Ăs vezes me pego pensando nos momentos nĂŁo tecidos que guardo comigo. Ăs vezes percebo o teu desapego, sempre amigo. Percebo como vocĂȘ Ă© indiferente quanto a nĂłs, jĂĄ que nĂŁo passo de alguĂ©m transeunte. DĂłi, dĂłi ver como me olha e censura por eu nĂŁo ser a mulher idealizada deste seu conto de fadas, que vocĂȘ finge viver. Fere a alma jĂĄ machucada, quando a amada nem dĂĄ as caras nos momentos de aflição. Sinto que fui designada pelo destino a dedo proclamada, eterna guardiĂŁ de memĂłrias nunca concretizadas. Eu vivo essas lendas esquecidas, empoeiradas e esconidas no Ăąmago da solidĂŁo. Eu vejo como olha outras e as deseja com devoção, fingindo que nĂŁo vĂȘ que por mais que as coloque em um altar elas estĂŁo bem distantes de ser tĂŁo puras quanto pensa. Eu tenho marcado na pele, a lembrança de cada pecado, elas tem marcado nos lĂĄbios a constĂąncia de cada contato com os coraçÔes que brincaram, esperando que o seu seja o prĂłximo alvo. Mas vocĂȘ jĂĄ Ă© um dos feridos e elas nem notaram.
Rolly Blue - Conto dos tolos










