Anamnese
Veio uma moça apreensiva, no consultório Dizia ter encontrado outro moço por aí, segundo o histórico Que errava de bar em bar Se encontrava em versos do Belchior Até deu o que falar Que a afinidade de energia foi súbita E a eletricidade do sexo, absurda Mas o encontro de almas deles foi o mais intrigante A moça, afoita que só Sentia-se ofegante Contudo, nada foi constatado Durante o exame Exceto um torpor Acompanhado de serenidade e bem querer De intangível valor Nada paroxístico de algum mal Mas, mesmo assim Ela perguntou: “O que é isto que sinto no peito, doutor?” Ternamente, disse-lhe: Minha doce paciente, mas impaciente Com o próprio jeito Com a própria dor Aferi todos os parâmetros Notei um certo rubor Bem aqui, um calor no peito Como calmaria que agita navegador Vulnerabilidade é o que sente Seu diagnóstico é amor
— Controvérsias














