impossível , ver pessoas da capital algo gentis . todas , se não a maior parte , era coberta por um véu de superioridade que só existia ali : na cabeça delas . se tornava até mesmo fácil passar despercebida no meio deles , pois não os consideravam pessoas . nah , eram escórias . por isso , ao trombar com outrem , não espera vê - lo abaixar para ajudar - lhe . diferente dos outros , ele não era um tributo . vestes diferenciadas demais para que pudesse se passar por um . também não era um mentor — ora , teria o conhecido da tv . então , quem ? o olhar confuso mantém em seu rosto enquanto o observar colocar os alimentos aos bolsos . sorrindo levemente a afirmação . ' sim ' é o que pretende dizer com o balançar da cabeça . um dia completamente cheio e fora do normal — todo ano as coisas se repetiam como em um disco arranhado . mas isso não explicava quem era ele e porque fazia o que fazia — logo , não retirava os olhos fixados em outrem que se mantinha a sua frente .
ela transitava pelo saguão como um fantasma em agonia, querendo ser ouvido quando na realidade sequer era vista. por fora parecia apática, mas deus sabia que sua mente estava a mil tentando revirar sua memória em busca de tudo que sua família havia dito sobre os jogos anteriormente. qualquer coisa que pudesse ajudá-la, não apenas o bom e velho mate para não morrer. a calmaria só a preencheu quando o corpo trombou com outro. o barulho estridente da bandeja quase fazendo com que ela ficasse surda. “ desculpa, eu não estava prestando atenção! ” virou-se já se desculpando, a ideia de ter esbarrado em um pacificador lhe trazendo arrepios. a última coisa que precisava era ir para a arena com um braço quebrado. observou, porém, o rosto feminino e como ela parecia tão arrependida quanto a própria coral. uma coisa que aprendeu com seu pai era que aqueles que faziam algo que a capital via como errado, que poderiam servir de exemplo para qualquer um que pensasse em fazer o mesmo era que punições eram mais comuns do que a própria morte. o genitor amava assustá-la com essas histórias, querendo pô-la na linha. uma das histórias que mais tinha medo era…
“ avox… ? ” o tom era uma mistura de afirmação com dúvida. os olhos correram o saguão e logo coral se abaixou para ajudar a juntar as coisas no chão. “ desculpa. não queria atrapalhar. ” pensou em como algumas pessoas dos distritos menos afortunados dariam qualquer coisa para poderem comer aquela comida, mesmo que no chão. o estômago embrulhou, talvez pela quantidade exagerada de comida que ingeriu no trajeto até a capital. os passos pesados do pacificador foram ouvidos e ela rapidamente o olhou. “ desculpa! esbarrei nela sem querer. foi culpa minha. ” encarou a mulher pelo canto dos olhos, mas por pouco tempo. quando o militar se afastou após xingá-las, ela levantou novamente, respirando aliviada. “ bem que dizem que eles seguram um pouco quando se trata de tributos. ”
emmeline há muito havia entendido que alguns momentos ocorriam de forma repentina , sem muito motivo para o porquê . poderia ter tomado todo cuidado do mundo , mesmo assim , não estaria preparada para quando batesse o corpo contra coral . o barulho da sala pareceu calar - se ao momento que a bandeja tocara o chão — olhos voltados a elas conforme o julgamento aprofundava em seu âmago . a mão gelava , a respiração saia do padrão ao que sentia o pacificador se aproximar . a jovem avox sabia o que se aproximava , tanto que cerra os olhos diante a punição — entretanto , tudo que é capaz de ouvir é a voz doce de outrem . a principio , não havia prestado atenção em quem estava a sua frente , em quem a havia trombado . da mesma forma que as palavras pareciam um quão confusas ; mixadas em uma frequência que não conhecia muito bem . a cabeça tomba , analisando as feições que haviam visto anteriormente apenas pela televisão . de certa forma , ela era mais parecia com a irmã do que era esperado . os passos do pacificador se tornam longe , distantes . um sorriso repassa pelos lábios de emmeline , as mãos desenhando em sua própria comunicação um singelo obrigada . lembraria , mentalmente , de deixar algo em agradecimento em breve — sua maneira de mostrar - se grata . as mãos ágeis guardam todos os petiscos e , em seguida , buscam a mão alheia para , de alguma maneira ter certeza que tudo estava bem ; tributos eram valiosos , não poderiam se machucar aquele ponto . ' ainda bem que está bem . ' é o que quer dizer . mas as palavras são contidas em movimentos leves , sua própria comunicação .
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" emmy . " o apelido dócil modula o timbre de scylla em suavidade . o vislumbrar é zeloso quando se põe a ajudá-la , o curvar sutil da coluna e dos joelhos ao se por de cócoras . " nem pense nisso . " adianta quando ela se curva em reverência a uma formalidade desnecessária , o toque discreto sobre a curvatura do ombro da mulher . " a distração foi minha . " justifica quando ajeita com esmero o vestido , a postura impecável sendo um arranjo a performance necessária . " você está cansada ? " aprende com certa maestria a linguagem de sinais , a parca iluminação da ambiência facilita a comunicação discreta . " nós sempre voltamos ' pra cá que bela ... " merda . é óbvio que a última parte não diz ; seja por acústica ou pela linguagem de sinais , o riso discreto e amargurado repercute .
os olhos brilham ao vê - la ; sempre encantadora , scylla . mesmo assim , é quase automático a maneira que balança a cabeça , um pedido sutil para que não a ajude . veja : não nega que ela o faça , apenas teme punições — esta na capital era uma linha tênue do correto e do que era correto a eles . avox eram criados , não pessoas . alguém de alto padrão como scylla não deveria nem ao menos pensar neles como seres humanos ; não era assim que tudo funcionava ? os dígitos apontam para seu próprio eu , a maneira silenciosa de dizer que a culpa era sua . rapidamente , antes que fosse capaz de mensurar , os petiscos estavam em cima da bandeja , prontos para o descarte — não que isso importasse diante a capital . ali , a luxúria era tremenda , se fosse para alguns petiscos irem para o lixo , quem ligaria ? a boca abre para formar frases inalcançáveis e então se cala em um sorriso , negando o fato sobre cansaço . os últimos dias haviam sido corridos , mas nada que não estivesse acostumada . os dígitos porém se voltam para ela . ' está bem ? ' a pergunta silenciosa repassa por si , observando - a . boatos rodavam pelos imensos corredores — a irmã de scylla estava lá , ela sabia . como poderia algo tão cruel assim existir ? o dedo rodopia ao céu , indo então até o chão . ' rodamos , rodamos e paramos aqui . ' presos , em seu próprio limbo . teria algum momento onde se livrariam ? onde finalmente viveriam livres ? é impossível acreditar .
Se não tivesse se distraído teria visto a avox se aproximar com a bandeja e não teria sido o responsável pelo acidente dela. Sua reação, ainda que mecânica, não foi rápida o suficiente para salvar a taça que se espatifou no chão. " sinto muito. " disse de modo apressado, já se abaixando para tentar limpar o estrago, um hábito adquirido no distrito. " acho que a gente devia deixar esse tipo de comemoração para o final do jogo, não no começo. " comentou mais para si mesmo do que para ela, juntando os cacos na palma da mão e devolvendo para a bandeja dela. " faz mais sentido brindar os sobreviventes, não às vitimas anunciadas. " foi um equivoco, um movimento errado e sentiu o caco entrar na sua carne, fez uma careta de leve quando percebeu o erro, era tudo o que ele precisava, começar os jogos já ferido. " você não teria um curativo, teria? " questionou puxando o caco do local e vendo o sangue se acumular.
as vezes supõe que deveria sentir -se sortuda ao invés de amaldiçoada . ora , pelo menos a capital havia a deixado viver — mesmo como uma escrava eterna , seguindo e sendo o que a capital designasse a si . aqueles , ali a sua frente , seriam mortos nos próximos dias das maneiras mais terríveis existentes , até que sobre apenas um . a imagem dos vinte e três mortos , em breve seria, expostas em um aviso ; suas cenas de mortes repetidas de novo e de novo como se fosse algo prazeroso . eles seriam apenas uma diversão momentânea e , então , seriam apagados da história . o interior da boca de emmeline é mordiscado , poupando - lhe de pensamentos ao que vê a mão alheia derramando sangue . ela não andava com curativos , não era da equipe médica . mesmo assim conhecia algumas normas básicas que significavam em , principal , conter o sangramento . não é atoa que pega a manga do próprio vestido , rasgando - a e colocando sobre o corte , enquanto buscava avaliar a profundidade . emme não espera , o puxando sem explicações maiores em direção a enfermaria , onde teriam pessoas realmente preparadas a isso . os tributos já podiam se machucar ?
﹙ ㅤ⋆ㅤ ﹚ … NÃO É A CONFIANÇA QUE INSPIRA SEU AR RELAXADO, para olhos leigos se tratava apenas de mais um relaxado se aproveitando as regalias — retrato antigo que ecoa na mente; garoto esfomeado enchendo os bolsos de petiscos em seus cinco primeiros minutos na capital, uma vergonha —, mas, além de também encher o bico tal qual a tão velha tradição, analisava cada um daqueles rostos desconhecidos com uma petulância velada pela curiosidade: não queria alianças, queria aniquilá-los. é o barulho do metal atingindo o chão que o desprende de seus devaneios sangrentos e notas mentais de onde seria mais fácil acertar em casa presa, o lamento deixa seus lábios quando nota que o barulho deriva da bandeja de aperitivos, ‘ porra. ’ abaixa-se imediatamente para recolher as migalhas e amontoá-las sobre a superfície metálica, ‘ regra dos cinco minutos, né? ’ comenta ao se endireitar, o primeiro canapé engolido sem que ao menos mastigue até que arregala os olhos estreitos ao seu limite, ‘ emmeline! ’ as mãos agem por si só em um idioma de sinais que existe apenas em sua cabeça, a forma menos rude de dizer à ela ‘ cacete, como é que você está?! ’ .
existe um limite pequeno onde estar onde deveria estar e onde se está atualmente . a verdade é que , arenas de treino não é o seu local — mesmo assim está ali , em imensa curiosidade em frente aos recém chegados . ora , isso com certeza possuí uma parcela de culpa em seu desastre incomum ; após tantos anos , havia se tornado expert em desviar de corpos desatentos , mesmo que o corpo fosse o seu . está pronta para implorar , por mais uma vez , desculpas a tal figura a sua frente . pelo menos até que note a pessoa a sua frente . reconhecer wallace , faz com que um sorriso repasse por seus lábios , feliz . não é todo dia que se torna capaz de ver antigos amigos a sua frente — ou pelo menos , os quais ela considerava amigos . há uma risada quando nota as mãos se movendo , uma forma singela que haviam aprendido se comunicar ; responde apenas com um singelo acenar de cabeça , sua forma de dizer ' estou bem , apesar do acidente ' . em seguida , as mãos se movem em direção alheia , é sua maneira de manter a conversa em dia , um perguntar de ' você está bem ? ' ou ' se machucou ? ' o que surgisse mais conveniente aquela situação .
a experiência de viver ano após ano servindo mais e mais tributos é no mínimo nauseante . mais um ano se encontra em pé , em frente a todos aqueles , traçando mentalmente as chances de cada um dos ali presentes . o coração já havia acostumado a não se apegar — todos eram apenas bonecos , tal qual si própria . o silêncio que advém seus lábios é um lembrete de como a capital sempre consegue o que quer , quando quer . não ousa fazer nada além de permanecer ali , rodeando o saguão com petiscos os quais haviam sido preparados especialmente para a situação . angústia é o que domina o seu peito ao , sem perceber , bate contra o corpo de outrem , levando ao chão o que não havia sido degustado ainda . a boca se abre para um pedido de desculpas — reflexo cruel do que ela não era , mas havia se tornado . em compensação a mudez , o corpo se reverencia em um pedido de desculpas , sabendo que , em algum momento mais tarde , seria a própria tez a qual sofreria com seus erros .
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