das coisas que doem e aliviam ao mesmo tempo
quando aceitei não ter controle de nada
inclusivo do amor dos outros
e vez ou outra preciso me lembrar disso
que quem quer estar não precisa ser pedido
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das coisas que doem e aliviam ao mesmo tempo
quando aceitei não ter controle de nada
inclusivo do amor dos outros
e vez ou outra preciso me lembrar disso
que quem quer estar não precisa ser pedido

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e eu vou desistindo da gente aos poucos
de todo o potencial que temos
um quase algo dói tanto pela sensação constante de insuficiência
é tipo uma corda meio dada
que te segura, mas de um jeito largado
sem medo de perder
eu já pensei tantas vezes em sumir só pra ver se você notaria
e me sinto tão adolescente por recorrer a essas fugas mentais
porque encarar o fato de que a gente nunca vai ser o que eu queria
é quase insuportável
e eu prefiro recorrer a negações
a tomar mini desistências
pra diluir o sentimento não acolhido
eu nem sei direito o que eu queria
mas você também nunca me perguntou
e acho que essa é a questão
só deixou rolar
tão descolado
tão desapegado
eu até passei a acreditar que você pensa em mim também
que ama
mas eu ainda queria presença
eu queria não ter que correr contra o tempo toda vez que a gente se vê
porque eu queria te contar tudo e ouvir tudo
mas a vida sempre passa mais rápido
e lá se vai de novo mais um encontro casual
em que eu voltei pra casa sem saber se um dia vou te ver de novo
e me pergunto até quando vai durar até você enjoar
desse casual-profundo
que mal tem tempo de discutir
eu queria presença
e isso me mostrou o quanto só o amor não é suficiente
mas como eu dizia
eu vou desistindo aos poucos
e te escondendo meus medos
pra não acontecer como da última vez
em que eu me declarei e tudo ficou ainda mais vazio
eu não quero sentir isso de novo
e acho que vou ter que suportar isso até eu me cansar
porque eu gosto tanto da sua companhia
mesmo tão curta
eu ainda não sei amar pela metade
queria fazer como você faz
que escolhe não estar
e deixar rolar
até não rolar mais
eu não quero avisar de novo
só vou desistindo da gente aos poucos
eu prometo que um dia eu vou te deixar em paz com isso
pra eu também poder ficar.
[incômodo]
19.dez.2024
chorar de amor sempre faz muito sentido quando penso em você
ter medo de te perder ou ter medo de te gostar menos são os demônios que me acompanham
faz parte das coisas menos nobres que posso pensar a respeito
mas eu sempre percebo que amor nunca acaba
não tem como te amar menos
parece que eu sempre te amei antes mesmo da gente nascer
eu só não sabia
por vários anos
até te encontrar
muda tanto de forma que me confundo
nesse bolo de afetos
e instabilidades sensíveis
dizem que quando é de verdade não tem fim
e eu não poderia concordar mais
porque te amar é infinito e mesmo quando a gente não se vê
a gente se fala
mental e emocionalmente
meu amor por você não tem fim
mesmo quando a gente se separa
por um final de semana, ou por meses
a gente já se despediu de tantas fases
mas elas ainda doem de alguma forma
eu choro tanto por você
não sei se por amor ou por medo
ou os dois
eu amo tanto que tenho medo
do nosso amor sem enredo
sem roteiro padrão
saiba que mesmo quando me despeço ainda te guardo nas gavetas do meu coração
que podem ser sempre abertas
e você pode ir e vir quando
sentir saudade
porque provavelmente eu vou estar sentindo também
[18.outubro.2023]

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e o último fio que nos ligava foi você quem cortou, quando eu menos esperei e quando eu tava em um daqueles momentos meio nirvana de plenitude
a semana tava boa demais pra ser verdade.
acho que as cartas mentem, então
elas se enganaram tão feio pra única resposta que não podiam errar
a de que você vai voltar
eu não aguento mais ter esperança e tanta dor ao mesmo tempo.
eu imaginei a gente se reencontrando no botequim, onde tudo começou 1 ano atrás
mas as chances dos nossos caminhos se cruzarem aleatoriamente de novo é tão pequena
que eu queria que fosse o suficiente pra me fazer parar de esperar
e digo isso já não contando com sua capacidade de me chamar espontaneamente
porque aparentemente preferes fugir e negar
ao invés de encarar nossos demônios
como você consegue ser tão frio?
e deixar tudo se desfazer tão fácil assim
me dói muito perceber que eu não signifiquei nada, me cortou da sua vida sem nunca ter se despedido direito
e aí eu lembro que eu nunca nem fiz parte da sua vida de fato
e era exatamente isso que fez tudo começar a acabar
eu só queria tirar essa dor do peito
como pode tanto amor e tanta raiva coexistir ao mesmo tempo dentro de mim?
hoje foi a primeira vez que eu me arrependi amargamente de ter colocado um quadro seu no meu quarto
eu não quero ter que lembrar mais
eu não aguento mais lembrar
a paixão me cegou tanto que eu realmente acreditei nas suas palavras
você me convenceu tão bem
mas quem ama cuida, cuida até mesmo pra ir embora.
você sempre comentou seus histórico de relações complicadas
mas eu queria você soubesse que por mais que eu tenha sido tão compreensiva
toda relação tem seus demônios e tudo depende da forma como a gente encara eles
eu comecei a ficar com muito medo de encarar eles sozinha e te pedi ajuda
e você me abandonou com eles aqui
assombrando e me olhando no quarto escuro da minha mente
com mil vozes tentando adivinhar o que você quis dizer com toda essa falta de dizeres
eu só queria ter meus sentimentos validados
e agora sinto que estraguei tudo, como se eu estivesse errada em sentir demais
eu queria muito ser do tipo que fala que quem me perdeu foi você
mas eu nunca consegui ser esse tipo de pessoa
e te ver postando quase todo dia frases de quem nunca ligou pra nada
mesmo que seja só pra alimentar uma persona
me faz pensar como eu só fui mais uma garota clichê
que caiu no papo mais antigo do mundo
"se uma se for, outras mil virão"
(você realmente acredita nisso?)
não foi esse o menino que eu conheci
mas foi bom que alguém tomou coragem pra cortar esse vínculo virtual
talvez tenha sido a coisa mais responsável que você tenha feito pela gente
fazer o que eu pensei várias vezes
mas não tive coragem
aprendi na terapia que a tristeza vem da sensação de perda
eu sinto que te perdi, como naquela música da sua bio
eu queria conseguir sentir raiva por mais tempo
mas eu ainda sinto amor
e um abandono gigantesco
é um tipo de morte diferente.
16.março.2024
[e eu ainda lembro como se fosse hoje você me chamando de "cabeça" por não ter encontrado a escada da sapucaí e ter te feito dar uma volta atoa pra tentar me encontrar fazendo surpresa no nosso primeiro encontro. Eu lembro do seu sorriso quando a gente cruzou os olhos pela primeira vez nesse dia, dessa vez mais sóbrios. Eu lembro de você segurando meu queixo e falando que gostava de mim perto da mureta da rua, e essa foi a maior cilada desse dia porque eu fiquei revivendo essa frase por semanas. Lembro de me sentir protegida estando super bêbada com um menino que eu mal conhecia e que nem tava pensando em transar comigo naquela noite. Eu lembro a primeira vez de eu contando tão feliz pros meus amigos sobre você, na escada do meu prédio da faculdade. Eu já me imaginei até te mostrando minha faculdade, acredita? Você conhecendo meus amigos, meu quarto, meu bairro. Eu te imaginei fazendo parte da minha vida, de verdade. Imaginei eu morando por 1 semana na sua casa quando você realizasse seu plano de morar sozinho. Eu também lembro da sensação da primeira vez que você segurou minha mão nesse encontro. E invejo muito a facilidade que você tem pra ignorar tudo isso e as outras coisas que vivemos e simplesmente ir embora. Um dia vai ser minha vez de colocar essas memórias em um lugar melhor do meu coração. Mas também me lembro, principalmente, de eu imaginando extremamente curiosa como essa nossa história se desenrolaria e eu não pensei que odiaria tanto assim esse final mal feito.]
Me time
toda vez que vejo seu ônibus eu te procuro
e te procuro em todos os cantos do centro que já passamos juntos
e odeio como já passamos por tantas partes dele
os filmes que veríamos juntos
e os lugares que a gente nunca foi
os planos que nem deu tempo de eu te contar
uma vez ouvi que o que mais dói é perder as expectativas que tínhamos juntos
ou que eu tinha sozinha
preciso me lembrar constantemente o que eu tenho de fato
e não o que eu criei de ti
mas você me deixou com tantas respostas em aberto
e nunca tive tempo suficiente pra te perguntar
me perdi tanto no que era real ou não
que tive que encerrar essa linha infinita de dúvidas não sanadas
a gente fazia piada sobre a moda do medo de abandono
eu nunca tinha sentido isso
e agora sei como é ser deixada de lado
onde eu tava com a cabeça em amar alguém que nem sequer me lê?
[19.dez.2023]
vou escrever essa pra me lembrar que tudo bem com amores curtos. podem ser tão verdadeiros e intensos quanto 6 anos. tudo bem nunca mais nos vermos de novo. pena que a vida escolheu me ensinar a viver o presente com a instabilidade de um dos alguéns que mais amei. minha amiga diz que poeta mente, inventa realidade paralela, as vezes a gente mergulha na versão mais bonita de uma história que poderia ser mais simples. eu odeio como você me tornou a escritora mais clichê do mundo, de novo. era pra eu ser desapegada, realista e pé no chão, mas eu ainda voo com as borboletas no estômago. eu não quero mais perder o controle de mim mesma, e demorei pra entender que você não tem nada a ver com isso. desculpa jogar tantas expectativas, eu posso só não me preocupar em fazer os encontros acontecerem. eu ainda vou sentir muito por você, mas você não precisa saber. você não leria isso mesmo ou demoraria tanto tempo que perderia o sentido. uma hora a gente para de se procurar, quero ser como você que confia no “vamos nos ver de novo”, quero tirar esse peso de mim, porque não tem que ser um peso mesmo. você realmente me trouxe coisas mais alegres, e talvez esse seja o nosso máximo. logo eu que tanto repeti que “os 100% não são sempre iguais”, esqueci que nossa história é isso mesmo, não precisa de um avanço. afinal, o que são avanços né? esse texto é mais pra mim, pra eu me lembrar da linha tênue entre amar muito, reconhecer seu lado da história e entender os meus limites. eu devo ter aparecido na sua pior fase ou você só não quer mais além disso, as expectativas são melhores quando estão baixas. e eu juro que vou me esforçar pra abaixar mais. a real é que me doeu muito quando você disse que continua com elas baixas, tal como no primeiro encontro, mesmo depois de tudo o que a gente passou. o que eu fiz de errado por ter entendido tão diferente o que tava acontecendo? tá na cara que tem tantas outras coisas rolando na sua vida que eu acabo não sendo uma questão, eu queria tanto ser uma questão. eu não gosto de ter medo de te perder enquanto você tem certeza que a gente vai se ver, e preciso trabalhar em mim aquilo que me deixa insegura. queria tanto ser mais simples e aceitar o que você tem pra oferecer, desculpa a ingratidão. não sei se consigo, mas como eu disse, esse texto é pra mim mesma, para que eu lembre que eu sei viver como quando a vida era antes de eu te conhecer, que não é vingança ou orgulho, é saber a hora de soltar. E se eu me preocupo tanto em segurar acaba deixando de ser livre, não é? me certifiquei tanto em ser leve pra você que acabei descarregando tudo em mim mesma. eu vou te amar de longe até você sentir saudade a ponto de fazer algo a respeito, ou talvez nunca faça, como já vinha acontecendo. e eu vou aceitar isso dessa vez. meu primeiro amor leve me disse que temos a vida toda pela frente, talvez eu acredite e use isso de consolo pro meu relacionamento com você. eu não sei se você pensa igual (a vida é tão longa assim?). quero economizar mesmo, e também praticar um pouco de solitude, eu te amo tanto mesmo que a gente nunca mais se veja. mesmo que eu nunca te diga.
no futuro eu vou rir desse drama todo, mas é bom registrar tudo que se passa na minha cabeça quando penso na nossa relação. não se envolver demais nunca fez tanto sentido, eu não acredito em tratar ficante como ficante, mas também não acredito que exista uma garantia eterna de nada, às vezes os rótulos ajudam, as vezes atrapalham. eu queria me envolver mais, mas você teria que deixar e tem coisa que a gente não precisa pedir, é só ver o quanto você me deixou entrar na sua vida. e nem foi tanto, e você sabe disso. eu sou uma visitante da sua casa mental, moro na sua varanda mas nunca entro demais na sua vida, não vivo seus melhores momentos, não conheço todas suas histórias e você não conhece as minhas, e eu ainda vou perder tanta coisa. e tudo indica que nunca vou contar as histórias que me imaginei contando pra você. eu nunca te tive como eu achei que tinha. ainda tem os lugares que eu vou com outras pessoas e lembro da gente ter planejado ir juntos, e vir aqui sem você parece tão errado, o karaokê que a gente ainda tava escolhendo, o parque que você sugeriu de irmos, mesmo que não seja tanto o seu tipo de role. me pergunto se me afastar é orgulho da minha parte ou apenas autopreservação, já que pra você me chamar é sempre mais desconfortável do que correr o risco de perder o que a gente tem. é uma conexão que sempre vai existir na linha do tempo infinita do universo. você já me disse que via pelos meus olhares as coisas que te escrevi no seu aniversário, já reconheceu que saberia que é importante pra mim quando você dar alguns sinais básicos de saudade, acho que eu realmente sinto que já fiz tudo que podia. a única certeza que eu tenho é que você não tem dúvida do que eu sinto, e agora te deixo escolher o que fazer com isso, desculpa ter pressionado tanto. obrigada por tudo, as maiores lembranças são as felizes e talvez um dia passe tanto tempo que eu esqueça porque terminou. é difícil superar um relacionamento que ainda tá acontecendo com as pontas soltas, pra todas as estrelas verem.
02.outubro.2023
[comecei a escrever dois dias depois do nosso último encontro marcado-o do quadro-, quando eu prometi pra mim mesma nunca mais te procurar]

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eu jurei que você seria meu segundo grande amor recíproco
até sua afirmação de que essa foi a última vez
eu devia ter desconfiado nos primeiros sinais
eu odeio como sempre foram isso
"sinais"
quando eu mais precisei de clareza
tu veio e me deixou mais confusa
você nunca quis me ler
nem prolongar os encontros
na verdade você foi embora mais cedo tantas vezes
e não me procurou tantas outras
eu precisava ser um problema pra te fazer se preocupar
e nem quando tentei ser
você não demonstrou se preocupar o suficiente
que saudade é essa que tanto falava
que me deixou ir embora tão fácil
e quando dizia pensar em mim
será que era da mesma forma que eu?
não entendo porque você insistia tanto em me dar as mãos
se nunca se entregou de verdade
a versão que eu tanto te pedi
e acreditei que não existia
percebi que existe
só que não pra mim
as cartas já me avisaram mas é incrível como eu sempre me decepciono mais
eu nunca entendi o que você queria
e ainda tento procurar justificativas
pra amenizar o quanto me machucou
eu jurei não passar por isso de novo
porque você não me parou?
era tão óbvio o quanto eu te queria, desde o início
agora eu sinto como se nunca fosse passar
a gente tinha uma história perfeita pra escrever
mas eu não consigo participar dela sozinha
acho que aquelas letras nunca foram pra mim, não é?
nem sequer pra alguém
eu não mereço um amor em cima do muro
nunca te pedi promessas
apenas escolhas claras
você pode mudar quando quiser, meu bem
mas só me diz o que se passa do lado da aí
(era tão difícil falar toda a verdade na minha cara?)
Ouvi dizer que se um escritor se apaixonar por você,
você nunca morrerá.
revisitar memórias que alimentam
as saudades misturadas com a aceitação de me acostumar com a ausência
reviver os nossos olhos se encontrando
e os sorrisos tímidos no exato momento de quando a gente se revê
as tão poucas vezes
e as tão poucas horas
perto do que eu gostaria de ter com você
eu aprendi que amor anda de mãos dadas com presença
e sinto o lacrimejar embaixo do sol
o choro disfarçado pra ninguém na rua ver
toda vez que eu lembro que não posso ter isso de ti
as escritas que você não vai ver
as histórias que você vai perder
os fatos da sua rotina que não tem como eu saber
e eu vou te escrever mais uma vez
em vão
porque nem como leitor
eu posso te ter
eu aprendi que amor anda de mãos dadas com presença
e eu não sei se é justo ter que desaprender isso
ao mesmo tempo defendo as possibilidades infinitas de sentir
ainda não sei lidar com o vácuo que existe no espaço de tempo
infinito entre o último e o atual encontro
o grito pela falta de respostas que ecoa nesse vazio temporal
e eu continuo nunca sabendo quando vou te ver de novo
e engolindo as partes angustiantes
que me prendem na ideia de querer tanto te impressionar
que abri mão da minha paz
não sei o que você quer
e acho que nem mesmo você sabe
eu devia te libertar
daquilo que me falta e do que você não pode me dar
e de todas as expectativas que eu te vesti
[12.setembro.2023]
Collage Art By Ayham Jabr.
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eu posso aprender a gostar da volatividade desse novo amor
amor tem tantas caras
hoje tem cara de melancolia
a melancolia do vinho que tomei sozinha, achando que seria para nós dois
o início de uma briga que começou porque os dois queriam muito se ver
mas essa não vai ser minha primeira escrita só para voce
essa é sobre como crescer nunca acaba
e eu me pego revivendo os mesmos demônios mesmo depois de tantos anos
quero lembrar da minha versão mais autônoma
ela se perdeu em algum lugar
no amor que busquei nos outros e outras
das amizades tão soltas que me machucam não ter o compromisso de um romance
quando foi que escolhi me dedicar tantos às relações que não tenho controle?
eu bebi um vinho sozinha pela primeira vez
desmarquei com quem eu queria ver a sós
tenho medo de conversar todos os dias com alguém que talvez suma
eu tenho lido como nada e nem ninguém é estável
absolutamente nada, sou tão literal
e isso dói, ao mesmo tempo que me desafia a me entregar ao máximo para o presente que viver me traz
eu sou a presença que nem sempre me entregam
e que nem sempre reconhecem
a sensação de desvalorizada que as cartas previram
e mais uma vez digo, essa não é só sobre voce
é sobre você mas tambem sobre meu amor mais antigo
dos amores que quase foram algo
dos amores que chamam de amizade
dos enredos que idealizei na minha cabeça
como se eu tivesse tempo para vivê-los
ou disposição para me permitir ser tão vulnerável
será que quando eu ler isso daqui alguns anos
vou saber de quem falo?
[02.set.2023]
tem as sombras e as flores
e os tijolos parados
da construção que a gente tava fazendo
mas ai foi mais uma daquelas obras que demoraram tanto
que nem sei mais se você quer construir algo
e nisso eu já destruí tudo que a gente criou
porque amar demais
não me deixa esperar um talvez
que fica em cima do muro
que não me deixa ir
mas também não me procura pra ficar
essa é sobre a dor da sua falta de palavras
e todas as bandas que me fazem lembrar você
mas que eu não consigo parar de ouvir
sobre as escritas que acho que nunca vou te mostrar
por mais que no fundo eu torça
muito
para que tenha algo que eu não sei
e que sane todas as minhas dúvidas
a gente nem tá tão longe
mas você faz parecer que tudo é tão mais distante
já entendi que não caibo na sua vida
não do jeito que eu queria
estou cansada de tentar te impressionar
sinto raiva das expectativas que você não vestiu
mas ajudou a costurar
toda vez que percebo que parei de pensar em você
eu comemoro
por poucos minutos
levo como pequenas vitórias
da superação de um amor que dá certo
mas que por algum motivo não parece o suficiente
vivo me perguntando o que eu quero mais
queria que você me contasse sobre seu dia
em outros dias
e não só nos nossos encontros pontuais
e tão espaçados
eu disse que amava nossos encontros breves
e desapegados
mas acho que menti
[eu me apeguei, 21.junho.2023]