Fora imprudente ter ido atrás dela naquele dia? Com certeza fora. Não sabia o que ia encontrar, não sabia quem ia encontrar e não podia negar que se sentira receoso ao se aproximar do estabelecimento, mas quando a vira, todos os seus receios haviam passado. No dia do Banquete de Salazar Slytherin tudo acontecera tão rápido que nem tivera tempo de pensar em algo coerente para dizer a ela, e agora estavam ali, tendo uma conversa relativamente tranquila como se fossem dois conhecidos que não se viam há algum tempo, mas a única coisa que Dario desejava era tomá-la em seus braços da mesma forma como fizera na última vez em que se viram, nove anos atrás. “Disso eu não duvido mesmo. Essas tradições, eu nunca vou entendê-las, não fazem sentido.” Lembrou-se de quando descobrira que Edith estava prometida em casamento ao Sr. Nott, e de como sentira como se seu mundo estivesse ruindo naquele dia. “Ele tem sorte de ter você, então. Se alguém tivesse feito o mesmo na época em que…” Dario balançou a cabeça, um sorriso sem humor em seu rosto. Seria sensato contar sobre o quanto se culpara por não ter insistido mais para que fugissem juntos? Por fim, decidiu que não, não seria sensato, e que realmente era melhor não levantar aquele assunto.
Enquanto Edith falava, Dario apenas conseguia olhara para ela com misto de surpresa e alegria. Passara tanto tempo suprimindo sua curiosidade sobre ela e aos poucos descobria coisas que o estavam agradando. Você está sendo cruel, Dario, pensou, ao perceber que o fato de alguém ficar viúvo não era algo legal ou a ser comemorado. “Entendi agora porque estava falando sobre trazer seu irmão para morar com você. Eu não fazia ideia, para ser sincero.” Agora sabia que seu afastamento de tudo e de todos depois que voltara para a Inglaterra fora bastante concreto. “Não é nem uma questão de não prestar atenção, eu me mantive afastado desde que voltei, você sabe, cuidando do negócio da família. Apenas mantive contato com a Katherine, e muito pouco ainda, ela também anda bastante ocupada. Deve ser por isso que não ouvi sobre isso. Mas como eu disse, surpreendente.” Eles estavam próximos, bastaria esticar seu braço para alcançá-la, mas reprimiu esse pensamento, pigarreou e logo emendou: “Então é você que desenha todas essas jóias? São incríveis, parabéns.” Porque realmente precisava pensar em outra coisa.
Encarou Dario firmemente, não esperava que ele fizesse algum comentário sobre as tradições que as famílias costumavam seguir. Ao menos não esperava que ele fizesse tal tipo de comentário a ela, alguém que não as apoiava, mas as respeitava a ponto de ter sacrificado toda sua vida para cumprir a palavra de seu pai. “Não é questão de sorte.” Edith teria dito que era questão e outra coisa, mas ela não sabia o quê. Será que aquilo tudo era mesmo questão de sorte e ela não havia conseguido se livrar de seu casamento apenas por que não havia tido sorte o suficiente? O que ele disse a seguir, entretanto, lhe fez esquecer qualquer pensamento sobre sorte. Em seu caso a única pessoa que poderia fazer algo contra era ela própria, mas quando teve a escolha ela optou por honrar o contrato. A honra importava mais que a felicidade. “Não perdeu muita coisa se mantendo afastado, para se sincera. Eu faço o mesmo. Odeio todas essas festas, simplesmente odeio.” Confessou. Por anos havia frequentado festas orquestradas pelas damas da sociedade, mas aparentemente com o título de viúva vinha a opção de não comparecer mais. E Edith agarrou tal opção om todas as forças. “Katherine... não a vejo há anos.” Comentou, lembrando-se da garota que era amiga de Dario quando ainda estavam em Hogwarts.
Terminou de colocar as joias na prateleira em que trabalhava antes de Dario chegar à Stardust e invadir todo seu espaço pessoal e sua mente. Como forma de descontar sua frustração, fechou a porta de vidro com demasiada força, fazendo com que o vidro fizesse um barulho que beirou ao de quebra. Assentiu, confirmando que as todas as joias que estavam ali expostas eram criações suas, mas ela não estava interessada em conversar sobre suas joias, suas criações ou seu processo criativo. Naquele momento havia uma única coisa que ela desejava saber. Edith em toda a sua totalidade desejava saber o motivo dele estar ali, parado a sua frente depois de todos aqueles anos e depois de tudo o que havia acontecido. “O que você quer? Por que você realmente está aqui?” Soltou sem rodeios, a vida havia feito dela uma mulher sem muita cerimonia ou polidez quando se tratava de sua própria vida – o contrário acontecia com os clientes da Stardust, com eles ela usava algo como uma mascara na qual estava sempre sorrindo e era sempre receptiva. A verdadeira Edith não era daquela maneira, ao menos não mais. A distancia entre eles era ridiculamente pequena e ela o encarava esperando alguma resposta satisfatória.