A juventude que guardava no rosto era apenas um vĂ©u delicado estendido sobre os abismos que se aprofundavam em silĂȘncio.
No retrato oculto, guardado no porĂŁo frio, o tempo pintava com mĂŁo severa tudo aquilo que o mundo nĂŁo devia ver: a culpa, a decadĂȘncia, a sombra que cresce quando a alma se afasta de si mesma.
Assim, flutuava pelos salÔes dourados de Londres, Dorian Gray. Um espectro às avessas: eternamente jovem por fora, inteiramente podre por dentro.
No reflexo dos espelhos, percebia a juventude se esvair. Como se algo por trĂĄs do vidro quase ousasse revelar a verdade: O silĂȘncio ao redor gritava que nenhuma beleza seria capaz de permanecer impune ao tempo.
No fim, o que o aguardava não era a morte, mas o reconhecimento. à chegado o momento, mesmo que tardio, em que até o mais orgulhoso dos homens precisa encarar a verdade guardada no mais profundo abismo:
Descobrir que nada fere tanto quanto ver, finalmente, aquilo que nos tornamos.
Nada.
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Sobre o universo moral e estĂ©tico de O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, em seus ecos de beleza, sombra e decadĂȘncia.
















