A guerra acentuara uma característica de James Potter relacionada à uma hiperatividade ansiosa, onde ficar parado significava uma grande angústia e gerava um sentimento inexplicável de culpa. Sabia que deveria esperar pelas ordens de Dumbledore para agir, — A Ordem da Fênix carregava tal nome por um bom motivo — mas o espírito contra às regras que James tanto carregara em seus anos de escola infelizmente ainda o pertencia.
Já passava muito da meia-noite quando o jovem sentara-se na mureta da casa onde grande parte da Ordem estava hospedada — a sua própria. Dormir se tornara um luxo desde que descobrira sobre a gravidez de Lily, como se fechar os olhos significasse tornar-se vulnerável e permitir que alguém a machucasse. Sentia-se responsável de uma maneira quase insana, e agora passava grande parte de suas noites assim, mantendo guarda da casa. A varinha girava entre os dedos conforme os minutos se passavam e o tédio de Potter aumentava, mas ele aceitaria o tédio de braços abertos ao invés do que estava por vir.
James pulou de pé ao reconhecer os inconfundíveis sinais de que alguém acabara de desaparatar ali, a poucos metros de si na rua. Reconheceu o jovem que sempre o atendia no Caldeirão Furado, sabia que ele morava na mesma rua que os Potter porém jamais o vira ali em tais horas, considerando que normalmente tomava o turno da noite. O homem parecia claramente alterado. “ — É o fim! É mesmo o fim! Comensais no Beco Diagonal! Eu esperava isso da Travessa do Tranco, talvez, mas nem mesmo se esforçam a esconderem-se mais!” Gritou ele para James, que adentrara a casa sem nem mesmo pensar duas vezes.
“ — Onde está? Droga!” Ele xingou sob a respiração enquanto procurava desesperadamente por algo no baú da sala, a varinha iluminando seu interior. Não havia lhe passado por sua cabeça que Lily ou outra pessoa teria escondido sua capa, apenas para garantir que ele não faria nada idiota, mas parecia ser o caso. A luz da sala acendeu-se de repente, e o rapaz pulou no lugar. Dorcas estava ali. “ — Estão no beco. É o primeiro sinal concreto que temos deles em semanas. Vou espiá-los, não deixe ninguém me seguir.” Disse seriamente, levantando-se para agora procurar no armário de louças. Onde a haviam escondido?
✧ * º • ☾ Em noites especialmente longas era difícil manter a mente concentrada no local onde estava, dormir e gastar um tempo consigo mesma parecia tão supérfluo quanto manter as unhas pintadas, não, Dorcas não queria pensar em Marlene e sua missão misteriosa, mas era inevitável. Dizem que vivemos muito mais tempo no passado ou no futuro do que no presente; para quem sentia que metade de si havia sido separado quando a dona dos fios claros partira essa era uma realidade muito palpável. Era apenas uma ideia, mas está a manteve acordada por tempo demais, viria a ver a melhor amiga de novo? Incapaz de deixar a mente escorregar para a inconsciência, resolvera que caminhar, ainda que fosse pelas dependência da sede da casa dos Potter seria o suficiente, para ocupar a mente.
Lily e James representavam para si um retrato muito bonito em meio a toda aquela desordem, algo que servia como esperança, ela também poderia se acertar e aproveitar o que quer que fosse reservado para si no futuro, durante as refeições se pegava a sorrir enquanto destinava um olhar longo ao casal, imaginar que aqueles dois terminariam juntos era algo que a motivou a incentivar a colega a dar uma chance ao outro por muito tempo, era sensação de dever cumprido o que experimentava, como se fruto da própria imaginação pensou ter escutado a voz do amigo, os orbes de safiras foram lançado na direção que julgou ser a origem do som, não demorando para que um feixe de luz fosse avistado.
Apoiou o corpo no portal da porta enquanto a luz do comodo expulsava o breu que outrora banhava o local. De braços cruzados a frente do corpo qualquer um poderia jurar que a mulher estava irritada ou prestes a dar uma bronca, era certo supor que o seu lado mandão estaria completamente disposto a fazer tal coisa, mas no estado em que se encontravam as atitudes se tornavam muito mais emocionais e imediatistas. Os lábios se curvaram em um sorriso, transformando completamente a expressão, era obvio que a informação não era nenhum pouco animadora, mas a perspectiva de ter algo com que lidar o era. —— James, você não me conhece se acha que vai embarcar nessa sem mim.
Os passos a guiaram para o lado do rapaz, onde começara a copiar os atos alheios, revirando as os objetos sem muita certeza do que procurava, até que a destra tocara a mão do amigo. —— Eu vou com você. As palavras soavam muito mais como uma ordem, apenas no sentido de não haveria questionamentos para elas, ela definitivamente iria acompanha-lo com ou sem permissão para isso, mas o aperto firme e terno que dedicava aos dígitos alheios eram sua forma de transmitir que estaria ao lado dele sempre que fosse necessário.