Com a ponta do dedo pinto meu medo. Jorre, escorre, as tintas do meu ser nĂŁo humano.
Kristina Ăpicas

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Cosimo Galluzzi

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Sade Olutola
I'd rather be in outer space đž

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Kristina Ăpicas

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VocĂȘ pode mostrar onde dĂłi?
Paula Botta
Eu vim ao mundo como luz para que quem crĂȘ em mim nĂŁo fique na escuridĂŁo.
Jo 12.46.
Hoje, logo bem cedo acordei com uma vontade danada de ser diferente do que fui outrora, um desejo ardente de ser nada
TJ Martins

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Sorriso em brasa Por que se perde quando o vento sopra E tarda a madrugada silenciosa do meu coração que bate sozinho e tranquilo a muito não se ha de ser mas tua mão acalmou meu ser incerto.
Fugir de mim Ă© a minha especialidade.
Poesografa. Â
Ă© isso que Ă© a vida? passar as madrugadas engolindo estrelas.
Guerra fria
Pegar o mesmo ĂŽnibus Todo dia Ver a mesma gente Sem alegria Ver os mesmos rostos Vestindo uma triste fisionomia E ver que HĂĄ uma guerra fria Em troca de olhares
Se os olhos atirassem O mundo seria uma chacina DiĂĄria
Thiago VenĂŁncio

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as pĂĄs do ventilador de teto estĂŁo afiadas
as paredes nĂŁo tocam o tempo que passa
um quarto de tudo aquilo que existe
fica dentro de casa.
Teus lĂĄbios sĂŁo poesias
Em braile
Que leio com o toque
dos meus.
Sued Nunes
No descomeço era o verbo. SĂł depois Ă© que veio o delĂrio do verbo. O delĂrio do verbo estava no começo, lĂĄ onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos. A criança nĂŁo sabe que o verbo escutar nĂŁo funciona para cor, mas para som. EntĂŁo se a criança muda a função de um verbo, ele delira. E pois. Em poesia que Ă© voz de poeta, que Ă© a voz de fazer nascimentos â O verbo tem que pegar delĂrio.
Manoel de Barros
O azul do blues
Vestida de azul, ela faz blues, inspira poema, curte a boĂȘmia, degusta canapĂ©s, gira na ponta dos pĂ©s, faz arte, se parte, viaja, sonha e conquista, olhos de jabuticaba, coração de menina.
nuagedereves

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razĂŁo de ser
escrevo. e pronto. escrevo porque preciso, preciso porque estou tonto. ninguĂ©m tem nada com isso. escrevo porque amanhece, e as estrelas lĂĄ no cĂ©u lembram letras no papel, quando o poema me anoitece. a aranha tece teias. o peixe beija e morde o que vĂȘ. eu escrevo apenas. tem que ter por quĂȘ?
leminski
Meu amor, se eu soubesse que essa seria a Ășltima vez, a Ășltima briga e o Ășltimo copo de whisky eu teria aproveitado mais, gritado mais, gemido mais e bebido mais. Teria ficado completamente fora de mim, como se fosse outra pessoa. Eu gostaria de ter feito mais, muito mais. Te botar para fora de casa, te jurar amor eterno (mesmo que fosse mentira) e te dar vĂĄrios amassos no caminho do chuveiro atĂ© a cama. Mas vocĂȘ sabe, o amor nĂŁo Ă© uma coisa tĂŁo fĂĄcil de ser medido. NĂŁo dĂĄ para saber quando começa, quando acaba, quando gosta um pouquinho ou muitĂŁo. Contudo, pode ter certeza que eu senti, que eu amei e que eu, com o maior prazer do mundo, saĂ espalhando esse amor por aĂ. Eu tenho certeza que esse amor nĂŁo foi em vĂŁo e que vocĂȘ nĂŁo foi um erro. AtĂ© porque, vocĂȘ sabe, depois da primeira pessoa errada, a gente conhece outra de longe, atĂ© pelo modo de sorrir. Talvez eu esteja equivocada, mas acho que quando alguĂ©m vale mesmo a pena, a gente sente. E eu senti que vocĂȘ valeu a pena! Pode ter certeza que mesmo que eu nĂŁo seja a sua primeira opção, mesmo que os ventos te levem pra outra direção, mesmo que eu nĂŁo seja a protagonista dos teus sonhos, mesmo que nas tuas lembranças de mim sĂł restem os destroços, eu te amarei, lĂĄ no fundo eu o amarei. Lembro-me quando ainda Ă©ramos meros desconhecidos e eu te observava durante a aula, quase o tempo todo. VocĂȘ me olhava e eu tentava disfarçar, mas Ă s vezes vocĂȘ percebia e me encarava sorrindo atĂ© eu olhar de volta e ficar vermelha de vergonha. Embora tenha algumas vezes que eu tambĂ©m te pegava me olhando; mas ao contrĂĄrio de mim, vocĂȘ nĂŁo ficava vermelho de vergonha, vocĂȘ gostava, sorria e ainda mandava tchauzinho. VocĂȘ era um verdadeiro filho da puta, mas isso nĂŁo impediu que eu me apaixonasse por vocĂȘ. NĂłs tivemos uma histĂłria de amor linda! Cheia de aventura, traição e brigas que sempre acabavam com nĂłs dois nus de conchinha na cama. Tudo o que eu vi em filmes e sempre desejei para mim, me iludia imaginando que um dia eu encontraria alguĂ©m para tornar tudo verdade, vocĂȘ tornou. VocĂȘ fez as minhas ilusĂ”es deixarem de ser apenas ilusĂ”es, tornou meus sonhos realidade e meus medos meras bobagens. Nosso romance foi quase como um filme, ou atĂ© mesmo uma estĂłria feito Romeu e Julieta. Desastres, brigas, guerra, beijos. Mas, meu amor, vocĂȘ sabe que na nossa quase estĂłria de teor romĂąntico, somos meros antagonistas e o papel principal vai para o caos que criamos para nĂŁo nos oficializarmos como almas gĂȘmeas.
Escritora de Cafeteria.Â