Space, the final frontier. These are the continuing voyages of the Starship Enterprise. Her ongoing mission, to explore strange new worlds, to seek out new lifeforms and new civilizations. To boldly go where no man has gone before. — “Live long and prosper”
Writer A: “I’ve fleshed this character out to the point where they’re more real then I am. I know everything about them, including their blood type, their thirty-first favorite song, what they did for their sixth birthday, and which brand of apples they prefer.”
Writer B: “This character exists as a full person in my head, but I know absolutely nothing about them. Once I forced them to talk about themselves, and they simultaneous lied about their past and told me accurate trivia facts I don’t remember learning.”
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Por todo o trajeto, meu coração parecia estar disposto a bater de maneira cada vez mais desesperada ao me dar conta da repercussão daquele tweet. Claro, talvez eu devesse me preocupar um pouco mais com o tráfego, mas agora já era tarde demais. Eu já estava em casa com o nosso jantar pré-pronto e mesmo assim as respostas das nossas Starlights ao anúncio — coisa que confirmei ainda na fila do caixa, de onde mandei o fatídico tweet — ainda me animavam mais do que eu era capaz de imaginar.
Os motivos eram bem claros:
Fato constatado desde que a conheci que gosto de provar que a noona está errada e que não sou a única pessoa do mundo a achar que formamos um puta de um casal;
Nossas starlights nos apoiando e mandando seus melhores desejos, como eu sabia que fariam;
Meus hyungs se pronunciando a respeito disso, especialmente Taekwoon hyung que fez questão de me mencionar numa fanart publicada apenas meia hora depois da minha manifestação, retratando como eu deveria ter planejado isso — very accurate, by the way;
Até mesmo Yuna noona quebrando sua regra de não usar qualquer plataforma social durante os jogos do Kai, fazendo questão de aumentar minha felicidade ao me mandar alguns prints e adicionar que, finalmente, estávamos livres.
Era assim que eu me sentia, acima de tudo. Livre.
Porque não precisaria mais pensar nos outros antes de decidir o local do próximo encontro com a minha namorada. Porque não preciso mais policiar minhas palavras quando me perguntarem por que estou sorrindo tanto — vou poder responder de peito aberto que é porque Yeongmi noona fica fofa demais quando infla as bochechas, irritada. Vou poder pedir conselhos — nossas starlights são ótimas nisso — e também dá-los e também declarar tranquilamente que Patrick Roy nem é tão assustador depois das décima chamada de vídeo. Livre, mais de um ano depois de chegar a esta conclusão, pra dizer publicamente que a amo. Livre para fazê-la feliz, sem restringi-la ou colocá-la numa situação delicada.
Livre, livre, livre!
Para amar minha noona.
E levá-la ao limite de sua paciência, claro.
E era este o meu plano enquanto esperava que Taekwoon hyung a trouxesse de volta ao apartamento depois das gravações de JaeSix. Sendo incapaz de cozinhar, quase chantageei um pizzaiolo de uma cantina de tendência caseira para convencê-lo a me vender apenas a massa recheada com o sabor predileto dela; Passei no mercado para comprar seus doces favoritos, claro apenas para amaciar o seu humor provavelmente impossível depois de um anúncio desses. Me esforcei para ser romântico — o que envolve velas; e provavelmente uma playlist das músicas mais viadas que eu conheço, o que com certeza inclui Ed Sheeran —, já que no último um ano e meio eu não tive pretextos o suficiente para fazê-lo mais vezes e sim, me tornei esse tipo de cara. Ela merece o meu esforço máximo, me recuso a fazer menos que isso.
E isso me levou a correr seu apartamento inteiro em busca de algo que eu poderia fazer para ela, o que terminou com a minha pessoa correndo até a cozinha em desespero para apagar o forno depois de deixar pelo chão as roupas que encontrei na secadora e passei tranquilamente a dobrar no meu tempo vago. Trabalho perdido, mas nada que eu não possa recuperar depois.
Por sorte, a pizza não queimou por inteiro e mais de metade dela faria parte do nosso jantar!
Por puro azar, noona chegou antes que eu pudesse encontrar uma maneira de fazer parecer que queimar 40% da pizza era realmente o plano original.
— Você incendiou minha cozinha? - o grito me alcançou antes mesmo que eu pudesse vê-la, o que não demorou para acontecer.Com a virada da estação, começamos a sair de casa mais agasalhados e, nem mesmo quando provida de máscara, Yeongmi noona deixava de aparecer com a pontinha de seu nariz pintada de rosa. A única coisa que me impediu de me levantar e deixar uma mordida ali, foi meu extinto de sobrevivência. Surpresa e irritada eram uma combinação tão perigosa quanto coca e mentos.
— Não me culpe! - repliquei na defensiva. - Honestamente foi o único ritual que funcionou, você tá aqui! - apontei em direção aos seus pés com as duas mãos cobertas de luvas de patinhos.
Diferente das outras vezes, noona em ao menos ergueu a sobrancelha antes de me estapear. Por dois segundos, gargalhei. No terceiro, juntei nossos corpos num abraço apertado e deixei que nossas testas descansassem juntas. Aproximei meus lábios até roçarem nos seus, aproveitando da sensação de embriaguez que nos cercava para apenas observá-la ir daquela expressão infantil que me garantia os sonhos frescos e paradisíacos à noite, até o seu hilário desespero que me inflava o ego ao vê-la se içar para um beijo que não aconteceu; mas o ego não era nada comparado à realização de que ela me desejava tanto quanto eu a desejava, que a nossa reciprocidade não estava apenas na minha imaginação.
Soprei um leve riso contra os seus lábios e a ouvi murmurar algo que lembrava muito o meu nome enquanto se cenho se franzia em frustração. Deixando que minha mão traçasse caminho até se achar confortável em sua nuca, num ângulo do qual podia acariciar sua bochecha com o meu polegar, sorri.
Pela brincadeira, por tê-la em meus braços, por ter certeza de que eu era o predileto de alguma força superior pra ser tão sortudo assim.
Decidi não prolongar mais agonia e ceder a uma vontade que dividíamos há algumas horas, descendo meus lábios até os seus num beijo casto. Pacientemente, a guiei até a linha da ardência, não ousando cruzá-la; o conceito esta noite é romance e me obriguei a lembrar disso, me convencendo de que isso valeria mais a pena do que empesteá-la. Pelo menos hoje.
— How does it feel? - ela sussurrou, mais doce que qualquer canção de ninar poderia ser, ao ponto de me fazer ter que encontrar sustento o suficiente para as minhas pernas enfraquecidas pelo seu tom; ela provavelmente estava alheia a isso e também ao fato de estar usando seu idioma natal. Acontecia com frequência, me derrubava com frequência.
— Neukkimi eotteongayo? - confirmei a pergunta ao senti-la assentir; eu sabia à que se referia. - Warm. - declarei, abrindo os olhos sem ousar aumentar a distância, desenhando na pele macia — e que seriamente pedia por uma mordida — de sua bochecha. - Like home. - sorri sem qualquer esforço, abrindo os olhos para encontrá-la no mesmo estado. - E você, noona? Como se sente? - ergui minhas sobrancelhas mais como uma forma de me conter (para não mordê-la pelas expressões mais naturalmente fofas que fazia ao forjar um momento reflexivo), do que em função da pergunta.
— Com fome. - soltei um breve riso ante a resposta.
— Manter o romance pra quê? - dramatizei minimamente, me afastando de seu corpo e vi minha noona dar de ombros.
— Você quem tá encarregado disso hoje, não eu! - Kim Yeongmi concluiu e eu rolei os olhos, voltando a dar atenção à metade restante da pizza.
— Não pense que você vai escapar da foto! - declarei, a vendo abanar a mão no ar antes de deixar a cozinha.
Não demorou muito para que encontrássemos conforto na sala, rodeados por velas enquanto algum suspense ruim dos anos 80 colaborava com a iluminação mínima no recinto, discutindo qual das 30 fotos que supostamente a obriguei a tirar, era a melhor. Entre piadas ruins, comentários do nosso dia e lembranças dos fatos mais aleatórios, aproveitei toda oportunidade que tive que segurar sua mão e ver meu peito cheio de gratidão e felicidade e do amor que guardava por ela; e a ciência de que eu não precisaria mais limitar tais expressões e sentimentos fez com que meu coração, por pouco, não explodisse.
Porque agora eu não eram só nossos amigos que sabiam que esta noona é minha, mas o mundo inteiro também tinha conhecimento de tal fato. O mundo inteiro veria como ela me faz bem e me deixa em estado constante de nirvana, num doce, quente e aconchegante sonho tão além de um sonho que se tornou realidade, que se tornou meu lar, permanentemente.
Era uma sensação que não achei que teria comparação, não quando o palco se parecia tanto com o candidato único a tal título. Mas então, Yeongmi noona apareceu e alguns anos depois, nos encontramos lutando contra o sono enquanto dividimos sua cama no décimo andar deste prédio.
A maneira como seus olhos diminuíam ante à alguma pegadinha das que eu fazia questão de praticar, a maneira como seus lábios se esticavam sem qualquer esforço quando ela me via, a maneira como seu rosto era pintado de todos os tons, rosados e avermelhados, toda vez que eu fazia questão de compartilhar a nova coreografia na qual estava trabalhando, a maneira como as bochechas se inflavam enquanto ela reclamava de algum fator irritante do seu dia, a maneira como ela se confiava à mim — todos eram fatores que me levam a crer que não pode existir nada tão certo quanto isso: nós dois, nos embriagando um da presença do outro, sem qualquer pretensão além de transbordar de nós mesmos.
— Eu te chateei? - questionei, minha voz tão rouca que cheguei a duvidar que noona havia escutado. Ela estava deitada à minha frente, seu rosto se dividindo em se acomodar no travesseiro e em meu peito. Uma puxada de ar um pouco mais pesada da parte dela foi o suficiente pra que eu fizesse o mesmo, acariciando sua cintura, onde minha mão encontrava abrigo.
— Você me assustou. Eu realmente não esperava isso hoje, mas não foi ruim. - sua voz era tão alta quanto um sopro de primavera e esse foi mais um dos momentos em que não sabia se eu estava rindo por causa dela ou pelo idiota poético que me tornei desde que a conheci. - Não foi algo ruim, mas eu agradeceria se você me avisasse antes, assim eu não teria que lidar com dois idiotas fazendo piada às minhas cust-
— Shhhhh! - coloquei meu dedo indicador sobre seus lábios, interrompendo sem qualquer cerimônia. - O assunto aqui não é esse! - ela balançou a cabeça em afirmativa minimamente.
— Certo, o assunto aqui é: você está sendo soft. - fez graça com maior sorriso do mundo em seus lábios.
— Mas é claro! Estou sob sua influência maligna! Como poderia ser outra coisa além de soft? - minha risada veio fraca e descompassado quando ela acertou a mão em punho em meu peito. Aproveitei a chance para puxá-la para mais perto num abraço sufocante, fazendo questão de esperar meus lábios em sua testa no ato. - Agora o mundo inteiro sabe que a culpa é sua, que eu perdi a moral de evil maknae por sua causa. Você acha que consegue lidar com isso, noona? - questionei em tom sapeca, apertando minhas mãos em seus lados, puxando-a ainda mais para mim enquanto ouvia seus murmúrios pelas cócegas.
— Agora todo mundo vai ver o que eu sofro! - ela replicou, se contorcendo em meus braços.
— Mwo? - meus olhos triplicaram de tamanho em descrença às suas palavras; foquei ainda mais no ataque e como resposta testemunhei seu sofrimento em busca de ar e fora do alcance de minhas mãos.
— Sanghyuk! Hajima! - sua voz aguda saía por entre a respiração cortada por suas risadas e pela ausência de intervalos para sua respiração. Apenas mordi meus lábios e continuei o ataque. O som de sua risada era irresistível demais para que eu parasse agora. - Han Sanghyuk! - este era um grito disfarçado de sussurro e este foi o meu sinal para parar; mas não completamente, não seria tão fácil.
— O quanto você me ama? - projetei minha voz acima das risadas, fazendo questão de manter minha boca próxima ao seu ouvido. Mais uma risada, mais uma contorção, mais um motivo para meu coração explodir-se.
— So much! - enfatizou sem qualquer hesitação, num grito que eu faria questão de lembrar da próxima vez que me negasse afeto.
— Ah, jinjja? Isso não me parece muito sincero…
— Han Sanghyuk!
— Quanto?
— Eu te amo mais que a macarronada do meu pai!
A soltei quase de maneira imediata, vendo-a rolar para o outro lado da cama para garantir que a mantivesse distância. Ainda dividíamos uma risada quando eu saltei sobre meus pés, pronto a seguir por água para nós dois. Antes de deixar o quarto, ainda pude ouvi-la dizer que me odiava e isso apenas motivou outro riso.
Me dei um tempo para me recuperar quando alcancei a cozinha, meu coração ainda acelerado demais pelos últimos eventos, todos envolvendo a garota que me fazia perceber que estava me apaixonando de novo e ainda mais do que no dia anterior. Essa noona é a minha ruína.
Vi meu celular sobre o balcão logo depois de concluir que, dada a pérola da noite, eu deveria levá-la para algum restaurante ocidental no nosso primeiro encontro sem máscaras. Um sorriso se alastrou pelos meus lábios ao perceber que ainda havia uma tarefa a se completar naquele dia.
Sem mais delongas, escolhi a foto que ela dizia ser a melhor, dentre todas as que tiramos hoje — um pequeno agrado. No Instagram, a legendei de: