Embora possuísse facilidade para aprender, não significava que realmente queria aprender. Diferente da irmã mais nova, o crescimento repleto de negligências e liberdade para quase sempre escolher o que fazia resultara no mais completo desinteresse pelos estudos por parte do híbrido que sempre estava mais focado em atividades agitadas que exigiam muito de sua energia. Assim sendo, encontrava-se agora no meio de um quase cochilo enquanto o professor explicava o restante da matéria, só despertando quando o sino tocou. Levantou de supetão e as orelhas de cão apareceram por causa do susto, precisou se virar para o lado contrário ao do quadro, murmurando um palavrão e se curvando para baixo para tentar voltar ao normal. Odiava aqueles momentos de descontrole. Por fim, juntou suas coisas e saiu por último da sala. Em dias comuns costumava esperar Eunbi do lado de fora do colégio para que fossem para algum outro lugar se divertirem juntos, mas como dessa vez a menor havia dito ter algum outro compromisso relacionado ao seu coven, preferiu não interferir e arrumar alguma outra coisa para fazer, sendo mais do que óbvia a escolha de ir no apartamento do melhor amigo.
Sabia o caminho de cor pela quantidade de vezes que já havia o pego, tantas que, no final das contas, já tinha acesso livre à residência pela senha que havia sido entregue pelo próprio dono, e isso em parte o fazia se sentir culpado por mentir por tanto tempo. Junsan não sabia a verdade, e sua obsessão por aliens, que na maioria das vezes era cômica para o mais novo, em outras parecia um pouco triste simplesmente porque era uma grande ilusão, e Eunsu não gostava de alimentar ilusões. Por outro lado, havia sido ensinado tanto pelo pai quanto pela mãe que envolver humanos no mundo sobrenatural só os traria problemas o que talvez, apenas talvez, diminuísse o peso de sua omissão, embora no fundo não acreditasse nisso. O que era errado era errado, sem justificativas. Eunsu estava errado. Um erro para o bem? Podia até ser, mas ainda era um erro. Reprimiu os lábios e soltou um suspiro pesado, pensar a respeito disso não o levaria a lugar algum, então permitiu-se ignorar tais reflexões e se focar em acordar o mais velho, que parecia estar em um sono pesado. A linha entre menino bonzinho e pirralho brincalhão sempre era cruzada quando estava naquele tipo de situação, principalmente se tratando de Junsan; e isso era claro pela forma como se sentia mal o enganando, mas agora, dentro do quarto o observando dormir, simplesmente havia resolvido aprontar alguma coisa.
— AHHHH!!! ALIENS! HYUNG, ACORDA! — Tratou de fazer o máximo de barulho possível, ansiando por uma reação que já imaginava que seria cômica.
Existiam dias na vida de Junsan, que depois de chegar em casa do trabalho, o rapaz simplesmente não conseguia pegar no sono. Aquele era um dia daqueles, onde sua insônia o atacava e o deixava maluco, revirando na cama. Chegou a um ponto tão extremo que ele até pensou em descer até uma farmácia para comprar algo que o fizesse dormir até o seu próximo turno. Entretanto, o medo de não acordar a tempo de chegar cedo no trabalho o impediu de tomar tal atitude. Em vez disso o rapaz, resolveu colocar um de seus desenhos preferidos, Hora da Aventura. Das duas uma; ele logo ficaria cansado e pegaria no sono, ou iria se divertir até que chegasse a hora de trabalhar. E não é que o plano deu certo? Poucos episódios depois e Jun já estava roncando, com o celular jogado no rosto.
Ultimamente, seus problemas para dormir eram tantos que nem mesmo os tão comuns e mirabolantes sonhos que ele tinha escapavam de sua mente; tudo ficava negro e vazio, até que ele tivesse de acordar novamente. Se não era assim, eles eram povoados pelas imagens do que acontecera no luau da praia há muito tempo, o que era totalmente desagradável. O barman tinha ficado muito mal com a tragédia da festa, apesar de nunca ter conhecido ou falado com a pessoa. Era uma tragédia ver alguém morrer daquela forma e só de imaginar que um ser humano tivera a capacidade de fazer isso com um semelhante, o rapaz ficava mal. Por sorte, nenhum pensamento como aqueles passou pela sua cabeça enquanto ele estava no mundo de Morfeu.
Na verdade, ele até começou a sonhar algo relacionados à gatos falantes, alienígenas e BMO, um de seus personagens preferidos do desenho que estava assistindo mais cedo. Entretanto, seu sonho fora interrompido por um dos chamados mais horripilantes e empolgantes dos últimos tempos; a invasão de aliens tinha começado mais cedo do que ele esperava. Um grito escapou pelos seus lábios em meio à agitação, enquanto ele sentava-se na cama, acabando por derrubar o celular em seu colo. — MEU DEUS O QUE É QUE ESTÁ ACONTECENDO? ONDE? CADÊ? EU ESPEREI TANTO POR ESSE MOMENTO E… — Junsan olhava ao redor pelo quarto, completamente empolgado, passando as mãos pelos cabelos. Até que ele seus olhos encararam o autor daquele susto, fazendo com que o sorriso que tinha morresse.
— Eu não acredito que você fez isso comigo de novo, Eunsu. — falou num tom perigosamente calmo, cerrando os olhos, sentindo sua cabeça doer um pouco com o sono, os gritos e a repentina agitação. — Eu juro que se você não sair desse quarto agora eu vou te matar… — o rapaz estava com uma cara tão séria que era impossível alguém não acatar aquela ameaça.