Há algo martelando minha cabeça que eu não posso mais segurar. Tenha calma, respire e leia devagar!
Eu sei que a vida parece um fardo injusto hoje, e que você sente um peso gigantesco em suas costas. Estamos seguindo, cada um à sua maneira, tentando traçar o melhor rastro de futuro possível para o pequeno e para nós, com o que temos e conseguimos lidar no momento!
Mas eu preciso que você me ouça, preciso que você saiba que Eu te vejo. Sempre vi.
Não estou falando com essa mulher que você apresenta ao mundo hoje, a forte, a corajosa, a dona de todas as razões e de um orgulho enorme. Eu enxergo através dessa armadura.
Eu vejo a menina perdida, que se sente sozinha e ameaçada a cada segundo pelos pesos e pelas sombras que carrega. Vejo a menina que implora, lá no íntimo, por um socorro que já não consegue e nem sabe mais como pedir.
Eu não vim falar com a mulher.
Essa mensagem é pra você menina, porque eu sei está aí no fundo, lendo estas palavras através desse olhos.
Saiba menina, que Eu te amo. Não com o amor gasto das rotinas, amor de homem e mulher ou de títulos, mas como alguém que reconhece a beleza da sua existência, que te reconhece como pessoa que enxerga a sua essência.
Eu sempre vi todo o seu potencial, o futuro brilhante que te espera e o desejo infinito que você tem de crescer, de aprender, de ensinar, de amar e de finalmente se entregar sem a culpa ou o medo de ser apenas você.
Eu te enxergo.
E por mais que você acredite que habita um lugar de escuridão e solidão absoluta, acredite também: eu sempre enxerguei você!
Eu me recuso a aceitar que, para se libertar, você sinta que precisa ser devorada, sinta que precisa atravessar essa dor que carrega porque eu também sei que isso é o seu maior medo!
Eu errei muito, fui amargo em momentos, egoísta em outros, fui imaturo. Mas mesmo não conseguindo totalmente, sempre tentei não te quebrar mais, porque sabia que você já era um mapa de cicatrizes, já estava muito flagelada.
Eu errei também ao confiar que o acaso ou o tempo poderiam fazer o trabalho da cura por nós.
De verdade, menina? O que eu sinto agora é apenas uma vontade imensa de te dar um abraço. Daquele bem apertado, que acolhe e silencia o mundo. Um abraço que diga e faça você sentir que não está sozinha. Um abraço que te permitisse, por um instante, respirar fora dessa muralha que foi construída ao seu redor!
Agora você, mulher: não escrevo para cobrar dívidas, para pedir que volte ou para tentar consertar a sua vida. Escrevo para que você saiba que esse lugar de cuidado ainda existe e que eu te vejo além dessas defesas que mantém mesmo exausta.
Infelizmente, eu não consigo mais tentar, não consigo mais caminhar por essa estrada, eu não consigo mais fingir que esse caminho de mentiras, dúvidas e incertezas, não me derrubam que não me fazem uma pessoa pior.
O importante é que eu me perdoei por escolher ir e seguir o meu caminho!
Mas guardo uma certeza absoluta de que no momento em que você soltar as amarras e permitir que essa menina seja alcançada, acolhida e cuidada, você encontrará a real felicidade, encontrará novamente o brilho nos olhos e tenho convicção de que saberá viver o amor de forma verdadeira, aquele que não exige defesas, mentiras, que não conhece culpas e que não precisa de máscaras para ser sentido.
Espero que você também se perdoe.
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