Isso não é problema meu, Al. Eu não tenho culpa se muita coisa tem fodido com o meu psicológico nas últimas semanas e eu não estar conseguindo lidar com tudo. Eu não estou conseguindo nem pensar nas coisas que eu tenho que fazer nas férias e são férias, então não me culpe, culpe meu psicológico. Amaciar o ego das pessoas é a minha melhor característica, mas só quando eu vou com a cara da pessoa, porque quando eu tenho ranço da pessoa eu mando ela logo pra puta que pariu. Sobre beber, eu acho que bebi mais do que tô acostumada, mas a sensação é agradável, até. Existe muita coisa útil pra fazer dessa festa, você que não sabe aproveitar. Eu não estou aproveitando porque tem algo dentro de mim me impedindo, eu acho que eu deveria saber o que é, mas não sei. - reclamou, deixando a expressão confusa de desfazer, tomando uma expressão de dor em seguida. Puxou as pernas para perto de si, tirando os sapatos dos pés machucados e colocando-os próximo ao sofá onde estavam sentados, encolhendo-se ali - Eu faço isso porque meu avô tacou pau na academia, olha que ele era auror. Fora que eu tenho muitos amigos que estão na academia, consequentemente eu sei de muitas cosias que acontecem dentro e tal. Sim, essa coisa de professores estão sempre certos é mó verdade. Minha sorte é que eu sou uma pessoa controlada, caso contrário, acabaria sendo expulsa da academia.
“Arthemis, mesmo quando você não fala as coisas certas, você fala as coisas certas. Muito bem, gostei do que você disse, exatamente. E por isso eu vou te embebedar pelo resto da noite, e cantaremos a música “We Are The Champions” alto e em cima de alguma mesa, só o suficiente pra você se lembrar de alguma coisa. Se você beber mais que isso e esquecer, não é comigo. E não se culpe por estar com problemas assim, estressada e com muita ansiedade, jamais. Não é culpa sua. Muito bem, então assumindo que você gosta de mim porque você ainda não me mandou pra a puta que pariu - o que seria difícil de achar, porque eu não sei onde ela tá, continue assim com os elogios, gostei bastante.” A fala do americano era solta e caracterizada pelo álcool que já havia tomado, mas nem de longe estava bêbado bêbado. Havia bebido algumas coisas, mas só o suficiente para falar sem ter muita noção do que dizia. Havia bebido vinho, bastante, o que não era muito de costume dele, pois geralmente optava por champagne e firewhiskey, ou então rum. Era diferente de quando estava chapado, pois nessas horas, ficava muito fechado em si mesmo e por mais que ficasse relaxado, também ficava um pouco ranzinza. Não que ele já não fosse naturalmente.
Quando Arthemis disse que havia muita coisa boa para se fazer, mas ele não sabia aproveitar, sabia que ela estava certa. Não respondeu nada em seguida, dando um enorme gole da garrafa de vinho que trazia consigo, e entregou-a para Arthemis, sabendo que ela com certeza iria querer. Sentiu-se encolhido da mesma forma que ela, mesmo com sua postura ereta habitual, e seus olhos simulando uma superioridade que na realidade não sentia. Sentia que seu filtro de palavras havia sido imposto, e havia sido colocado em estado pensativo sobre sua própria utilidade no que estava fazendo no momento. Apenas ouviu a garota falar. Não soube o que responder para Arthemis, porque Alastair não era bom com coisas emocionais de outras pessoas que não fossem extremamente próximas a ele emocionalmente, e ele não estava pronto pra se abrir com Arthemis.
“Independente do que aconteça, nunca deixe alguém dizer que você não é boa o suficiente, e que você não vai conseguir. Não que você precise de mim pra te dizer isso, porque você já deve saber disso, mas é sempre bom reforçar. Vai ser bem frustrante sim, mas você vai conseguir, Arthemis. A Academia vai ter sorte de te ter lá.” O tom de voz de Alastair era soturno e quieto, distante.