Às vezes eu me sinto uma alienígena. 👽
Como se existisse alguma coisa em mim que me separa do resto das pessoas, mesmo quando estou no meio delas. Eu vejo todo mundo vivendo coisas que parecem tão naturais: gostar, ser desejado, receber atenção, ter alguém interessado. E eu fico me perguntando por que comigo isso nunca acontece.
Não é só sobre nunca ter namorado ou nunca ter vivido certas experiências. É sobre o silêncio. Sobre nunca ser a pessoa que alguém escolhe espontaneamente. Nunca sentir que despertei desejo verdadeiro em alguém.
Com o tempo, isso começou a mudar a forma como eu me enxergo. Cada rejeição virou uma confirmação silenciosa de que talvez exista algo errado comigo. Algo que eu não consigo identificar, mas que todo mundo parece perceber. Como se eu estivesse tentando desesperadamente aprender uma linguagem que todas as outras pessoas já nasceram sabendo falar.
Eu me esforço. Eu me cuido. Eu tento ser interessante, bonita, divertida, leve. Tento ocupar menos espaço quando sinto que estou sendo “demais”. Tento parecer mais confiante quando, por dentro, estou me desmontando inteira.
Mas nada parece suficiente.
E o pior é que ninguém entende o tamanho dessa dor, porque por fora minha vida parece normal. Eu saio, eu rio, eu converso, eu tenho amigos. Só que existe uma parte de mim que vive constantemente com a sensação de ser invisível.
Como se eu estivesse assistindo o mundo através de um vidro.
Às vezes penso que o problema não é nem a solidão. É a sensação de nunca ter sido vista dessa forma por ninguém. Nunca ter sentido alguém me olhando e pensando: “eu quero você”.
Depois de tanto tempo, comecei a sentir vergonha de existir desse jeito. Vergonha de ainda esperar algo que parece acontecer naturalmente para todo mundo menos para mim. E então eu me pergunto, em silêncio, quantas vezes uma pessoa consegue se sentir não escolhida até começar a acreditar que nasceu errada.











