sete e meia, o sol raiava. com certeza, tyler mccoy nunca fora uma pessoa matutina, e tampouco hoje, como atual gerente da ex-imobiliária do pai, tinha a obrigação de acordar cedo. entretanto, há muito tempo se acostumara a fazê-lo em prol de manter o exemplo e começar o dia com a sensação de dever cumprido. não era incomum vê-lo trabalhando externo, ainda fazendo o trabalho dos corretores e ensinando aos mais jovens a como fazê-lo - pois, por mais surpreendente que fosse a sentença, sim, tyler mccoy tornara-se bem sucedido em seu trabalho e capaz de ensinar algo a alguém. contrariando e calando a boca de todos que um dia chegaram a dizer que a estrela esportiva da USC era apenas um grande corpo bonito sem cérebro, ele até que tinha bastante pra compartilhar. inclusive, ensinamentos sobre o melhor jeito de cuidar da própria família, porque nesse quesito, ele acreditava que era um dez de dez.
falando em sua família, a mulher que dormia tranquilamente ao seu lado era um dos maiores lembretes do porquê devia acordar todo dia. mesmo após tantas turbulências, ele ainda continuava ridiculamente apaixonado por callisto tal como no primeiro dia em que a vira chorar, há mais de dez anos atrás. não satisfeita em tomar-lhe o coração e lhe fazer de gato e sapato, aquela abusada de palavras ferinas ainda lhe dera o melhor presente que poderia ter recebido em sua vida - o qual, com certeza, seria acordado aos beijos logo mais, assim como faria com a mãe dele agora.
piscando devagar ao que os tímidos raios de sol transpassavam as cortinas claras, tyler acordou pronto para um novo dia. arrastou-se de lado na cama até abraçar a morena pela cintura, enterrando o rosto entre os cabelos cheirosos enquanto a apertava contra seu corpo quente. “ ━━ bom dia, raio de sol. tá na hora de levantar. ━━ ” os lábios trilhavam um caminho em suas costas e ombros, em direção a nuca, em beijinhos demorados. “ ━━ antes de brigar comigo por eu estar te chamando a essa hora da madrugada, você pediu ontem que eu te acordasse por causa do check up da dot com o dr. varma às 10h30. ━━ ” não deixou de sorrir ao falar baixo e lembrá-la do favor, enquanto uma das mãos acariciava o abdômen da callaway por baixo da blusa de pijama e das cobertas e o mais velho apoiasse a lateral do rosto em suas costas. apesar de realmente precisarem levantar em algum momento, ainda assim o mccoy não parecia tão disposto a fazê-lo, dado ao abraço confortável.
@calliexcallaway
Tinha ido dormir tarde na noite anterior, não por ter se empolgado com a leitura noturna ou por ter sido convencida por Dot a assistir mais algum episódio de Criminal Minds na madrugada (Tyler parecia achar um pouco preocupante que a garotinha tão nova tivesse aquele tipo de interesse, mas oras, Callisto mesmo se interessava por aquele mesmo tipo de coisa quando nova e havia saído muitíssimo bem!!). O motivo de suas poucas horas de sono, dessa vez, era o nervosismo que antecipava o assunto que ela postergava há várias semanas. A mente ao menos havia conseguido se recuperar o suficiente sem qualquer sonho incômodo, e embora odiasse despertar por fatores externos, nem mesmo o seu mau humor matutino era capaz de resistir à maneira deliciosamente doce que era acordada pelo marido. Enquanto a consciência voltava à realidade e o corpo parecia se dar conta outra vez de si mesmo, podia sentir o corpo do mais velho se debruçando sobre ela em um abraço forte e carinhoso. Gostava de sentir os beijos que ele distribuía por sua pele, faziam com que ela se arrepiasse. “Hmmmm.” Resmungou baixo, manhosa, lamentando um pouco ser arrancada do sono mas incapaz de se incomodar de fato com o cenário em que se encontrava. Não haveria mesmo qualquer sonho melhor do que aquela sensação de estar nos braços de Tyler, no lar que haviam construído todos aqueles anos e que resultara na pequena e geniosa garotinha que, pelo lembrete de McCoy, era também o motivo de que ele a acordasse. “Assim fica bem difícil sair daqui.” Murmurou, a voz embebida no resquício do sono que ainda permanecia no corpo. Suspirou, trazendo boa quantidade de ar nos pulmões e então girando na direção dele sem sair daquele abraço, agora ela mesma esticando um dos braços para contornar o abdômen alheio. Escondeu o rosto na curva de seu pescoço, a pele quente deixando tudo ainda mais confortável conforme eles encaixavam. Chegou a fechar os olhos, mas era um perigo -- sabia que acabaria adormecendo outra vez se assim continuasse. “Dr. Varma disse que seria interessante atualizar a lista de responsáveis autorizados da Dot.” Que todos os amigos de Tyler e Callisto eram praticamente da família, aquilo era fato. O pediatra já tinha alguns nomes de prontidão, mas a ida inesperada de Timoteo ao local sob desculpa ridícula de ser pai da garota a fizera lembrar de incluir o homem também. “Apesar de ter pelo menos dezessete motivos para nunca colocar Teo como responsável de qualquer coisa.” Brincou, a breve conversa sendo o suficiente para auxiliá-la a despertar. Recordou-se, então, do assunto em sua mente antes de dormir. “Ty...” Afastou o rosto para observá-lo. “O que pensaria se eu dissesse que quero trabalhar?”












