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Nem toda IA é ruim, só a generativa
IA não é tudo igual, afinal, você vai usar IA para corrigir textos, como assistente, além de outros usos que podem sim ser éticos. Agora, a IA generativa é um erro, porque ao invés de usarem imagens e textos com permissão, decidiram pegar sem avisar nenhum autor e isso é horrível.
Pensa que você faz um bolo, então anota a receita e alguém pega a sua receita, faz seu bolo e diz que é o autor do bolo? Pois bem, é a mesma coisa que pegar a arte de alguém, colocar no gerador da IA e falar que fez uma arte.
Tem outros problemas, como qualidade, porque a IA ainda não tem qualidade suficiente em detalhes, em mãos, em pés, em fundos, basicamente fica bonito de longe, mas quando a pessoa dá zoom, fica feio. Outro problema é que ao dar zoom, a imagem fica sem qualidade nenhuma, dando para ver todos os pixels sem ser uma pixel art. Por fim, se usa muita água para gerar imagens, o que faz com que seja ruim para o meio ambiente.
É compreensível que você pense "mas as grandes empresas usam e elas vão gastar bem mais água do que eu, então por que eu não posso usar?"
Mas você gostaria que fosse o seu desenho? A sua música? O seu texto? E pior, você não ganha nada por isso. É como trabalhar de graça e ainda ver o patrão usando sua arte.
Você precisa parar de usar todas as IAs? Não. Pode continuar usando seu corretor do word, continuar ouvindo seu vocaloid, continuar usando sua alexa/siri, continuar vendo seus filmes sobre robôs, mas não use algo que atrapalha a vida de artistas.
E se você ver imagens geradas por IA em mercados, em lojas físicas, no Etsy, no Aliexpress etc, não compre. Está em dúvida se é IA ou não? Pergunte a um artista. Mas não use uma ferramenta que atrapalha a vida de quem produz arte.
Você provavelmente não tem hiperfoco
Você tem mesmo hiperfoco? É uma pergunta que parece julgadora, mas a verdade é que não é todo mundo que tem hiperfoco, mas sim algumas pessoas com algumas neurodivergências. Não posso confirmar quais têm ou não, mas posso te ajudar a identificar se é de fato um hiperfoco ou se você só gosta daquele assunto.
Pergunta 1: Você sente que só pensa naquilo o tempo todo? Pergunta 2: Você quer saber sobre tudo daquilo? Pergunta 3: Você foca tanto nisso que não come, não vai no banheiro, não toma banho, não bebe água e as vezes esquece de dormir? Pergunta 4: Você sente que está te atrapalhando? Pergunta 5: Você consegue falar sobre outros assuntos ou só sobre aquilo? Pergunta 6: Você gastaria muito dinheiro naquilo? Pergunta 7: Você gastou muito dinheiro naquilo? Pergunta 8: Você sonha com aquilo?
Parecem perguntas muito bobas, mas isso diferencia o que é gostar e o que é hiperfoco. Gostar é normal, todo mundo tem algo que gosta, mas nem todo mundo tem hiperfoco naquilo.
É tão complexo, que você, se tiver mesmo hiperfoco, pode hiperfocar em alguém. Ou seja, além de você ter hiperfoco em assuntos como músicas, desenhos, jogos etc, você também pode ter em alguém ou até mesmo em um grupo de pessoas.
O hiperfoco em alguém pode ter a inveja junto, afinal, como assim existem pessoas que vivem com esse alguém? Que passam a maior parte do tempo com esse alguém? Que estão há anos com esse alguém? Como assim eu não passo a maior parte do tempo com esse alguém?
Pois bem, perceba que hiperfocos são obsessões e se você acha horrível quando alguém fica obsessivo, saiba que com hiperfocos pode ser tão feio quanto. Se for hiperfoco em algum objeto, é capaz da pessoa ficar com esse objeto o dia inteiro a ponto de dormir com ele, comer com ele, tomar banho com ele se for possível, ver mídias com ele, até que o hiperfoco passa e não há mais motivo para fazer isso.
Com pessoas pode ser estranho também, como querer exclusividade, usar a foto da pessoa sem permissão, querer saber de tudo sobre aquela pessoa, sonhar com a pessoa todos os dias, achar ruim que outras pessoas também existam na vida dela, tudo isso, porque é uma obsessão.
Hiperfoco sempre vai ser um nível de obsessão absurda? Não, mas é bem comum. Hiperfoco precisa de tratamento? Se for muito obsessivo, sim. Hiperfoco é único ou dá pra ter mais de um? Dá pra ter mais que um.
Então, antes de falar que você tem hiperfoco em algo, pense melhor. E sobre as perguntas, se você respondeu de forma positiva para quase todas, então sim, é um hiperfoco.
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Por que eu sai do mundo da escrita profissional?
Eu tenho livros publicados na Amazon, na UICLAP e pelo Kindle Unlimited, mas eu não vou mais publicar livros novos para ganhar dinheiro em cima de vendas. Sim, eu ainda vou publicar em plataformas como Wattpad, mas não pretendo mais fazer isso de forma profissional.
Em 2023 eu sai da faculdade, tudo parecia estranho, afinal, do nada eu tinha graduado e ao mesmo tempo não tinha emprego, não tinha visão do futuro e foi quando em 2024 eu entrei no mestrado.
Não parei de escrever, tanto que antes do Nanowrimo acabar, fiz um livro de mais de 50 mil palavras e até fiz uma nova versão dele. Só que no começo desse ano (2025), meu HD pifou e eu fiquei sem nada do que tinha no meu antigo notebook. Resultado: perdi várias histórias que eu esqueci de guardar em HDs externos e nuvens.
Quando isso aconteceu, minha vontade de escrever diminuiu muito, porque perder coisas importantes me deixou sem rumo algum, ainda mais que não era só a escrita, era uma caralhada de conteúdo que eu tinha guardado desde 2019.
Ao menos a escrita por inteira não parou, já que depois de uma matéria do mestrado, eu tinha outro livro pronto, e que foi o trabalho final da matéria em questão. A escrita continuava ali, minhas ideias continuavam fluindo, mas não passavam para nenhum programa ou papel, apenas na minha mente.
Nesse meio tempo minha vida artística foi diminuindo muito, não desenhava, não coloria, não escrevia, não mexia com massinha, não mexia com adesivos, ou seja, nada acontecia. Fiquei desse jeito por meses, mesmo que eu não entendesse o motivo disso acontecer comigo.
Voltei a fazer terapia, mudei de remédio, comecei a morar com outra pessoa, passei por um novo trauma, basicamente tudo era novo e estranho, então nada funcionava. O trauma diminuiu, o remédio ajudou, a terapia também, mas a parte artística continuava ruim, nada acontecia fora da minha mente.
Com mais de 200 lápis de cor, mais de 100 canetas esferográficas, mais de 100 canetas a base de água, 36 canetas a base de álcool, mais de 60 cores de canetas acrílicas, mais de 100 gizes oleosos, 24 gizes secos, inúmeras folhas 180 de gramatura ou mais, mais de 10 livros de colorir, mas nada flui.
Como se não fosse ruim o suficiente, meu sono desregulou e isso me atrapalhou para acordar antes das 8 da manhã, ou seja, a matéria que era das 8 até 12, eu não conseguia ir.
E a escrita? Parada, ainda sem rumo.
Até que há poucos dias consegui escrever algo, o começo de um livro novo, mas percebi que não era um livro para Amazon, UICLAP, KU, mas sim para Wattpad e plataformas gratuitas.
Depois desse entendimento de que eu não tenho mais energia para escrever, passar um pente fino, arrumar depois da leitura critica e da revisão, fazer pré-venda, procurar ilustradores, fazer designs para divulgar o livro, postar com frequência em várias redes sociais, além de não ter dinheiro para serviços editoriais, deixei de seguir as contas de escrita.
Várias autoras que eu seguia, não sigo mais, inclusive deixei de seguir praticamente todo mundo do meio da escrita. Não quero participar de editais, de antologias, de coletâneas, quero só ficar em paz.
Esse não é um post para desencorajar novos autores e sim para entenderem que a escrita não é para qualquer um e tá tudo bem. O que não tá tudo bem, é você se forçar a continuar em um meio que acaba com as suas energias.
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Smut é pornô escrito
Mentiras como "pornô vicia", "pornô é um problema para mulheres" e coisas parecidas, apenas atrapalham a vida de quem escreve smut, hot etc, porque a gente esquece, mas literatura erótica é um pornô escrito.
"Mas pornô não tem sentimento e a escrita tem", sim, porque no pornô não vai ter tempo de desenvolver uma história toda bonita para a leitura. Agora, se você pensar bem, existe conteúdo escrito que é só sexo e tudo bem.
A gente precisa parar de demonizar tudo que é sexo explicito, afinal, pessoas praticam sexo explicito, não sexo que é todo floreado e cheio de perfeições e nuances incríveis. Sei que dá para ter aquele romancezinho antes do sexo, mas sendo bem sincera, é sempre? Toda vez que você transa, você tem um senhor romance com a pessoa com que você vai transar? Difícil né.
Se eu escrevo um hot/smut cheio de putaria, se eu escrevo um hot/smut mais leve, se eu leio um hentai, se eu vejo um hentai, se eu ouço um pornô, se eu vejo um pornô, tudo isso é putaria e pode ou não ser super explícito.
"Mas você começou falando que pornô não vicia", sim, porque quando a gente começa com essas mentiras, recai em todo conteúdo erótico/pornográfico, seja ele explicito ou não. E não existem pesquisas boas que confirmem esse vício, pode existir uma compulsão, mas vício não (e sim, vício e compulsão são duas coisas diferentes, no caso, vício é quando altera sua mente e você não consegue mais ficar sem, tendo sintomas e precisando até de medicação. E compulsão é algo psicológico, envolvendo comportamento) e não importa se você assiste todo dia, assiste várias vezes por dia, se você bate uma toda vez que assiste: não é vício.
Vício a gente tem por outras coisas (drogas, álcool, apostas etc), mas não por pornô, por smut/hot, por hentai. Se você está consumindo em excesso e sente que isso está te atrapalhando, seja com qualquer coisa, procure ajuda psicológica, não fique tentando resolver sem ajuda.
Ok, mas afinal, qual a diferença entre erótico e pornográfico? Um é socialmente aceito, o outro é demonizado. Qualquer conteúdo explicito que seja socialmente aceito é chamado de erótico e qualquer conteúdo que seja demonizado é chamado de pornográfico. Não tem uma diferença no geral, igual tem a ideia de que pornográfico é o mais explicito e erótico é o mais leve, porque tem muito livro erótico mais pesado do que pornografias visuais.
Dito isso, smut/hot ainda são pornografia, e não, falar isso não é diminuir a feminilidade daquelas que consomem, transformando em um objeto ruim, mas sim mostra que precisamos abolir essa ideia de que o pornográfico é sempre ruim.
"Mas e as pessoas que sofrem na criação de conteúdo pornográfico?" Elas existem, mas é preciso entender que qualquer indústria no capitalismo vai ter isso. Nós conhecemos várias cantoras que sofreram crimes horríveis, atrizes também, até mesmo no meio da escrita isso existe, então por que o foco só no pornô? Só naquilo que é sexual? Só por ser mais fácil de demonizar algo que é sexual?
"E sobre as mulheres?", de fato, existem vítimas mulheres, mas existem vítimas homens, e é o que acontece em outras indústrias também. Não podemos achar que mulheres são vítimas o tempo todo, que elas não consentem atos sexuais, que elas nunca querem trabalhar com sexo, porque mulheres podem sim trabalhar com isso e gostar de trabalhar com isso.
O desejo sexual de pessoas que não são homens cis existe e deve ser cultivado, afinal, quanto mais os homens cis ganham espaço, mais eles se aproveitam disso para tirar direitos de outras pessoas, incluso o direito a ter relações sexuais e a ter método contraceptivos. Por isso, não deve ser algo ruim e sim visto como prazeroso para todos os lados.
Enfim, se você quiser continuar chamando de erótico, você pode. Se você quiser chamar de erótico para alguns públicos e de pornográfico para outros, você pode. Se você quiser chamar de pornográfico, você pode. A escolha é sua, o que você precisa entender é como as palavras possuem poder na nossa sociedade, afinal, a língua é uma forma de dominar um povo.
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BDSM não deve ter regrinhas, apenas pilares
Parece estranho ler esse título e eu entendo, mas regras são diferentes de pilares, pois sem regras o BDSM funciona, mas sem pilares ele cai.
Quais são os pilares? SSC/PRICK/RACK, entre adultos e com palavra de segurança.
Quais são as regrinhas que inventam? Obrigatoriedade de hierarquia, todo mundo vai ser D/s, toda pessoa top é dominante e sádica e toda pessoa bottom é submissa e masoquista, homens são top e mulheres são bottom, para ser masoquista tem que ser sub e para ser sado tem que ser dom etc.
A verdade é que por mais que queiram te obrigar a fazer algo, não é uma realidade. BDSM é uma contracultura, logo não é sobre regras, é sobre pilares, já que ninguém deve ter sequelas por causa de práticas e BDSM não deve ser um meio de traumatizar pessoas.
Falar que regrinhas são ruins, não significa que é um neo-BDSM, nem que somos apenas fetichistas, mas sim que entendemos a pluralidade do BDSM e como ele foi construído por pessoas que valorizavam essa diversidade de práticas e de formas de praticá-las.
Nós não devemos nos importar se: A pessoa é sádica e submissa A pessoa é masoquista e dominante As pessoas praticam de forma virtual A pessoa só pratica bondage Não tem hierarquia por não ter D/s O bottom tomou atitude Nós devemos nos importar se: Há preconceito (racismo, machismo, LGBT+fobia, capacitismo etc) Não seguiu SSC/PRICK/RACK Fez sessão com menor de idade Não tem palavra de segurança Não respeitou a palavra de segurança A pessoa diz que não tem limites
Tudo isso, porque entender que o BDSM inclui mais do que exclui é o mínimo, afinal, os mais velhos estavam na stonewall lutando do lado de pessoas LGBT+ que pediam direitos. Não só isso, fetichistas (dentro e fora do BDSM) não são aceitos na sociedade, assim como minorias não são e por isso tendem a se unir em prol de algo em comum, a falta de inclusão.
E é pelas regrinhas que novatos desistem do BDSM, é pelas regrinhas que criamos intrigas no meio, é pelas regrinhas que cansamos de falar sobre assuntos com medo de pessoas chatas aparecerem e reclamarem. De fato, pode discordar, mas não deve brigar ou insinuar que o outro não pratica BDSM apenas por fazer de forma diferente.
Se você obriga os outros, você já perdeu de vista o que deveria te divertir no BDSM. Se você considera que várias pessoas não praticam BDSM por não fazerem um beabá que você considera obrigatório, então você também já perdeu de vista a melhor parte do BDSM.
A melhor parte do BDSM é a diversidade, a pluralidade, as várias formas de praticar bondage, disciplina, dominação, submissão e masoquismo.
O BDSM não combina com a monogamia
A primeira coisa que todo praticante de BDSM deve saber, é que BDSM é uma contracultura, ou seja, podemos e devemos questionar e subverter o que é considerado como normal.
E isso diz muito sobre a monogamia, pois quem já leu o texto sobre não escolher ser monogâmico e não existir relacionamentos monogâmicos, sabe bem que é uma imposição do sistema e é por isso que BDSM não combina com a monogamia.
Homens cis não detém todo o poder no BDSM, inclusive podem ser dominados, ser masoquistas, praticarem bondage nos seus corpos, serem disciplinados e várias outras práticas que estão dentro do BDSM.
O bottom pode ter poder e realizar contratos, e na sociedade monogâmica, quem não tem o poder ou pode estar embaixo, nunca vai tomar as decisões por não ser aceito. Em compensação, o top pode deixar essas tarefas para o bottom, ou até mesmo pedir para que o bottom faça isso.
Na sociedade não é aceito que haja uma negociação de poderes, somente o homem cis pode usufruir deles e usá-los em cima de qualquer outra pessoa, mas no BDSM não existe relação sem negociação de poder, existe fetichismo sem negociação, mas não existe BDSM.
É também de suma importância termos limites, mas é socialmente aceito que dentro de um relacionamento entre duas pessoas envolvendo amor romântico, o fazer qualquer coisa. Não quer transar? Não importa, afinal, o que importa é o prazer do outro e as vontades do outro. Não quer fazer comida? Não importa. Não quer realizar os desejos do outro? Não importa. Já no BDSM, qualquer limite ultrapassado é uma grande bandeira vermelha.
Entendemos que é importante ter muito cuidado com tudo no BDSM, afinal, não há o mínimo de segurança sem cuidados, não há algo são sem cuidados, não há algo consentido sem cuidados. Pode parecer que não há nenhum cuidado dentro de sessões, afinal, há várias práticas que não são socialmente aceitas, mas sem isso, o BDSM não existe.
Quando tudo isso é dito, percebe-se a importância de distanciar o BDSM da monogamia, afinal, a monogamia impõe possessividade, hierarquia, obsessão, o homem cis acima de todo mundo e se é imposição, não há espaço para questionamentos e reflexões, o completo oposto do BDSM.
Hierarquias podem acontecer no BDSM? Sim. Relações D/s, relações de Dono e posse, relações de TPE, relações 24/7, entre outras, vão ter a hierarquia. Agora, o BDSM por si só não tem essa hierarquia, afinal, o BDSM não é só sobre D/s, é sobre bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo, ou seja, o D/s é uma parte dele.
Além disso, é muito importante entender que a existência de hierarquias não significa que você não pode questionar dentro da hierarquia, senão para de ser BDSM. Você sempre deve poder perguntar, conversar, acabar com a relação, impor novos limites, porque é o mínimo e se o top/bottom não admite isso, você deve sair disso o quanto antes.
Possessividade e obsessão não devem ser aceitos, se quer te tratar como uma posse sem limites, sem negociações, sem o mínimo, então acaba por aí. Se acha que você não pode ter outras pessoas, outros relacionamentos, apenas aquela hierarquia, apenas aquela relação, corra também e o quanto antes.
A linha entre BDSM e relacionamento abusivo é difícil de perceber no começo, mas quando você nota que a pessoa não liga mais para SSC/RACK/PRICK, nem mesmo se você é de maior ou não, então você entrou em um relacionamento abusivo e deve correr dele antes que seu psicológico seja destruído.
Hierarquias não são obrigatórias no BDSM. Top ser o único com poder não é obrigatório no BDSM. Homem cis ser o único com poder não é obrigatório no BDSM. É uma contracultura e deve ser aceita como tal.
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Relacionamento monogâmico não existe, mas ter um relacionamento só com uma pessoa, sim
De fato, existem pessoas que só se relacionam com uma por vez, mas não significa que seja um relacionamento monogâmico.
Monogamia é uma imposição do capitalismo e do patriarcado, pois há uma ideia de que só pode ter uma pessoa por vez e qualquer coisa fora disso, é um erro e deve acabar antes que a pessoa mude.
E isso não é sobre traição, nem sobre falta de confiança, é sobre entender que relacionamentos não possuem uma hierarquia e por isso, não se deve colocar um relacionamento acima do outro apenas por uma hierarquia que foi inventada pela monogamia, pelo capitalismo e pelo patriarcado.
Família não fica no topo, você não tem obrigação nenhuma de tratar sua família como sua prioridade. Você não tem a obrigação de cuidar dos seus pais quando estiverem debilitados só por você ser filho, porque nem todos os pais cuidam dos filhos de uma forma respeitosa. Há pais que são horríveis e mesmo assim querem exigir que seus filhos cuidem deles na velhice, mas os filhos não são obrigados a nada, afinal, os pais foram horríveis.
Casamento não fica embaixo da família, porque primeiro, o casamento em si pode ser uma das piores escolhas na sua vida, já que é preciso conviver com a pessoa antes de assinar os papéis e fazer a festa (se for do seu desejo), além disso, é dentro do casamento que é socialmente aceito a pessoa do sexo feminino trabalhar em casa, trabalhar fora de casa e ainda sorrir sempre, se vestir muito bem em todos os momentos e ser dócil.
Ainda que o casamento tenha mudado, continua sendo uma instituição que rege a sociedade, a ponto de pessoas serem pressionadas para casar depois de anos de namoro, a ponto de julgarem quem não quer o casamento mesmo namorando, a ponto de acharem que todo mundo vai casar um dia e claro, ainda se faz de tudo para que não haja um divórcio.
Namoro não fica embaixo do casamento, porque ninguém tem a obrigação de casar e claro, o casamento não é uma meta para todo mundo. Sem contar que tratar o namoro como algo pior por causa do casamento, apenas obriga pessoas a se casarem para evitar o julgamento social. Não importa se a pessoa namora 10 anos e não quer casar, o que importa é que o namoro não é uma versão menos prestigiada do casamento.
Amizade não fica embaixo do namoro, porque amigos não são menos importantes do que o namorado/marido (esposa), a verdade é que nós devemos sempre dar a devida importância para todo mundo que nos faz bem e que quer o nosso bem. É justamente por essa ideia de que amigos ficam embaixo de família, casamento e namoro, que deixamos de lado pessoas importantes da nossa vida e caímos em enrascadas que demoram para passar.
É claro que devemos dar a devida importância para um namorado ou marido (esposa), mas não significa que isso deva transformar sua vida em algo exclusivo de um namoro/casamento. Você não tem obrigação nenhuma de sempre sair com o namorado/marido (esposa), nem mesmo precisa parar de ter contatos com amizades que não são tóxicas/abusivas por uma insegurança do outro.
Dito tudo isso, por que não existem relacionamentos monogâmicos? Porque a monogamia é a imposição da sociedade em que vivemos, logo não é uma escolha ser monogâmico, é algo que te obrigam a ser em prol de se manter alinhado com um sistema.
Você pode escolher viver sua vida toda com a mesma pessoa ao seu lado, sem querer terminar, sem querer ter outros namoros, sem querer transar com outras pessoas e tudo mais, mas não significa que é algo monogâmico. Dizer que você é monogâmico, é dizer que você gosta de relacionamentos fechados, mas a monogamia é muito além disso.
Na monogamia há a necessidade de posse, em que é normal tratar o outro como uma posse que sempre será sua, e qualquer indício de que essa posse não será mais sua, você fica inseguro e faz de tudo para que isso nunca acabe. É nessa hora que você olha o celular do outro sem permissão, assim como pede para bloquear várias pessoas, e até mesmo não deixa a outra pessoa sair sem você mesmo para ir do outro lado da rua. Claro, como se não fosse o suficiente, na sua cabeça, a pessoa está te traindo e só você não sabe, pois a sua insegurança fala mais alto e a confiança se quebra.
Não é uma exceção, é a regra. Não para menos que há tantos posts sobre não deixar outra pessoa sentar no banco da frente do carro, achar horrível o namorado/marido (esposa) sair sozinho, tem quem ache absurdo até olhar para alguém na rua.
Quando você fala que é monogâmico, você fala como se tivesse escolhido ser monogâmico, mas não escolheu. O que você escolheu foi ter uma única pessoa e só, não teve a escolha do sistema de relacionamento.
Por isso mesmo a não monogamia é uma escolha e ela visa entender que as pessoas não são posses, não fazem parte de uma hierarquia e tudo mais, mas a não monogamia não abdica do ciúme, porque é um sentimento humano e não um defeito daqueles que se dizem monogâmicos por escolha.
Seja feliz com a pessoa com quem você consentiu namorar/casar, mas não ache que escolheu fazer parte de um sistema que visa o lucro, que diminui qualquer pessoa que não seja homem cis e que finge ser uma escolha.
O amor é lindo e deve ser cultivado.
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BDSM não tem menor de idade
Quando éramos de menor, já sentíamos algo diferente, nem todas as dores eram ruins, nem sempre achávamos ruim dar ordens ou receber ordens, tinha até momentos em que o ato de ficar preso era gostoso.
Só que isso não é BDSM, afinal, menores de idade não praticam BDSM, pois mesmo que sintam esses desejos, eles não entendem que BDSM é sobre responsabilidade, sobre afeto, sobre respeito, sobre diálogo, sobre consentimento e sobre manter todo mundo seguro na medida do possível.
Menores de idade podem entender que responsabilidades existem, que devem respeitar o outro, que conversar é importante, mas ainda é uma fase de descobertas e é importante não adiantar esse crescimento em troca de um possível prazer.
"Mas e adultos que não consentem?" É uma pergunta bem complicada, porque o que seria não consentir? Seria não ser oralizado? Seria ter momentos de mutismo seletivo? Seria um desenvolvimento diferente da mentalidade por conta de uma deficiência? Seria um adulto que bebeu demais e ficou vulnerável? São muitas camadas que precisam de atenção.
Adultos que não são oralizados podem consentir, porque não significa que eles sejam vulneráveis, só significa que eles não falam igual nós. Inclusive, seria falar que surdos não oralizados são vulneráveis por causa disso, logo, é preciso entender que oralizado não equivale a poder consentir.
Ter momentos de mutismo seletivo também não é motivo para considerar alguém como vulnerável, porque a pessoa apenas não consegue oralizar em determinados momentos, e ela tem plena consciência dos atos que faz e que recebe.
Já um desenvolvimento diferente por causa de uma deficiência é mais complicado, afinal, a pessoa pode continuar entendendo e consentindo, mas há quem não possa. A não ser que haja o entendimento de que ela pode consentir, então ela pode praticar, mas se for comprovado que ela é vulnerável, então não.
Por fim, beber demais e ficar vulnerável é um grande empecilho, porque ela não vai saber os próprios limites e a não ser que seja combinado, não é bom continuar. Esperar esse estado passar é o ideal.
E adolescentes podem consentir entre eles, mas um adulto que já tem o entendimento sobre isso e diz que pratica BDSM com um adolescente, aí não é certo. O adulto sabe que é errado, ele faz mesmo assim e finge que não é um problema, logo devemos nos distanciar dessa pessoa e pronto.
Adolescentes não praticam BDSM entre si e não praticam com adultos e aí não importa se querem fazer ou não, se gostam daquilo ou não, se já entendem sobre seus fetiches e kinks, porque não tem tudo que precisa.
BDSM envolve muito mais do que só amarrar, dominar, ser submisso, gostar de dor e gostar de causar dor. Quando os jogos envolvem a mente, é preciso ter um aftercare muito mais valorizado e deixar qualquer pessoa em um estado ruim depois da sessão, mas fingir que nada aconteceu e ir embora, é um péssimo sinal.
Além disso, há práticas mais complexas, como uso de fogo, uso de facas, uso de chicotes com metal, 24/7, CNC etc, então fingir que não existe um estado mental e físico que pode afetar as duas partes, é pedir para ter problemas que muitas vezes adultos cometem, quanto mais adolescentes.
Mesmo assim, não acho que adolescentes devam ser privados de tudo, eles podem e devem pesquisar se for do interesse deles, não por causa de um adulto que diz praticar BDSM com menores de idade e nem por acharem que praticarão BDSM ainda de menor.
Estudar desde antes impede que erros aconteçam na vida adulta, então, estudem e muito. Mesmo você, adulto, estude e muito, e entenda que mesmo sendo adulto, você não deve deixar ninguém ultrapassar seus limites, sempre faça tudo no SSC, PRICK ou RACK, ok?
E você, adolescente, estude e espere o momento certo. Não precisa ir com tudo por causa de um impulso, não vale a pena, e isso vindo de uma adulta que "praticava BDSM" aos 16.
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Sexo não é ruim
A gente vê uma onda de pessoas tratando sexo como algo ruim, como se transar fosse acabar com a sua vida, mas não é bem assim.
Primeiro de tudo: por que seria ruim? Há uma ideia de que a pureza é a correta e se você não for puro, então fez tudo errado, logo, sexo casual é ruim e você só deve transar se for em um namoro ou casamento.
Não só, como existe a ideia de ficante, um rótulo que existe naqueles que se dizem monogâmicos, no qual se não estiver em um namoro ou casamento e quiser algo sexual, deve aproveitar com o ficante e tão somente com ele. Quando se tem mais de um ficante, já é visto como ruim e que deve podar para impedir que transe com várias pessoas diferentes.
O único problema de transar com mais de uma pessoa é não usar camisinha, só. Se você preza pela sua segurança, use camisinha, faça testes de ISTs, tome as vacinas, e para uma segurança maior contra gravidez, use algum método hormonal ou não.
Está se cuidando? Então vai fundo e aproveita, afinal, você não é uma pessoa ruim, não deixa ISTs passarem ou não se preocupa se pegou alguma ISTs por ter remédios hoje em dia.
Se não é um problema, como acabar com a culpa que nos criam desde sempre?
Lembre-se que seu prazer importa mais do que sentir uma culpa involuntária, se você gozou, se você aproveitou muito bem, se você se divertiu, então não tem motivo nenhum para se culpar, combinado?
Sempre conheça a pessoa antes de transar, porque não tem nada pior do que alguém bom de cama e ruim de personalidade, então pesquise sobre a pessoa, pergunte para amigos, mande prints para os mesmos amigos no caso de uma suspeita e aí sim se divirta.
E nudes?
Manda em visualização única se não conhece a personalidade da pessoa e se a pessoa te obrigar a mandar sem visualização única: corra, é um erro.
Saiba como tirar a foto, porque mandar um pau mole ou uma foto em um ambiente muito escuro e sem definição, vai transformar seu nude em uma coisa horrorosa.
Não manda nudes se for de menor, não importa se tiver 17, não manda. Você deve esperar até seus 18 anos e aí sim, troca nudes, aproveita a vida.
Como eu descubro se a pessoa presta?
Pergunta pra ela sobre seu fetiche mais esquisito, se ela desistir de você, pronto. Se ela te obrigar a mandar nude sem visualização única, corra. Se ela não quer usar preservativo, corra. Se ela zomba dos kinks e fetiches alheios, corra. Se ela acha que só mulher pode ser submissa e só homem pode ser dominador, corra. Se ela acha que age play é pedofilia, corra. E sempre pergunte se ela tem um relacionamento fechado, porque você não quer virar amante de uma pessoa desonesta.
É também de suma importância procurar o nome na internet, mandar print do perfil para amigos, ver até que ponto ela chega com você e como ela reage em relação a menores de idade. Se ela acha normal ficar com quem tem 17 e ela já tem mais de 20 anos, é um sinal muito vermelho e você deve bloquear e avisar outras pessoas sobre essa desquerida.
Mas e no BDSM?
Pergunta sempre sobre a palavra de segurança, sobre até que ponto uma relação D/s pode chegar, sobre até que ponto um top/bottom pode ir, sobre estudar BDSM, sobre age play, sobre limites no sadomaso.
Além disso, sempre deixe bem conversado sobre seus limites e a pessoa deve aceitar seus limites, se a pessoa ficar te convencendo de que compensa ultrapassar, então tire print e bloqueie.
De qualquer forma, sendo BDSM ou baunilha, não sinta culpa nenhuma por transar com alguém com quem não namora ou não é casada (em relacionamentos fechados). Sua vida sexual nunca deve ser pautada em uma culpa que nunca deveria existir quando os cuidados básicos acontecem e você sabe bem que tá tudo certo.
Se diverte, transa gostoso e sinta prazer como você merece.
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Talvez gênero seja inventado, talvez não, não sabemos
De fato, as palavras que nós usamos para falar sobre gênero são inventadas, porque todas as palavras foram inventadas em algum momento, mas e o gênero em si? Será que temos alguma resposta sobre isso ou ainda não?
Não temos, porque a mente humana é complexa e não temos como responder essa pergunta. Sabemos que sexo existe e é determinado desde que nascemos, sendo ainda mais visível na puberdade, quando temos a menstruação, o aumento das mamas, o aumento dos pelos, ou a mudança de voz, e claro, nossos hormônios virando um caos.
Poderíamos falar que sexo só é determinado pelas características da puberdade, mas será? Já sabemos que é comum denominarmos macho/fêmea por conta do genital, mas nem isso é igual para todo mundo, então não temos como ter 100% de certeza.
E aí usamos "pessoa com pênis", "pessoa com vagina", "pessoa com testículos", "pessoa com útero", "pessoa com ovários", mas reclamam que estamos sendo ruins com mulheres, já que só as mulheres cis seriam as pessoas com vagina, útero e ovários.
Só que existem problemas em chamar isso de mulher, porque bebês, crianças e adolescentes também vão ter vagina, útero, ovários, mas não deveriam ser chamadas de mulheres, porque isso as transformam em adultas e elas não são adultas.
Tá, mas e o gênero? Afinal, o post é sobre isso e não sobre sexo, já que são duas coisas diferentes.
Já na infância algumas pessoas percebem que são de um gênero, ou talvez de nenhum, tanto que por isso é tão importante a gente falar sobre crianças trans. De fato, nós somos levados a entender que precisamos ter o gênero relacionado ao nosso genital, e isso desde sempre, seja por meio do entendimento que meninas menstruam e meninos não, que meninos tem algo que as meninas não têm.
As meninas menstruam, ficam com mamas maiores, não têm tantos pelos, não vão engrossar a voz, e os meninos não menstruam, não ficam com as mamas maiores, têm muitos pelos, vão engrossar a voz, vão ter muitas espinhas/cravos.
E é por isso que gênero não dá pra ficar apenas na parte biológica, já que temos os estereótipos, como meninas usando rosa e vestido, enquanto meninos usam azul e calça, e toda uma criação social para se diferenciar meninas e meninos.
Mas não existem só meninas e meninos, existem pessoas que não se identificam como mulheres ou homens. Há outros gêneros fora do homem e mulher, desde gêneros que são de culturas específicas como travesti que é um gênero feminino latino, quanto gêneros que não são de culturas específicas como gênero fluido.
Até poderia entender que as pessoas só existem fora do gênero binário quando os corpos delas saem desse estereótipo, como genitais diferentes, corpos do sexo feminino com muito mais pelo do que o visto como normal, corpos do sexo masculino quase sem pelos etc. Só que há pessoas não binárias que caem em estereótipos, como pessoa do sexo feminino que quase não tem pelos que ama usar vestidos e adora a cor rosa, assim como pessoa do sexo masculino que tem muito pelo e ama usar azul e calças.
Só que se a sociedade não ensina que é normal, se ninguém fala sobre isso desde a infância, como que a pessoa descobre isso? Isso sempre esteve na cabeça da pessoa? Como os gêneros funcionam na espécie humana?
Ainda não temos uma resposta concreta, talvez nem tenhamos, porque nem tudo vai ter resposta. E tá tudo bem, a ciência não vai explicar tudo, nem dá tempo de explicar tudo de tanta coisa que acontece ou aconteceu.
Significa que é invenção e por isso não é aceito? Não. Significa que é invenção e por isso devemos ampliar nossos horizontes, entendendo como cada pessoa funciona e como o gênero funciona na espécie humana e em sociedades que se pautam no sexo para manter hierarquias que já deveriam ter acabado.
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Família Addams e BDSM
Por mais que dê vontade de fingir que Família Addams não tem nenhuma relação com BDSM, a verdade é que mesmo não tendo nenhuma confirmação do autor, tem bastante coisa que a gente pode destrinchar.
Começando pelo casal maravilhoso da Mortiça com o Gomez, ele claramente tratando ela como uma deusa, fazendo de tudo por ela e ela claramente adorando isso e é possível perceber o quanto eles adoram algo mais kink na relação. O fato também dele adorar dor e ela saber disso e se aproveitar disso, de forma boa, já é outro sinal. E claro, ele amar receber ordens dela.
Se eles usassem internet, eu não duvidaria que o Gomez usaria letra maiúscula para se referir a Mortiça: "Ela é a mulher da minha vida, eu sou todo Dela, não sei o que eu faria sem Ela", algo parecido. E claro, enalteceria ela todos os dias, assim como ele já faz fora da internet.
As roupas que eles usam, mesmo que sejam em um estilo gótico e tudo em preto e branco, também são bem populares no meio BDSM. É comum usar roupas pretas, saltos, couro, ou seja, roupas mais "pesadas" do que se usaria no dia a dia. Mas, claro, nem todo mundo dentro do meio só usa roupas pretas, há quem goste de roupa colorida e se sinta bem com isso.
Aliás, a casa deles ser toda preta, cheia de objetos que podem causar dor, o fato de ter personagens que mexem com facas (knife play), o fato de que é comum gostar da dor, o fato de que é comum aceitar ordens de mulheres (femdom), tudo isso deixa bem claro o quão BDSM essa família é.
Não só, como temos uma mão que é um personagem e que tem vida própria, mas é inegável que a Mãozinha poderia fazer outras coisas, ainda que isso não seja mostrado por ser uma obra que não se propõe a ser explicita, só sugestiva em alguns momentos.
Há também a questão de ser claro os limites de cada um, não ultrapassando e quando percebem que algo pode dar errado, há uma pausa e uma conversa ou há uma tentativa e tudo acaba em felicidade no final.
A ideia de uma família que é fora do padrão e que gosta disso, sem ver motivo nenhum em mudar, pode ser também vista como uma subversão. Família Addams não seria a mesma coisa se fizessem parte de um padrão, não teria a graça, o amor, pois ainda que não seja sobre BDSM, é possível notar essa questão do amor no casamento, algo que até hoje é motivo de piada entre homens cis que vão casar (tenho algumas ressalvas ao casamento, mas não acho certo essas piadas).
Enfim, se souber inglês, recomendo também a leitura desse post
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Não sinta culpa, sinta prazer, se divirta
Quando pensamos em ver pornografia, em ouvir pornografia em áudio, em ler hentai, em ler livros explícitos, em jogar algo explicito, em mandar ou receber nudes, em praticar nossos kinks, nós sentimos culpa.
Por que culpa? Afinal, o que estamos fazendo de errado?
Estamos indo contra o sistema que nos obriga a ser puros, para que o sexo seja apenas para reprodução humana e só, nada de prazer, nada de testar kinks, só gravidez.
A culpa nunca deveria existir, porque se é entre adultos ou com adultos atuando, com segurança e consentimento, por que seria ruim?
O ruim só deve ser visto como tal, se, e tão somente se for ruim, se não seguir nenhum tipo de segurança, se não tiver consentimento, se envolver menores de idade, caso contrário, não é ruim.
Tentaram nos fazer acreditar que o certo é só quando seguimos a nossa função de gerar uma vida, de que qualquer coisa fora isso é um desvio e por isso deve ser impedido.
Ser contra a norma é entender o quão bom pode ser o sexo, pode ser aquele pornô, aquele livro, aquele hentai, aquele jogo, aquele áudio, aquele nude, aquele kink.
Não aceite que roubem a sua identidade, os seus desejos, o seu prazer, por causa de uma norma que só serve para colocar mais gente em um mundo que está horrível e precisa de mudanças antes de qualquer outra coisa.
Goze muito, sente muito, engole muito, molhe muito, marque muito, mande muito, grave muito, veja muito, leia muito, jogue muito, pratique muito.
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E se não forem 5, mas sim 3?
Dos 12 aos 13 anos passei por um trauma Aos 16 outro trauma com a mesma pessoa Aos 24 um trauma mais leve, mas ainda era um trauma
Com 19 parecia ser só depressão e ansiedade, mas com 21 parecia ser algo diferente, foi quando eu ouvi uma frase parecida com "quem ficar só na superfície vai achar que você tem depressão e ansiedade, mas você tem transtorno do estresse pós-traumático"
Com 22 veio o diagnóstico de autismo e de TDAH, então para mim, eram 5 diagnósticos: depressão, TAG, TDAH, TEPT e autismo.
Com 24 retomo algo que apareceu na minha mente e meu psicólogo fala que de fato, é TEPT com sintomas que são parecidos com depressão e TAG.
Agora, com 24 anos, penso: "afinal de contas, quem sou eu?"
Depois de 4 anos achando que era algo, mas era outra coisa, a cabeça fica confusa, a mente não entende o que está acontecendo e tentarei meu 5º remédio antidepressivo, dessa vez focado no TEPT.
As vezes, você não tem 5 diagnósticos, você tem 3, você tem 2 e é assim que a vida funciona. Diagnósticos podem mudar, porque coisas acontecem na sua mente e se não for algo imutável e curável, tem sempre a chance de mudar.
Enfim, espero que meu relato te ajude a entender como seu corpo funciona :3
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Método hormonal
Você coloca o DIU e falam que você vai engravidar com ele
Você coloca o Implanon e falam que você vai engordar com ele
Você usa o anel/adesivo e falam que não confiam nele
Você usa pílula e falam que faz mal pro corpo a longo prazo
Você usa a injeção e falam que vai acabar com seu corpo
Aí você para de usar pensando em uma laqueadura e falam que não é certo, porque o seu papel na vida é reproduzir
Aí você para de usar pensando em engravidar e falam que não é a hora
Aí você para de usar e engravida, por causa da pressão social de usar método hormonal, e te culpam.
O que você precisa saber? Nenhum método hormonal faz mal para todo mundo, isso não existe, porque se isso acontecesse, nenhum método hormonal seria vendido.
"Mas tem muito hormônio" Mentira. Tem menos de 1g de hormônio por mês.
"Mas a bula é enorme" Sim, mas é porque ela precisa te ensinar a usar e precisa ter os efeitos colaterais sem esquecer de nenhum.
"Mas os efeitos colaterais" Já leu os efeitos colaterais de todos os remédios que você já usou ou você fala isso só dos métodos hormonais? Todo remédio vai ter efeito colateral e tá tudo bem, o que não tá tudo bem é aceitar esse efeito colateral depois de 6 meses e no máximo até 1 ano de uso.
"Mas eu tive efeitos colaterais fortes" Mas aí é você, não é por isso que você pode falar bosta do método, senão, ninguém usaria método nenhum.
"Mas a camisinha" Sim, ela é importante, mas não significa que a pessoa precisa usar só ela.
"Mas nenhum é 100% eficaz" Existem formas 100% eficazes de transar e não engravidar: fazer anal, fazer oral, usar os dedos, usar brinquedos sexuais Além disso, se você não tiver útero e ovários também não engravida Por fim, não transar de jeito nenhum não engravida Qualquer coisa fora isso tem chance de engravidar, mas eu prefiro confiar em menos de 1% do que ficar a vida toda com pavor.
Já deu pra entender que isso é bobagem né? Use seu método hormonal, viva em paz e seja feliz com seu método. E claro, lembre-se:
DIU de cobre precisa ser trocado depois de 10 anos DIU Mirena precisa ser trocado depois de 8 anos DIU Kyleena precisa ser trocado depois de 5 anos Implanon precisa ser trocado depois de 3 anos
Pílula, adesivo, anel, injeção mensal e injeção trimestral podem ser usados até quando você quiser desde que seja antes do climatério.
Pílula do dia seguinte é um método de emergência, não use se você usa: DIU (qualquer um), Implanon, pílula, anel, adesivo, injeção mensal, injeção trimestral. E se você não usa nenhum deles, se a camisinha não sair durante o ato e/ou não estourar. Se precisar, é no máximo 3 por ano, mais do que isso perde a eficácia e ainda por cima vai ter muito hormônio no seu corpo.
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Medo de sexo
Não pode música com conteúdo sexual Não pode cena de sexo em filmes Não pode cena de sexo em séries Não pode cena de sexo em livros Não pode falar sobre sexo Não pode trabalhar com sexo Não pode fazer sexo casual Não pode pornografia Não pode BDSM erótico Não pode nudez Não pode tirar nudes Não pode gravar vídeos pornográficos Não pode sexo A verdade é que essa ideia de que sexo é algo ruim atrapalha a vida de todo mundo.
Devemos fazer sexo só pela reprodução, eles dizem. Só que e se a pessoa não quer se reproduzir? Ela não transa? Ela vive pra sempre em um celibato forçado? Claro que não, ela vai transar e vai morrer sem deixar nenhuma pessoa nova no mundo, porque ninguém tem a obrigação de ter filhos.
Se você não faz sexo, você é doente, eles dizem. Só que e se a pessoa tem repulsa? E se a pessoa não quer fazer sexo? E se a pessoa tem traumas envolvendo sexo?
É uma contradição, afinal, você deve viver no celibato forçado até querer se reproduzir, mas se você não quer fazer sexo por qualquer motivo que seja, aí você tem que transar, senão é doente.
Você pode e deve ter seu direito de escolher se quer ler algo com sexo ou não, se quer escrever algo com sexo ou não, se quer ouvir algo com sexo ou não, se quer falar sobre sexo ou não. O que você não deveria, é ter a obrigação da pureza por causa de uma sociedade que preza pelo puro.
Além disso, devemos sempre lembrar que sexo é bem diferente de estupro. Estupro é sobre o poder que o estuprador tem em cima da vítima e permite que ele faça algo sem o consentimento da vítima, e isso pode ser feito com pênis, vassoura, dedos, boca, brinquedos sexuais etc, tem várias formas de isso acontecer. Sexo é sobre um ato consentido e que envolve o prazer de pelo menos uma das partes (nem todo mundo que faz sexo vai sentir prazer com isso, mas pode sentir prazer em causar prazer).
Se um assassinato com uma pá em um jardim não é jardinagem, então estupro não é sexo.
É importante lembrar que adolescentes podem fazer sexo, ainda que o ideal seja entre adultos por questões de responsabilidade que adolescentes ainda não têm e vão desenvolver ao longo da vida. Mesmo assim, adolescentes não podem praticar BDSM, seja ele erótico ou não.
BDSM só pode ser feito entre adultos e com SSC, RACK ou PRICK, sempre com palavra de segurança e/ou gesto de segurança. Qualquer adulto que diz praticar BDSM com um menor de idade, é um baita de um sem noção.
E eu me pergunto: quem ganha com esse medo do sexo? Será que é a igreja? Será que é o capitalismo? Será que é o conservadorismo?
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Fofa, mas escritora de eróticos?!
Eu adoro coisas fofas e eu escrevo eróticos.
Tenho bolsa fofa, capinha fofa de celular, figurinhas no notebook, escrivaninha cheia de desenhos, cadernos com figurinhas, caderno de figurinha, mochila lilás com pelúcias e broches, várias figurinhas, várias washi tapes, livros fofos de colorir, vestidos fofos, tênis com desenhos fofos (feitos por mim), meias fofas.
Mas eu escrevo livros eróticos, ouço áudio pornôs, leio hentais, pratico e estudo BDSM.
Parece até uma contradição, mas não é. Tudo na vida é um equilíbrio e no meu caso, eu encontrei essa harmonia por meio da fofura e do erótico.
Até esse tumblr é mais fofo, mas ele ainda deixa claro que eu tenho muita coisa +18 e que eu preciso censurar muita coisa nas outras redes (por isso mesmo desisti de usá-las).
O erótico pode se unir com o fofo, desde que, claro, seja um adulto ou entre adultos.
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