#daliteraturaresenha⠀ ⠀ Agnes Grey ● Anne Brontë ● 2015 ● @editoramartinclaret ● Nota: 3,5/5 Agnes Grey, romance de estreia de Anne Brontë foi publicado pela primeira vez em 1847 – sob o pseudônimo de Acton Bell. A narrativa traz uma temática bastante contemporânea: uma personagem que busca a própria independência e, ao fazê-lo, percorre também uma jornada à procura de uma identidade feminina. Agnes Gray é filha do Sr. Grey, um clérigo de recursos modestos, e da Sra. Grey, uma mulher que deixou sua rica família e se casou puramente por amor. O Sr. Grey tenta elevar a situação financeira da família, mas o comerciante a quem confia seu dinheiro morre em um naufrágio, e o investimento perdido afunda a família em dívidas. Agnes, sua irmã Mary e sua mãe tentam manter as despesas baixas e ganhar dinheiro extra, mas Agnes fica frustrada porque todos a tratam como uma criança. Para provar a si mesma e ganhar dinheiro, ela está determinada a conseguir um cargo de governanta. Por fim, ela obtém uma recomendação de um conhecido bem colocado, recebe uma oferta de emprego e consegue a permissão de seus pais. A partir desse momento, o leitor acompanhará a experiência de Agnes como governanta e de que forma a protagonista enfrenta problemas e encontra soluções nos ambientes familiares em que trabalha. A escritora apresenta, através das escolhas da personagem principal, ideias muito importantes e inovadoras para a época: as mulheres são seres racionais que devem ter os meios e oportunidades para sua independência e satisfação. Aos nossos olhos de século XXI, pensamos que Agnes aceita a única ocupação disponível para mulheres de classe média, no entanto, ela embarca em sua carreira como governanta empolgada com a perspectiva não apenas de ganhar dinheiro, mas também de ampliar seus horizontes. Outra temática que também me chamou a atenção é o tratamento justo aos animais e realmente fiquei bem feliz com esse assunto pois é um livro do século XIX, época em que pouco se discutia a causa animal (se é que se discutia sobre isso). Agnes Grey é o que chamamos de “romance de formação” (bildungsromans): gênero literário que se concentra no crescimento psicológico e moral do protagonista da juventude à idade adulta, em que a mudança de caráter é importante. Podemos dizer que acompanhar a trajetória de amadurecimento da personagem Agnes torna-se um exemplo bem claro desse gênero. Jane Eyre, livro de Charlotte Brontë, é também um romance de formação. A leitura foi uma experiência muito gratificante para mim e eu a considero imperdível para os apaixonados pelas irmãs Brontë ou para aqueles que querem conhecê-las. Conta para mim se você já leu algum livro das irmãs Brontë e o que você achou dessa história.












