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flashback.
- Que palavra eu devo usar para uma mãe que deixa sua filha e seu marido? - Revirou os olhos, a forma que a mesma banalizava o abandono era bizarra, mas era a cara de Bel, ela não tinha mudado com o tempo, ainda parecia a mesma jovem inconsequente da faculdade que não se responsabilizava de verdade por nada. - Sim, e tive que ser bem grandinho pra me virar, sustentar nossa filha e criá-la nesses anos, para estar lá quando ela estava doente, quando ela tinha eventos na escola de dia das mães, quando ela chorava perguntando por que ela não tinha uma mãe. - A mágoa era real, todos os momentos que passou tendo que lidar com aquilo não conseguiam simplesmente ser apagados.
- Eu fiquei sabendo, mas me recusei a acreditar que era você. - Quando seu amigo falou sobre uma Bel Walker que seria atriz principal de seu filme, tentou negar para si mesmo que era a esposa, mas não tinha como ser outra pessoa. Respirou fundo, sabia que toda irritação, gritar e qualquer coisa do tipo não ia resolver e eram adultos, precisavam resolver as coisas minimamente. Então quando a loira deu um passo em sua direção, Paul se manteve ereto de frente a ela e a olhando diretamente nos olhos. - Tudo bem, vamos conversar então.
“Que tal só dizer que eu tomei a decisão certa ao me afastar, ao invés de me forçar a uma vida doméstica e maternidade para qual não estava pronta ainda, muito provavelmente salvando você e Hope de uma vida infernal com uma mulher e uma mãe mal agradecida e insatisfeita?” Forçou um sorriso amarelo como se ele fosse ter o poder de apagar o clima chato entre os dois com um passe de mágica. Não acredita que esteja completamente certa no que disse mas, sendo completamente honesta, já tinha conseguido fazer muitas pessoas esquecerem o porquê da irritação com um dos seus sorrisos, embora provavelmente eles não surtirão efeito na tentativa de apagar os últimos cinco minutos de desconforto nem os sete anos de desaparecimento, seja do âmago de Paul ou do seu próprio.
A volta da fala dele lhe fez engolir em seco qualquer gracinha, sem no entanto conseguir desviar seus olhos dos dele. Estava ali toda a dor e todo o escárnio que Annabel merece enxergar; que merece sentir, rasgando sua pele. “Ela tem uma mãe,” sua voz saiu com remorso, mas firme. “Ela só... não estava nos eventos pelos últimos anos...” mordeu a língua antes de falar demais, ainda sem querer entrar de cabeça no assunto Hope.
Recusou a acreditar. Bel soprou o ar da boca como numa risada incrédula, dando outro passo na direção dele com mais segurança dessa vez. “Não tem mais como se recusar a acreditar agora, não é, Paul?” Apertou os braços que mantinha cruzados, sentindo toda a ofensa que aquilo havia lhe causado. Ele sabia e não quis acreditar. Como se existisse alguma outra Bel Walker tão famosa quanto ela? Please. “Eu não quero mais que você finja que eu não existo e eu quero voltar para a sua vida. De vocês dois.” A porta do elevador se abriu para o seu andar mas Bel esperou ele sair primeiro antes de acompanhá-lo.
thedirectorscutp·:
Só queria sair dali, o medo de Hope sair do apartamento para ir para aula ou qualquer coisa do tipo era grande. Então esperava o elevador um pouco nervoso e olhando para a porta do apartamento em alguns momentos. Ouvir a voz da mulher não ajudava, colocou a mão no rosto e respirou fundo. - Civilizada? Como a carta que você deixou quando abandonou sua filha e seu marido? - Não sabia o quanto o ressentimento tinha se mantido, não ter de lidar com isso por tantos anos adormeceu o sentimento, até vê-la novamente. Não conseguia controlar-se, mas era um efeito que a esposa conseguia ter sob ele, ela conseguia deixá-lo a flor da pele de suas emoções, pelo bem ou pelo mal.
A ignorou quanto a se irritar e entrou no elevador junto a ela, só querendo sair do prédio, não sabia exatamente se queria conversar de fato, tinha tantas perguntas a fazer: por que ela foi embora? como ela teve coragem? todo o amor que ela dizia sentir por ele e a filha era mentira? Mas ao mesmo tempo tinha medo de quais seriam as respostas. Viu a loira apertar o andar acima e ligou os pontos. - Você está morando aqui? - Soava incrédulo e arregalava os olhos surpreso. A encarava sem conseguir tirar o olhar dela, não conseguia pensar direito, ela realmente estava ali e parecia que não tinha passado nem um dia desde o último em que a viu, desde a última vez que a beijou.
“Será que podemos evitar a palavra abandonar? Hope ficou com você, sendo muito bem cuidada, eu presumo; e você já era bem grandinho para não morrer só porque eu fui embora.” A banalização do assunto saiu de propósito -- não por achar que realmente está certa, mas por não querer ter que lidar com aquilo. A cada segundo lhe fica mais claro o quanto não se preparou para aquele reencontro. Estava mesmo achando que seria fácil? “Melhor deixar uma carta do que sumir sem explicação.” Deu de ombros, sem procurar o olhar dele, sentindo uma vontade gigantesca de pegar o celular e ter com o que se distrair, para aonde fugir mesmo que só por um instante, mas não faria isso. Já está dando bolas fora demais.
Ao invés de se distrair com o aparelho, ficou batendo o pé no chão do elevador, até que a voz de Paul surgiu e fez seu rosto esquentar. “Eu estou filmando aqui na cidade e os produtores concordaram que eu ficaria mais confortável aqui do que num hotel qualquer.” Omitiu a parte em que eles concordaram com a sugestão dela de ir para o Lux, ao invés de ficar num hotel no Upper East Side. Arriscou tomar um só passo na sua direção, com as mãos entrelaçadas na frente do corpo. “Pensei que pudesse ser bom para nós dois. Podemos conversar, eu prometo ouvir tudo o que você quiser dizer, só... Eu só quero que a gente tente resolver... isso.”
bbztson·:
‘ é mas faz parte do meu charme chegar atrasado. optou por convidá-la para o café da gwen, ao menos ali podia descontar do salário ao invés de pagar. aproximou-se da mesa e inclinou o corpo para abraçá-la apertado antes de largar e sentar em sua frente. ‘ nem acredito. o que tá fazendo aqui?
Aceitou o abraço de bom gosto, embora rolasse os olhos com um sorriso de eu sei bem do seu charme. É uma situação deveras incomum, levando em consideração os círculos onde haviam se conhecido, e estarem agora num local tão... normal. “Dois motivos. O primeiro é que estou gravando um novo projeto...” ela se recostou na cadeira, quase deixando uma risada sair por seus lábios enquanto desviava o olhar por um segundo, vacilante. “Para tirar o outro motivo de mim, você teria que me oferecer algo bem mais forte que café.” Comentou em tom divertido, aproveitando a chegada da jovem de uniforme que anotou seu pedido e esperou o dele. “Mas e você..? O que tem feito de tão importante que te impediu de manter contato comigo?”
mcdline·:
“Pois é, o tempo está passando rápido demais e estou com medo porque daqui a pouco ela vai estar indo para a faculdade e não sei o que vou fazer, sabe? Ano que vem ela já começa na escola…” fez uma pequena careta apenas de pensar naquilo, não estava pronta para deixar a filha ir, nem sabia se um dia estaria. Madelaine havia deixado a vida de lado para cuidar da pequena e Molly era sua vida inteira. “Você poderia me ajudar a organizar?”
Annabel meneou a cabeça em negativa, com uma risada nasal. “Faculdade, Maddie?” Quem diria que a menina que conheceu tantos anos atrás teria um destino semelhante ao seu mas, ao contrário de si, foi um exemplo de bom ser humano e boa mãe. Bel engoliu em seco -- não é hora de começar o desfile de culpa -- voltando ao momento. Seu semblante inteiro brilhou diante do pedido da outra loira, com direito até a deixar seu coração aquecido. “Eu adoraria! Posso tentar mover alguns encontros de trabalho para combinarmos tudo para que a Molly tenha o melhor aniversário de todos.”

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A fase de reencontros continua mas, para sua sorte, o clima com @bbztson deve ser um bem mais leve do que os anteriores. Havia encontrado com ele pela Hylan e combinaram de tomar um café juntos. “Well, well, well, Batson,” saudou quando o viu se aproximar, sem levantar da cadeira onde sentava. “Você não sabe que não se deve deixar uma dama esperando?”
“Parece que foi ontem mesmo que eu estava no hospital dando a luz à Molly e ela já vai fazer 6 anos…” soltou um suspiro pesado enquanto olhava a filha, pensou que o tempo poderia passar um pouco mais devagar para ela, para que assim Maddie pudesse aproveitar sua filha um pouco mais enquanto ainda era uma criança, mas passava cada vez mais rápido. “Bom, queria fazer uma pequena festinha para ela, sabe? Uma coisa bem básica e sem muita coisa, só para não passar em branco. O que você acha?”
Os olhos grandes e melancólicos fitavam a garotinha, um sorriso quase invisível nos lábios pintados de rosa. “Seis anos...”, repetiu em tom divagante, pensando em si mesma, somando mais dois anos antes, no hospital para o nascimento de Hope. Seu peito aperta com a incapacidade de visualizar o rosto da própria filha agora, e por isso aumentou o sorriso e se voltou para a mãe da menina ali. “Eu acho que é uma excelente ideia. Crianças merecem ser celebradas e que data melhor para fazer isso do que o dia em que fazem mais um ano de idade?”
thedirectorscutp·:
Era difícil de acreditar que fato era ela, a pessoa que o abandonou, quem ele achou que nunca mais veria. Ela estava ali, em sua porta, há só alguns passos de distância de Hope. Quando a mesma se aproximou alguns passos, a atitude automática de Paul foi dar um passo pra trás, como se não quisesse que ela o tocasse. Ela puxar assunto como se nada tivesse acontecido era bizarro, a expressão de confusão do homem era mudada para de indignação e logo em seguida raiva. - O que você está fazendo aqui? - Não conseguia acreditar ainda, mas a raiva subia e sentia seu sangue ferver de certa forma e sua voz se alterava. - Que porra você tá fazendo aqui? - Perguntou de novo. Olhou pra trás para a porta de casa e percebeu que Gwen poderia ouvir, ou Hope, então caminhou em direção ao elevador. - Vamos sair daqui. - Bel não quis a filha, não ia ser agora que iria vê-la.
Em retrospecto, Annabel deveria ter previsto que seu tiro sairia pela culatra, logo, não sendo pega tão de surpresa assim quando a expressão de raiva pintou o rosto alheio e a enxurrada de repulsa lhe atingiu. É claro que esperava que isso fosse acontecer, eventualmente, levando em conta que brigas sempre foram o recheio do relacionamento conturbado que tinham, mas decerto não achou que fosse ser tão cedo assim. Seus lábios entreabriram para uma resposta, mas foi passada pelo vulto do ainda marido sem ter a oportunidade de se defender -- naquele momento.
Acatando o pedido dele, que certamente vinha do não querer que ninguém no apartamento os ouvisse, a loira voltou-se para o elevador e apertou o botão para subir, esperando a chegada do mesmo. “Você não precisa perder a cabeça só porque eu tentei ser civilizada, sabe?” Soltou em um tom baixo, contido, o queixo levantando mas os braços cruzados abaixo do peito. “Você se irrita muito fácil,” as portas do elevador se abriram e ela entrou, internamente agradecendo pelo timing pois no segundo em que as palavras deixaram os seus lábios, ela se deu conta de que deveria ter colocado mais lenha na fogueira. Apertou o número do seu andar, sem pensar.
thedirectorscutp·:
A semana estava sendo corrida, mas ter Gwen em sua casa estava o ajudando com Hope, assim como sua babá. Sentia por ter que ficar tão ausente nesse momento da vida da filha, mas com a finalização do casting do filme, assim como o inicio próximo das gravações tudo ficava muito louco e sabia que a filha já entendia isso, mas não conseguia se sentir menos culpado.Tomou café com ela e Gwen e então se levou para sair, mais um dia longo no estúdio e nos preparativos. - Hope, obedece a tia Gwen, tá bom? - Se agachou na altura da filha e sussurrou - Pode perturbá-la - Riu e brincou, abraçando-a e dando um beijo na testa de Gwen em seguida.
Caminhava para a porta de casa com o celular na mão, lendo suas mensagens e notificações. Vários jornalistas querendo saber furos sobre a adaptação, pessoas indicando possíveis atores, pessoas no twitter mencionando e pedindo mais informações, era mais um dia normal na rede social. Saiu do apartamento e fechou a porta ainda com a cabeça baixa, quando ouviu uma voz conhecida que o fez parar, ainda olhando para o telefone em direção ao chão, com seu coração acelerando as batidas e sua cabeça ecoando um “não, não, não”, não podia ser, tinha medo de levantar a cabeça e fazer ser real, mas precisava e assim o fez, levantou a cabeça vagarosamente olhando a mulher. Era ela, de fato era. - Bel? - disse com a voz falhando e seus olhos fixos nela.
O pouco de ar que ainda lhe restava sumiu por completo quando viu o homem atento em seu celular. Nem todo ensaio e preparação prévia poderia ter impedido do seu coração bater mais forte, ou impedir que suas mãos começassem a tremer. Ele parecia o mesmo -- um pouco mais velho, como se tivesse passado noites acordado cuidando da menina ou tentando ligar para o número já abandonado da esposa que deixou a casa no meio da noite, alguém que certamente viu muita preocupação nos últimos anos. Automaticamente se questionou se ele acharia que ela aparenta estar mais velha também. Se tem ficado sabendo de seus filmes. Se fala sobre ela para Hope. Provavelmente não. “Eu...”, disse, enfim, sem muita energia, a destra balançando no ar como num oi sem vida.
Atreveu-se a tomar um passo na direção dele, colocando uma mecha do cabelo loiro para trás da orelha. “Fiquei sabendo que vai dirigir um longa, isso-- uhm... Isso é incrível.” Sabe muito bem que deveria estar falando o que diabos está fazendo ali, como os encontrou e o que quer, mas não consegue. Ainda não. Suas mãos vacilam e o único motivo de não perder o controle da voz é por ter anos de treinamento nessa ventura. “Quem sabe você finalmente vira um nome comentando no país inteiro agora? Se alguém merece o reconhecimento, é você.”

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E daí que o apartamento tem janelas enormes e é bem ventilado, ainda consegue se sentir como se no ar mais rarefeito existente nesse planeta -- pois a pressão vem de dentro, do seu peito, dos seus pulmões, da falta de espaço até mesmo para ouvir os próprios pensamentos. Se há de continuar nesse bendito prédio (situação cada vez menos provável), teria pelo menos que aceitar ter feito o maior dick move que alguém pode fazer... e isso é dizer muita coisa, levando em conta o tanto de merda que já fez nessa vida. Chegou ao elevador com a cabeça girando e apertou o botão para o primeiro andar (ao invés do térreo), apenas com o celular no bolso e roupas simples, sem nunca pestanejar e considerar a possibilidade de existirem fotógrafos do lado de fora.
Não precisaria chegar nisso, porém, pois faltando apenas um andar para seu destino final, as portas se abriram. Primeiro viu as portas que davam para apartamentos e estranhou, sem saber o que lhe empurrou para fora da caixa metálica, só notando ter apertado o botão errado quando olhou para trás e viu onde estava. Poderia passar por cima disso, rir da sua falta de concentração, não fosse por quem apareceu na porta que se abriu. Seu queixo caiu e imediatamente desejou por um buraco abaixo dos seus pés. Era ele. Tarde demais. É @thedirectorscutp bem na sua frente. “Paul?”
Luna estava tão desconcertada, que sequer percebeu que ainda vestia o seu pijama e pantufas quando partiu em direção a rua, sendo rapidamente molhada pela chuva forte. Parou o primeiro transeunte que avistou e perguntou com lágrimas em seus olhos. "Você viu um gato laranja passar por aqui?!"
Suas pernas eram atingidas por pequenas gotículas de água, mas Annabel não se preocupava com isso. Debaixo de um guarda-chuva, com seus cabelos loiros presos em um coque frouxe e o rosto com pouca maquiagem, ela se virou para a voz atrás de si, revelando o bichano em seu braço quase no mesmo instante em que a pergunta dela se findava. O gato estava num canto do prédio, tremendo, e resistiu a ser pegado no colo mas deve ter reconhecido que Bel é uma cat person. “Ele está meio abalado, mas não parece ter se ferido...” olhou para ele, que já se esticava na direção da outra mulher. Prova melhor que essa de que ela era a humana dele é desnecessária. A australiana riu. “Aceita uma carona para não terem que voltar na chuva?” Uma só olhada na figura alheia faria qualquer um perceber que ela não estava planejando aquela saída ao mundo, já que estava de pijama e pantufas e totalmente desprotegida contra a água.