yoursammil:
Revirou os olhos em resposta ao apelido nada carinhoso que havia recebido de Brooks nos últimos tempos. Claro, jamais esperou ser tratado como se fosse da nobreza ou algo assim, mas se ele lembrasse de seu nome de vez em quando seria bem agradável também. Ia começar a sonhar com a voz do outro rapaz lhe chamando de “idiota”, tamanho era o estrago que estavam causando na vida um do outro. Ao menos tinha comprovado algumas coisas nas últimas semanas: Brooks tinha um coração no fim das contas, mas era narcisista demais. Ele realmente se importava com Bloom, mas seu lado egoísta ainda falava muito alto. Esperava que com a chegada do bebê isso mudasse um pouco, mas não sabia o que esperar de alguém como ele. Puxou uma das cadeiras que ficavam a frente da mesa, do lado oposto de onde o futuro papai estava e sentou-se, imaginava que seria uma conversa longa. Sua sobrancelha se arqueou por alguns segundos, porque franzir o cenho entregaria demais o que se passava na sua cabeça naquele momento. “Buttercup”? A criança já iria nascer com um alvo na testa, sorte que sua família era rica o suficiente para afastar os possíveis futuros incômodos. “Então é uma menina.. Parabéns! Espero que ela e a Bloom estejam bem.” Sorriu curto, ainda pensando que precisava impedir aquilo, pelo bem da criança e da mãe. “Mas sabe, eu quero dizer uma coisinha, um detalhe.” Limpou a garganta, tentando se preparar para mais uma das mil discussões que viriam. “Você está fazendo a parte fácil. Esperando o tempo passar e imaginando como ela vai ser fisicamente. A Bloom está carregando a criança, toda manhã ela passa mal e tem que lidar com… Fatores externos. Acho que você devia chegar em um acordo com ela, Brooks. Ela tem dois pais, no fim das contas.” Antes que ele pudesse começar a falar, fez um sinal para que pudesse concluir sua fala. “Eu sei, você vai dizer que eu não tenho que opinar em nada porque eu só estou atrapalhando a sua vida, mas estou tentando ajudar vocês dois. Deixar a Bloom nervosa e triste não vai fazer bem para nenhuma das duas, então pense com cuidado. E por que “Buttercup”?”
Brooks revirou os olhos com as felicitações de Samuel, não pelas próprias congratulações, mas pela frase seguinte. “É óbvio que elas estão bem, você acha que se não estivessem, não seria a primeira coisa que eu falaria?” Brooks nem mesmo sabia o motivo de estar se dando o trabalho de gastar suas falas com uma questão tão óbvia, mas estar com Samuel já era sinônimo de perder sua sanidade e talvez até mudar alguns dos seus comportamentos. E então veio o pigarro do asiático, com aquele comportamento, foi o aviso que o outro faria suas palestras insuportáveis que não fazia sentido algum para o cérebro lógico e analista de Brooks, cruzou os braços junto ao peito e acenou com a cabeça para que o outro continuasse, mesmo que não adiantasse muito a sua permissão, pois sabia que mesmo se não fosse permitido ele iria continuar a falar sem parar. Vaughn ouviu a primeira parte da história com olhos vazios, sua única expressão era a contração de seus músculos faciais, estava pronto para rebater o debate do outro, afinal, ele ainda era um perfeito namorado, nunca tivera sido tão presente em seu relacionamento e era uma novidade até aceitável, mas o petulante garoto tivera sido mais rápido, o impedindo de defender o seu ponto de vista com todas as perguntas que tivera feito, agora falava mais perguntas que faziam com que Brooks apenas enrugasse os lábios, não compreendendo a lógica que o que insistia em compartilhar. “Eu ia dizer exatamente isso: você não deve opinar e só está me atrapalhando.” Resmungou mais uma vez revirando os olhos, mas soltou um pequeno suspiro antes de continuar. “Mas e se eu não concordar com o nome? Como ousaria passar o resto da minha existência chamando o bebê por outro nome que não seja um que eu gosto?” Perguntou com um vinco entre os olhos, obviamente não estava vendo nada de mais genuíno em sua própria dúvida, além de não poder descartar o bebê como qualquer outra coisa, afinal, sua genética ainda estaria expressa em todas as células da pequena criatura. “Tudo isso é pelo nome? Ela falou isso para você?” Perguntou, descruzando os braços e levando os dedos anelares e indicadores às têmporas, massageando aquela região por meros segundos. “O bebê vai ter um primeiro nome e será Blossom, Blossom Buttercup.” Falou por fim, andando lentamente até a enorme janela do escritório e abrindo a cortina, indicou com um movimento sutil de cabeça para que Samuel se aproximasse. Brooks ficou pensativo por alguns instantes, por que Buttercup? Bem, por que não? “São Ranunculus asiaticus, ok? São bonitos no jardim…” Ele apontou para as centenas flores que coloriam o jardim da mansão Vaughn, sua família era amante de coisas bonitas e artísticas, pinturas, esculturas, flores, o que fosse bonito e caro, era o suficiente para eles. “Ranunculus são Buttercups.” Deu de ombros, comentando sobre o nome alternativo de Buttercup, o real motivo era que o próprio Brooks encontrou para tal nome, apenas achava encantador a forma como aquele tipo de flor crescia no jardim de sua casa, seria o mesmo que dizer o quão encantadora - da maneira Vaughn - sua filha seria.













