Medium Cool | Haskell Wexler | 1969

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‘’(…) talvez eu tenha que chamar de “mundo” esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que “Deus” é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.’’
Clarice no conto ‘’Perdoando Deus’’ do livro Felicidade Clandestina, 1996
deitada na minha cama, suada, com os pêlinhos das pernas grudando no lençol, respiro fundo enquanto observo as linhas do meu quadril até os meus peitos antes de fechar os olhos com força e suspirar por um quase arrependimento, velho conhecido – quase porque ainda tô ali fazendo mais uma vez, decorando todo o processo e repassando quantas vezes o mais uma vez começa a fazer diferença, né duda beat?! Meia luz, incenso de pacthouli, propaganda do spotify que nunca é premium, aparentemente tenho um padrão. Ok, eu definitivamente tenho vários padrões e, o que mais parte meu coração nem são os caras barbudos, cabelo raspado, tatuagens no pescoço e sorriso que faria da vinci e michelângelo fazerem as pazes, mas sim o amontoado de péssimas atitudes que os levam para minha cama e mais ainda o caminho que fazem da cama até a porta da rua. todo o drama embalado ao som de transa – caetano.
meu corpo é um templo: em ruínas, desmoronando e provavelmente amaldiçoado. calejado pelo meu descuido de deixar incontáveis homens medianos tirar folga em seu interior e descansar o corpo suado e lambuzado em sua superfície.
meu coração é quarto de hotel, aconchegante à noite e vazio de manhã na hora do café. olho pra mais uma taça quebrada no cantinho perto do sofá e admito o esboço de um inicio de problemas com bebidas, talvez, não sei. assim como é difícil medir o momento em que um hábito gostoso se transforma em vício é difícil medir quando se deliciar com outro corpo se torna algo nocivo. machuca deixar tantos homens medianos entrar no meu templo e ficarem apenas o tempo que quiserem sem que minha vontade importe, acho que é o jeito de me fazer ser de menos enquanto em todo o resto sou demais.
*quando digo tantos, não falo só de quantidade, mas na intensidade com que me machuca.
Cheguei aqui por coincidência e acabei me apaixonando pelo seu cantinho, seus textos me tocaram a alma e eu fiquei me perguntando, qual a sua história? Eu gostaria muito de saber um pouco mais sobre você, sobre a pessoa que você é, quem sabe até começar uma amizade, se você quiser, é claro. Senti uma empatia muito grande por você, não sei explicar bem, mas me senti quase que em casa aqui
não sei quando cê mandou e se vai vir aqui de novo, mas vem cá, quero conversar
conto minha história e outros causos

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vou escrever um livro e o titulo vai ser:
eu sei que há sempre um aperto; um descontentamento; uma agonia; uma pressa aguda; uma poeira insolúvel; uma magoa cósmica; uma discrepância emocional
mas calma, você tem apenas 24
tudo ainda vai piorar
eu teria atravessado o mar vermelho por você mesmo sem fé nenhuma pelos dias que virão
sentir como perda irreparável o acabar de cada dia é uma frase do saramago que costuma legendar várias de minhas fotos de fim do dia e tirando mais uma dessas percebo que embora ainda ache belo, agora tem sido ainda mais belo porque tá acabando e, ansiosa que sou, espero o começo do outro dia porque - para que ele também acabe, e mais outro dia, e mais outro, e outro.
a manhã de um dia me deixa mais próxima do meio e caminhando até o meio, espero sentada até seu fim. quantos dias serão preciso? penso entre todos os afazeres inúteis que me proponho a fazer pro tempo passar mais rápido, mas não chego em um resposta, estou cansada demais agora.
não sei o que carrego com tanta ansiedade, não dá tempo de ouvir os meus desejo enquanto cubro o sol com a lua e a lua com o sol. não sei onde quero chegar, em qual momento exato tudo vai passar e voltarei a sentir como perda irreparável o acabar de cada dia.
me sinto menos sozinha contando os dias. embora não saiba exatamente quantos dias tenho que contar.
eu tento muito mas abandono tudo. como agora no qual as palavras vem e eu tento corta-las pensando que vou abandonar mesmo esse texto então pra quê insistir?
sinto que luto com o todo o potencial que carrego dentro de mim para ele ser sempre noite e nunca dia, nunca iluminar todas as cidades que carrego por dentro e que abandonadas se tornam apenas acumulo de qualquer coisa.
bom, eu não vou mesmo terminar esse texto.
quem aí já apresentou tcc e deu tudo certo? vem dar amor ao meu coração

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Sarah-Jean
‘Swallowed by the Season’
her quote: “As her body lay limp upon the cold, barren earth, flowers flourished and grew from her limbs, consuming her body; she was swallowed by the season, finally one with the Earth once again.”
via

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qual teu mapa astral?
sol em câncer, lua e asc em virgem