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Hoje me peguei pensando como seria a vida se eu fizesse o que me dá vontade, se eu tivesse o impulso que me falta pra terminar algumas coisas. Pensei como seria se eu resolvesse fugir com o circo. Seria engraçado, aposto. Viajar o país (quem sabe o mundo) inteiro, conhecer novos lugares, viver cercado pela magia de um picadeiro. Ver todo dia o palhaço fazendo suas graças, o malabarista lutando para não deixar as clavas caírem, o domador tentando não ser devorado e a contorcionista fazendo de tudo para provar sua elasticidade. Depois percebi que assim é a vida mesmo. Tenho que ser palhaço para rir de mim mesmo e não levar as coisas tão a sério. Malabarista para contornar todas as situações e não deixar a peteca cair. Domador para enfrentar meu leão diário e não ser engolido por ele. Contorcionista para me safar de determinados momentos da forma menos dolorosa. E no fim do show, o que faria era erguer a tenda, guardar tudo em uma mala e partir. Ir embora sem deixar rastros de que um dia ali já estive. Essa é a arte de viver: ser feliz e mostrar sua arte e depois desaparecer, deixando apenas a saudade e as boas lembranças.
Ítalo tinha visto a morte passar muito perto. Estava prestes a atravessar a rua quando uma moça o puxou de volta à calçada no exato instante que um ônibus passava. Era Fernanda.
Fernanda estava voltando das compras e uma de suas sacolas teve o fundo arrebentado por conta do peso. Algumas latas rolaram. Uma outra moça que passava recolheu e deu uma de suas sacolas para ela poder carregar as latas. Era Beatriz.
Beatriz estava indo ao dentista. Estacionou na rua e já ia descendo do carro quando um trombadinha puxou sua bolsa e correu. Um morador de rua que estava ali parado agarrou o moleque, pegou a bolsa e a devolveu à garota. Era Leonardo.
Leonardo sentia muito frio durante a noite na rua. Ele dormia na mesma calçada havia quatro anos. Certa noite um casal passava de carro e deu um cobertor e uma tigela de sopa quente. Eram Carol e Silas.
Carol e Silas foram ao mercado com seu filho, Gabriel. O garoto correu sem que nenhum dos dois percebesse. Alguns minutos depois, uma moça trouxe o garoto pela mão, sorriu e saiu de perto. Era Anne.
Anne estava de mudança e carregava muitas caixas de uma vez, já que morava sozinha. Estava com as caixas de prato e copos. Já não aguentava mais carregá-las por vários quarteirões, de tão pesadas. Um menino ofereceu ajuda sem cobrar nada. Era Ítalo.
E assim é a vida. A vida é um círculo que reflete exatamente tudo que fazemos e somos. Não temos que viver em função do retorno imediato. A ajuda vem sempre de onde menos esperamos. Um dia podemos estar na melhor situação, mas na semana seguinte seremos nós que iremos suplicar socorro. Tudo mudo e nada é igual. Nenhuma situação se repete. Pare de olhar um pouco para trás e ver quem você deixou e passe a olhar para o lado e ver quem caminha contigo. Esses que valem a pena.
Gustavo Azevedo
Ele não conseguia olhar para o lado. Cada vez que desviava o olhar de seu caminho era como perder o rumo e o sentido de caminhar. Enquanto andava, se esquecia. Enquanto se esquecia, melhorava. Não importava mais para onde ia, só que ia. Havia dois meses que seu relacionamento havia acabado e mesmo assim ele refazia o percurso que guiava ele e sua ex-namorada (e possivelmente a garota que mais gostara) para a casa dela. Desde que a conhecera não fazia outra coisa. Acordava, escovava os dentes, café da manhã, casa dela. Encontrava-a ainda se penteando, aquela cara de sono por qual ele sentia imenso amor. Caminhavam de mãos dadas até a escola, iam para suas salas, mas só o corpo. As mentes ainda estavam caminhando em algum parque juntas, de dedos atados. Ao fim do dia, iam até a casa dela conversando e rindo. Jantavam juntos, viam algum filme do Kubrick ou do Hitchcock e depois riam até a hora de ir embora. Na hora de dormir, conversavam por mensagem até um deles pegar no sono. Mas nada disso importava agora. Havia dois meses que ele deixara flores no funeral dela. Flores e lágrimas. E um passado.
Você me faz bem. Me faz ser diferente, me faz sentir vivo. Quando estou com você, é como ter meu corpo ali mas minha alma longe, flutuando. Nada faz sentido e ao mesmo tempo tudo faz sentido. Se eu pudesse, congelaria o tempo, faria tudo desacelerar e sumiria com você. Poderia passar horas escrevendo e tentando ser romântico, mas com você não consigo. Você sempre me surpreende. Parece ler minha mente. Quando eu quero um abraço, você me abraça. Quando eu quero um beijo, você me beija. Quando preciso de uma mão, é a sua que me segura. E quando preciso de um amor, é você que confirma a presença. Raros são os momentos em que me sinto livre e vivo de verdade. Talvez quando andava em um parque ou quando podia fazer o que quisesse. Mas nenhum deles se compara com esse sentimento incrível que é estar contigo. Eu rezo. Rezo todos os dias para que não acabe. Me chame de piegas, mas acredito no amor.

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E ele era tão sozinho e estava tão cansado dessa dor que vem de dentro que resolveu desabafar. "Ela não gostava de mim de verdade. Me deu uma chance, a gente chegou a ser feliz, mas aí a realidade veio à tona. Nada do que eu fazia parecia ser suficiente. Então ela se foi. Se foi e nunca mais voltou. Para ser sincero, prefiro assim. Prefiro que ela não me procure mais. Assim acaba nosso sofrimento. Eu juro que tudo que fiz foi o meu melhor, mas agora de nada adianta. Quero que ela entenda que se errei, foi tentando acertar. As flores que eu comprei já murcharam. O CD que dei de presente já está ultrapassado. O livro ela já leu. O perfume acabou. Ficaram só as lembranças de um passado que não voltam mais. As lembranças e essa sensação de peito dilacerado." Então ele esperou a resposta, mas logicamente ela não veio. Levantou-se e começou a andar. Virou-se para a estátua e disse, tristemente. "Tal como ela, você não vai me entender...Você também tem um coração de pedra."
Foi você quem me deu esperanças. Veio, me deu alguns beijos e partiu. Partiu na certeza de que não voltaria, pelo menos não do modo como foi há algum tempo. E o pior de tudo foi ver você partir com seu coração tomado por um outro alguém. Me dói demais saber que tivemos alguma coisa e que isso não se repetirá. Porque não se repetirá? Porque somos teimosos demais em aceitar algumas coisas. Por favor, não se apaixone por outra pessoa.
Te ver ir embora. Agora sei qual a resposta quando me perguntaram "qual a pior dor que já sentiu?" Ver você partir foi como ter um punhado de água nas mãos e ver ela escapando de pouquinho em pouquinho. Agora me resta um CD com nossas músicas, uma xícara e muito vinho a ser bebido.
Ela não tinha nem secado as lágrimas ainda quando ele estava batendo a porta da frente com raiva.
Tinha sido uma discussão pesada, dura. Ele dissera coisas que estavam engasgadas há tempos. Ela ouvira, se indignara, se desesperara, chorara... Todos os sentimentos pareciam querer aflorar ao mesmo tempo.
Mas não era hora de pensar muito agora. Ela pegou o celular.
Ela: Vai realmente embora?
Ele: Você me deixa outra opção? Eu estou sendo sufocado.
Ela: Você podia ter conversado antes.
Ele: Você podia ter me ouvido, eu tentei falar.
Ela: Nós vamos ficar nesse bate bola a noite toda.
Ele: Porque você é teimosa.
Ela: E porque você é um idiota.
Ele: Mesmo assim você corre atrás de mim?
Ela: Porque eu sou mais idiota ainda.
Ele: Deve ser.
Ela: Não vai voltar?
Ele: Não sei, preciso espairecer, pensar em tudo isso.
Mas ele não voltou.
Pegou sua moto. Tinha deixado o capacete na casa dela. "Ah, foda-se, vai ser só uma volta mesmo...". Saiu.
O vento estava soprando seu cabelo para trás, levando junto suas angústias e suas ideias de ideal. Não sabia como agir.
Tudo era muito novo, muito rápido. Tudo tinha acontecido muito intenso.
E também foi rápido aquele caminhão.
Virou o volante rápido demais, acertou a moto rápido demais.
Assim como seu relacionamento passou, ele também.
"Preciso pensar em tudo isso.". Suas últimas palavras.
"Não vai voltar?" A pergunta angustiada.
Não, a resposta do destino.
Destinos separados.
Eu te detesto. Detesto seu sotaque, detesto suas gírias. Detesto que você goste tanto de chá gelado de pêssego. Detesto que você more longe. Detesto que nossos horários sejam por vezes incompatíveis. Detesto sua mania de comer danoninho todo dia. Detesto o fato de você me fazer ser melhor. Eu nunca quis ser melhor. Nunca quis tentar de novo, nunca quis mudar, nunca achei que precisasse, pra ser sincero. Sempre achei que do jeito que era estava bem. Tinha amigos, namoradas de vez em quando, minha família satisfeita. Mas ai achei uma razão pra ser melhor. Ou pelo menos tentar. Achei uma razão pra ter mais paciência. Encontrei uma razão pra pensar duas vezes antes de falar qualquer coisa. Encontrei uma razão para querer surpreender. Mas principalmente, achei uma razão pra sorrir. É difícil expressar o que a gente sente. É mais difícil ainda quando o que a gente sente é novo. Tudo aconteceu muito rápido, muito intenso. Mas agradeço cada dia que eu tenho passado com você. Cada experiência, cada risada, cada tensão. Esse é o primeiro mês. O primeiro de muitos. O primeiro de todos. Eu sou péssimo com palavras, sabe disso. Porém esse é o jeito que eu tenho de agradecer por tudo. Por ser minha amiga, minha confidente, minha parceira, minha namorada.

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Eu me via como um cara que não se apaixona. Sempre me achei muito forte, calculista e racional pra esses sentimentos humanos banais. Achava tudo isso de beijo, abraço, cartinha apaixonada e música romântica fazendo sentido uma bobeira! Sempre pensei que amor era nada mais que uma desculpa pra dar uns beijos e tudo o mais. Aí vem você, com toda sua sutileza e quebra essa muralha. Caralho, quem é você? Você fez meu mundo andar ao contrário. Fez minha cabeça parar em um lugar só e todos os meus pensamentos fluírem na sua direção. Tudo que eu faço tem um pedaço de ti. Assim como tudo que penso e olho. Nada é real e completo sem você. Quem é você?
Decidi tomar um banho de mar por esses tempos. Fui até a praia, coloquei um shorts, fui pra areia só de chinelo, celular e carteira no bolso. Deixei tudo por la mesmo e fui pro mar. Nadei, nadei, contra a correnteza, contra minha esperteza, conta meus princípios, mas nadei. Quando percebi que meus pés não tocavam mais o fundo e minha mente não tocava mais a sanidade, boiei. Deitei, me lembrei das aulas de natação, "força a barriga pra cima", dizia minha professora, Luciana, pacientemente. Foi o que fiz. Então, flutuando ali, no meio do mar, sem ondas que me levassem, deixei que as ondas dos meus pensamentos me guiassem. Tentei afundar, mas não consegui. Minhas lembranças me traziam à superfície da minha mente confusa e difusa. Pensei em me afogar, mas sem saber já tinha me afogado. Em mágoas, em estresse, em tensão, em tesão, naquela pessoa especial, naquele sentimento. O sentimento foi o que mais me entupiu o nariz. E foi assim, flutuando e refletindo, nostalgicamente fui levando meu fluxo de idéias. Sem ideia fui idealizando um ideal que, idealmente, me idealizou. Mas de todas as ideias, você foi a melhor de todas.
Acerto no erro.
Tudo que eu falo é você. Tudo que eu penso é você. Tudo que eu escrevo é você. Isso é injusto com todas as coisas bonitas que existem. Já tentei pensar em chocolate, em borboletas, em dias chuvosos, em uma tarde na praia, em piquenique no parque, em uma bela noite de sono. Tentei pensar em inúmeras possibilidades de te esquecer. Mas não consigo. E duvido que se conseguisse, iria querer. Você foi, é e será sempre uma das melhores coisas que me aconteceram. Nosso futuro é incerto, e essa é uma certeza. Mas não entendo de certeza. Até poucos dias estava certo que não gostava de você. Entretanto, num estive tão errado pensando estar tão certo. Era o errado no certo. E talvez eu seja o certo no errado. Eu quero ser mais que um erro, quero ser um acerto. Quero ser preto no branco, sol na chuva, calda no sorvete. Quero ser música no ônibus, quero ser um sorriso na multidão. Quero ser diferente, quero ser a diferença. Mas quero isso tudo agora, de uma vez.
Eu não sou como as pessoas imaginem que eu seja. Não sou diferente, não sou inteligente. Gosto de ler mas isso não significa que eu fique em casa o dia todo. Também gosto de sair, mas isso não quer dizer que eu não preste. Assisto filmes antigos mas também assisto aos lançamentos. Gosto de usar roupas de uma cor só. Eu tropeço sempre, talvez pelos meus pés serem grandes demais e eu ainda não ter me acostumado com eles. Também gosto de ouvir música alta. Escrevo sempre que posso mas nem sempre que tenho vontade. Como comida japonesa uma vez por semana, tomo Coca-Cola bem gelada. Gosto de chá de lichia e também de gengibre. Adoro ficar de pijama e odeio ficar pelado, ao contrário da maioria dos garotos da minha idade. Gosto de privacidade e intimidade. Mas também gosto de gritar na rua, passar vergonha, cantar no metrô, dançar enquanto volto pra casa. Ouço músicas tristes para me deixar mais triste até chorar. Tenho que usar óculos mas eles me incomodam. Meu salgadinho favorito é Doritos e eu só não como mais porque não gosto da cor laranja que ele deixa nos dedos. Diferente de toda a população da minha cidade, gosto muito de andar de metrô. Converso com as pessoas ao meu redor, dou bom dia à todo mundo e sorrio sempre. Dou elogios e abraços, tantos quanto conselhos. Não tenho perspectiva do futuro, mas tenho expectativa. Esse sou eu. Esse sou seu. Sou seu.
Você está há 386 km de distância, e mesmo assim é a coisa mais próxima de um motivo pra sorrir que eu tenho. Você ainda é a razão de eu chegar às 11 da noite do trabalho e querer entrar na internet, já que é a única forma de te ver sorrir (mesmo que por uma foto). É um dos poucos motivos para eu rir sem razão. E você nem sabe. Também é a razão porque escrevo. Nessa rotina massacrante, você é o ponto alto do dia. Sinceramente, você foi a melhor coisa que me aconteceu em anos. Antes de te conhecer, já duvidava ser capaz de gostar de alguém. Duvidava que fosse me importar mais com a felicidade de alguém que a minha. Não acreditava na possibilidade de um sentimento diferente do egocentrismo. Mas o que sou eu pra acreditar em algo quando você muda cada pensamento ruim que eu tenho? Se estou triste, é ver sua foto que me dá uma ponta de felicidade. Se estou bravo, uma conversa contigo me acalma. Sei que tudo isso é piegas e fora de moda, talvez até sem sentido. Mas o que faz sentido quando se gosta de alguém?

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Odeio gostar de você. Mas me faz bem. Eu gosto de você mais do que imaginei que fosse possível. Aliás, gosto mais de você que qualquer outra coisa. Quando te disse isso, qual foi sua reação? "Pense em outra coisa melhor." Não há. Tentei pensar em chocolate, em dormir, no meu livro favorito, numa tarde na praia, numa Coca-Cola gelada, em filhotes de cachorro pulando em mim, em um filme de comédia. Tentei pensar nisso e em mais uma dúzia de coisas, mas não deu certo... Você ainda é a melhor coisa em que pude pensar. E minha imaginação voa longe. Eu, você, um parque, uma cesta de piquenique, uma toalha quadriculada, um radinho a pilhas, alguns sushis, piadas a toa, um pôr do sol, mãos dadas, risadas, um beijo roubado, mais risadas. Só isso basta. Ta aí, pensei em algo melhor que você. Nós.
Gustavo Azevedo (desabafodeumnerd)
O pior não é sentir saudade. É olhar para as fotos que tiramos e saber que nada será como antes. Difícil saber o que será de mim. Antes não sabia o que era você. Depois não sabia o que aconteceria com um nós. Agora não sei o que é de mim sem te ter. Sentir sua falta dói. Dói saber que agora existe uma distância que sempre garantimos que não existira. Dói entender que vou acordar, olhar para o lado e não te ver. Dói. Mas sigo em frente.