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São dez da manhã quando Whitmore caminha sozinho pela Times Square. Procura pelo vendedor que lhe forneceu heroína na sexta-feira em uma tentativa de saber o que havia misturado na droga. O dia amanheceu cinza, apesar da temperatura ter aumentado o suficiente para fazer a neve derreter em uma mistura feia com a lama.
Nenhum dos beatniks havia se encontrado após deixarem o bunker na tarde de domingo. Alguns se preocupavam com quem era o assassino mais do que os outros, que apenas queriam seguir a vida longe dos demais. O final de semana foi o suficiente para constatar que a vida que levavam precisava de um rumo melhor, de perspectivas melhores. E talvez, para alguns, essa perspectiva não poderia abranger um grupo onde um assassinato havia sido cometido e todos eles fossem responsáveis por acobertar o crime.
Considerando o que iria fazer a partir daquele momento, Whitmore não imaginava que veria algum deles tão cedo. Achava que precisavam de tempo para refletir longes uns dos outros. Por isso a surpresa quando deu de cara com Keegan subindo a 42nd em direção à Grand Central Station. Carregava uma mala nos ombros, e assim que viu Whitmore, deu passos rápidos em direção à ele.
“Estive te procurando a manhã toda.” Keegan informa.
“É mesmo?” Whitmore junta as sobrancelhas. “O que quer?”
“Preciso que me faça um favor e guarde mais um segredo.” Keegan o encara com seriedade.
“Acho que já guardamos segredos demais, não acha?” Whitmore busca o maço de cigarros no bolso, acende um e entrega um à Keegan. “O que é?”
“Estou de partida para a California.” Ele enfia a mão no bolso, tira duas cartas de lá e empurra em direção ao peito de Whitmore. “Leia quando estiver sozinho, não mostre à ninguém. A outra, entregue para Donnelly.”
Whitmore segura as cartas, confuso. Vê seu nome em um dos envelopes, e o de Donnelly no outro.
“E você acha que fugir vai fazer alguma diferença?” Whitmore grita, vendo Keegan continuar sua jornada pela rua, apressado.
“Até um dia, Whitmore!” Keegan se vira o suficiente para acenar o chapéu, depois cruza a rua e desaparece entre a multidão que toma o mesmo destino até a estação.
Whitmore abandona o objetivo pelo qual deixou sua casa naquela manhã. Esquece momentaneamente da heroína. Seus passos tomam o rumo do San Remo mais uma vez, e quando se senta sozinho em uma das mesas, abre a carta de Keegan.
Lê e relê a carta tantas vezes que quase poderia ditar o conteúdo dela. Suor escorre por sua têmpora, e então se levanta. Ora para que Laura ainda esteja no bunker, e percorre o caminho até lá em poucos minutos. Depois de subir as escadas e parar em frente à porta, ele respira fundo. Não sabe se soa mais de nervoso, ou pela corrida. Dá uma batida na porta e a abre.
“Donnelly?” Ele chama.
A vê surgir do corredor, tão surpresa em vê-lo ali tão cedo como ele está por realmente pisar ali novamente.
Whitmore não diz nada, apenas entrega a carta endereçada a ela, coloca o chapéu, e deixa o apartamento.
15 de dezembro de 1944, bunker. Após a chegada de Whitmore e Schulte.
Não há uma fila de fato para receber o pico. Todos estão espalhados pelo apartamento, Whitmore e Schulte vão preparando tudo e distribuindo para os demais. Keegan é um dos primeiros a receber uma dose, ele se senta na sala, espera os efeitos iniciais passarem, espera que dure por mais de alguns minutos. Se frustra quando percebe que o efeito passa rápido demais, o corpo já está acostumado e ele precisa de doses mais altas.
O mundo fora de sua mente se apaga, ele vai até o quarto, busca sua própria droga e entra no armário de vassouras, onde espera não ser incomodado. Ouve as discussões entre Kraus e Clarke do lado de fora enquanto esquenta a heroína na colher, e quando a briga se acalma, ele vê pelas frestas Clarke e Goldstein passarem e seguirem até o banheiro. Keegan aplica mais uma dose, e se senta. Sabe que pode acabar tendo uma overdose ali dentro, mas não se importa muito.
Clarke e Goldstein passam de volta. Ele espera até que os dois sumam de vista, abre a porta e dá de cara com Lenz.
“Vocês precisam tomar cuidado com isso aí.” Lenz aponta para a bolsinha de aparatos de Keegan.
Os dois encostam na parede, começam a conversar. É a primeira vez que a conversa é sobre algo de fato, e não uma imensidão de nadas. Keegan sente que vê outro lado de Lenz naquele momento, há um resquício de atração surgindo, mas o estômago revira com a possibilidade de se envolver com mais um homem. Não tem tempo o suficiente de negar para si mesmo, pois Lenz o beija.
Ele corresponde. E o fato de corresponder faz o nó na boca do estômago crescer. Repentinamente, ele se lembra de onde está e de que não deveria estar beijando Julian Lenz no corredor de sua própria casa. No novo apartamento dele e de Donnelly. Keegan o empurra para longe, Lenz ri. Keegan tenta se desvencilhar, Lenz insiste, o segura pelo braço, tenta falar com a voz mais mansa, dizer que não vai contar à ninguém que os dois tiveram algo.
Os olhos de Keegan se cegam. Pensa em como não deveria estar fazendo aquilo. Era um erro, o pior erro que poderia cometer. Ter sentido atração por Lenz o enojava, e seu corpo queimava de raiva. Na noite do assassinato, ele perde as memórias e não se lembra do que fez a seguir. Sente que algo toma conta de seu corpo, e se lembra apenas de tentar fugir de Lenz.
Tomado por uma fúria que seria incapaz de explicar para qualquer outra pessoa, ele abre a porta do escritório para fugir de Lenz. Sente seu braço ser agarrado uma vez, e o puxa com força, o que aumenta ainda mais a sua ira. Vê O’Shea no sofá, e se lembra de todas as vezes que se permitiu ficar com ele. Erros e mais erros, e Lenz agora era parte deles. Olha em volta. Rosenthal está no sofá, olhos fechados. Goldstein está na poltrona, ele diz algo enrolado. Keegan sabe que ele não deve saber nem mesmo seu nome. Freeman está na janela, o olhar vidrado do lado de fora.
Ele enxerga a tesoura na mesa e a agarra. Volta para a porta, apaga a luz do escritório em um gesto automático. Lenz ainda insiste, acha que Keegan voltou pois aceitou a oferta. O que ele não espera é o golpe de tesoura em sua jugular. Keegan também não.
Ambos dão um passo para trás, se afastando um do outro. Keegan encosta na porta, os dois se encaram. Lenz leva a mão até a tesoura. Keegan volta a si, abre a porta do escritório em desespero com o que vê. Ainda não consegue compreender o que fez.
Lenz dá as costas para Keegan, que entra depressa no escritório e fecha a porta. Ele se senta, olha para as mãos, checa as roupas e os sapatos. Não há sangue.
Do outro lado da porta, Lenz puxa a tesoura do pescoço, fazendo sangue jorrar na parede. Ele não sabe, mas acaba de acelerar a sua morte. Lenz dá dois passos em direção à porta da cozinha, tenta chamar por Clarke, mas suas pernas não aguentam mais o peso do corpo e ele cai de joelhos. Solta a tesoura da mão, e cai em cima dela. Ainda tenta se arrastar, mas só consegue mover um dos braços, tentando chegar até a cozinha. Tenta chamar Clarke mais uma vez, mas sua voz não sai.
Enquanto Keegan inspeciona suas roupas e garante que não há sangue em nada, Lenz morre no corredor. Ele não se lembra de como tudo aconteceu até a manhã seguinte, quando estão no apartamento de Kraus e Cooper para decidir o que vão fazer. Ele acende um cigarro atrás do outro, pensando que deve voltar até o apartamento.
Quando O’Shea e Schulte se oferecem para verificar se a polícia está no prédio, ele decide ir atrás. Agradece internamente por Cooper ter os expulsado, e diz para Donnelly que tem um bico de dedetizador do outro lado da cidade, e segue os dois a alguns quarteirões de distância. Mas quando os dois voltam para o apartamento de Kraus e Cooper, Keegan segue de volta para casa.
O ar está abafado quando ele abre a porta, e o cheiro de sangue se espalha pelo apartamento. Antes de ver o que fez com Lenz, Keegan segue até a sala e abre a janela, deixando ar entrar.
A passos lentos, ele segue até o corredor.
Lenz está lá, do mesmo jeito que o encontraram mais cedo. Ele se lembrava da tesoura, mas não conseguia a encontrar. Andou pelo corredor com cuidado para não pisar no sangue, e quando voltava do fim do corredor, entendeu que ela deveria estar embaixo do corpo.
Keegan parou ao lado do corpo, pensando em como mexer nele sem se sujar. A solução foi tirar as roupas, os sapatos e as meias. Moveu o corpo, tentando não pisar no sangue para o espalhar, e puxou a tesoura assim que conseguiu a ver. A segurou por um bom tempo, sem saber onde a colocar. Não tinha tempo suficiente para jogá-la fora, então optou por esconder atrás dos livros da prateleira mais alta no escritório. Não percebeu quando deixou uma gota de sangue cair na prateleira de baixo, ou a marca de dedos que deixou na porta do escritório ao passar por ela, sentindo as pernas bambearem ao ver novamente o corpo de Lenz no corredor.
Passou por ele novamente, e foi até o banheiro.
Esperava que o banho limpasse o sangue e todo o turbilhão de sentimentos. Não queria que soubessem que havia matado Lenz, pois o motivo levaria à confissões que ele não queria fazer. Nem naquele momento, ou em qualquer outro.
Assim que terminou, se vestiu e voltou para o apartamento de Kraus e Cooper, como tinham combinado.
Finalizamos o plot, galera!
Seis meses de beatgenhq e conseguimos completar o plot desses 15 desqueridos (16 com o Miles, 17 com Lenz). Aproveito esse epílogo pra agradecer todo mundo que chegou até aqui! A Lyra, que desde o começo vem me ajudando com tudo e que continuou aqui até o fim. Sem você, provavelmente não teria feito esse rp.
Aos queridos players Alex, Barbie, Kai, Kunie, Laudna, Lucy, Mabs, Mi, Mira, Nina, Nix, Nuvem e Rin. Obrigado por aceitarem jogar com os skeletons e darem personagens tão belos e tão bem desenvolvidos pra eles!
E claro, aos nossos alumnae que também toparam esse plotzinho lá no começo, mas que não puderam continuar mas estarão pra sempre em nossos corações: Ara, Nemo e Wen 🫶
Agradecimentos especiais à Mauve também pelos gráficos lindíssimos que ela fez pra gente.
É isso, galera, espero que vocês tenham se divertido tanto quanto eu, nos vemos no próximo plot!
Pego o diário de Clarke, culpado pela revelação retirada de algo que escrevi. Dou alguns passos para longe, me encosto na parede da sala. Estamos todos em silêncio, os carros começam a passar na rua do lado de fora, e a tensão continua a crescer. Portas do lado de fora se abrem, fecham. Continuamos em silêncio.
Whitmore: De que adianta saber quem foi, se já estamos todos envolvidos nisso?
Ele fecha os olhos, se encosta no sofá.
Donnelly e Cooper ainda estão no escritório, não consigo ouvir se estão conversando ou se também estão em silêncio. Ambos Keegan e O’Shea estão com expressões de culpa. Keegan anda de um lado para o outro, sem parar. O’Shea vai até a cozinha e coloca a mão debaixo da água.
Schulte: Já amanheceu. Talvez seja melhor cada um seguir o seu rumo.
Kraus: E deixar o responsável por tudo isso sair impune?
Rosenthal: Que impunidade há em viver com a culpa de ser o causador de toda essa bagunça?
Ficamos em silêncio.
Levesque: Ao menos descobrimos quem foi que começou isso tudo.
Cohen: Deveria falar logo.
Goodwin: Acham mesmo que alguém que permitiu a todos se encrencarem juntos vai abrir o bico agora?
Goodwin chacoalha a cabeça que não.
Freeman: Precisamos nos lembrar do que aconteceu durante a noite.
Carter: Já fizemos isso e não adiantou nada.
Carter bufou, se jogando no sofá.
Whitmore: O que nós temos até agora?
Repetem os detalhes da noite do assassinato. Ninguém se lembra de mais nada. Lenz foi encontrado no corredor, e é o que sabemos.
Clarke: Isso é inútil.
Goldstein: Creio que já está evidente a autoria deste crime.
Fala alto o suficiente para que todos no apartamento escutem.
OOC:
Data em IC: 17 de dezembro de 1944.
Horário: entre 9h e 12h.
Local: Bunker.
Instruções:
Muito bem, meus queridos, chegamos ao final. Não se esqueçam de suas respostas no formulário, pois seus personagens devem seguir o mesmo que vocês responderam.
Cooper e Donnelly, dessa vez, vão começar a thread, seguindo o que ficou na thread passada. Donnelly encontrou a mancha de sangue, e vai escolher se conta para Cooper e os demais do grupo. Depois delas, seguimos a ordem por sorteio.
O que pode acontecer aqui?
Os personagens acertam quem é o assassino.
Os personagens erram quem é o assassino.
Em ambas as opções, a pessoa que matou Lenz pode confessar ou negar o crime durante a thread. De qualquer forma, vocês vão finalizar esta noite sabendo quem foi que matou Julian Lenz.
No caso de vocês acertarem e receberem uma confissão, seguimos para o seguinte:
Os beats vão seguir acobertando esse crime, ou vão entregar essa pessoa para a polícia?
Possíveis dúvidas:
Meu personagem pode culpar alguém além da resposta no formulário?
Não. Ele pode estar em dúvidas, mas se eles chegarem a apontar alguém, precisa ser a pessoa que você votou.
Esqueci de votar, e agora?
Consideramos que você votou com a maioria.
Meu personagem pode sair do apartamento?
Pode. Agora eles podem ir embora e não voltar mais, ir embora, esfriar a cabeça e voltar depois, etc.. Depois dessa thread, consideramos que todos foram embora. O que eles farão depois disso fica a critério de vocês.
Não consegui participar da thread, e agora?
No chat de decisões importantes vamos conversar sobre o que o seu personagem faria e encaixar no que aconteceu na thread.
Percebo que a janela ainda está aberta quando sinto a brisa gelada e tremo de frio. Minhas calças estão molhadas até o joelho, a camisa suja de sangue, sabão e o que mais jogamos no chão de Donnelly e Keegan.
Levesque e Carter encaram a mancha na madeira, se entreolham. Sei que estão pensando no que Donnelly vai dizer quando perceber que arruinamos o piso. Levesque caminha praticamente na ponta dos pés até o hall de entrada, tentando não acordar Donnelly e Cooper, que dormem no sofá da sala. Ele volta trazendo um tapete e joga em cima da mancha.
Goldstein: Pelo menos não é mancha de sangue.
Carter: O banheiro também está limpo.
O’Shea: É claro, deixamos para vocês a parte mais fácil.
Os três o encaram, mas antes de receber uma resposta, O’Shea leva o dedo indicador até os lábios e faz shh, apontando para a sala. Ele sai de fininho, um sorriso ladino nos lábios, e o vejo ir até a sala de jantar, onde Keegan estava sentado sozinho. A cinzeira está cheia na frente dele, e dois maços de cigarro estão vazios em cima da mesa. Não consigo ouvir as palavras de O’Shea para ele, mas os dois conversam em sussurros.
Deixo Levesque e Carter resmungando sobre o atrevimento de O’Shea. Sem pedir aos donos do apartamento, eles vão até o quarto. Goldstein segue logo atrás.
Vou até a sala em silêncio. Rosenthal está sentado na poltrona. Um charuto está aceso em sua mão, queimado até a metade. Seus olhos estão vidrados na porta do banheiro aberta. Sei que está assombrado. Quem de nós não está?
Fairfax: Talvez devessemos descansar.
Sugiro, baixinho.
Rosenthal: Fairfax, me espanta que Cooper e Donnelly sejam capazes de pregar os olhos nesta situação. Não sei dizer se serei capaz de dormir pelos próximos dias.
Ele leva o charuto até os lábios, mas seu olhar não se move.
No silêncio, ouço o tic tac do relógio. Já deve ter amanhecido, mas a escuridão de dezembro não nos permite notar. Caminho até a janela e a fecho. Volto a me sentar. Não ouso dizer quanto tempo se passou até ouvirmos passos e vozes do lado de fora. Me levanto depressa, Rosenthal faz o mesmo. Cooper e Donnelly levantam em um pulo, como se não estivessem em sono profundo a um segundo.
Vejo O’Shea e Keegan se levantarem também, encarando a porta de entrada. Levesque, Carter e Goldstein voltam para a sala, vestindo roupas de Donnelly e Keegan. Ainda levam sangue seco nas unhas, as pontas do cabelo de Carter formam pequenos gruminhos de sangue seco e a místura de produtos de limpeza. Há uma mancha na bochecha de Levesque.
Estamos todos encarando a porta.
Clarke, Freeman, Goodwin e Kraus entram. Expressões pesadas como as dos demais.
Goodwin: Está feito.
Ficamos todos em silêncio.
Não questionamos se foram vistos. Onde ele foi descartado. Se houve algum problema. Nada.
Freeman: Onde estão os outros?
Rosenthal: Schulte e Whitmore estão no terraço.
Kraus: Vou buscá-los.
Não há respostas. A vemos sair do apartamento. Freeman fecha a porta.
Nos sentamos. Os três voltam, tomam seus lugares.
Goldstein: O corpo vai afundar hoje, mas não vai demorar até começar a boiar.
Levesque: Nos demos o trabalho de destruir qualquer evidência de quem ele é.
Keegan: Mas ainda tem a Barbara.
Cooper: E o que ela sabe? Que ele esteve aqui em uma noite dessas? Isso não é nenhuma surpresa.
Whitmore: Não podemos nos apegar à sorte. Se descobrirem que é Lenz, precisamos ter uma história decidida. O que foi que ela disse?
Rosenthal: Que ele ligou e a convidou para a festa.
Schulte: E o que foi dito à ela?
Levesque: Que ele saiu durante a noite.
Whitmore: Certo. Lenz chegou mais tarde, ficou pouco tempo. Ligou para ela, mas Clarke e ele tiveram uma de suas brigas e Lenz foi embora.
Clarke: Quer que a polícia me veja como suspeito? Uma briga e ele aparece morto no Hudson!
Kraus: Vocês estavam sempre brigando. Como Cooper disse, isso não é nenhuma surpresa.
O’Shea: E se alguém abrir a boca?
Goodwin: Ninguém vai abrir a boca.
Donnelly: Alguém precisa se responsabilizar por essa bagunça! Está claro que não vamos entregar ninguém. Está na hora do culpado nos dizer o que fez.
Silêncio.
Nos entreolhamos.
Alguns olhares recaem sobre Clarke, e ele revira os olhos.
Conto quatorze deles. Ouço alguém dizer que deveriamos nos entregar se a polícia chegar à identidade de Lenz, talvez a pena seja reduzida. Isso é suficiente para causar uma discussão. Procuro o rosto que não está na multidão.
Vou até a cozinha. Sala de estar. Banheiro. Vejo a destruição deixada por Clarke no quarto. Volto à sala. Abro a porta lateral do escritório.
Cohen está em pé em frente à uma das estantes. Cheia de livros de diversas linguagens, Donnelly encheu aquele lugar com todo o tipo de inspiração que pudesse trazer para fazer com que Keegan escrevesse.
Fairfax: O que está fazendo?
Cohen se vira. Dá um passo para o lado. Eu me aproximo. Na beirada da estante, uma gota de sangue seco. Não digo nada, e Cohen começa a puxar os livros. Não encontramos nada.
Fairfax: Talvez alguém tenha se sujado e trouxe sangue pra cá.
Mas Cohen aponta para a prateleira de cima. Puxamos a escada de dois degraus. Cohen sobe, me entrega dois livros e para. Noto que estão manchados de sangue.
Fairfax: Sangue. Nos livros.
Cohen não me responde. Apenas me entrega uma tesoura, igualmente suja de sangue. Seco.
OOC:
Data em IC: 17 de dezembro de 1944.
Horário: entre 6h e 9h.
Local: Bunker.
Instruções:
Fairfax e Cohen estão no escritório. A porta que dá acesso à sala está fechada, apenas a porta lateral (de frente para a porta do banheiro/corredor) está aberta. Os demais estão discutindo na sala de estar.
Vocês podem decidir quem sugeriu que eles se entreguem. Pode ser uma decisão em OC, ou o player pode adicionar isso no turno. Não tem problema se alguém repetir, mais de uma pessoa pode ter falado isso. Vocês também podem escolher o que seus personagens preferem:
Montar uma história de álibi;
Insistir para que o assassino confesse;
Decidir que não importa quem matou Lenz;
Que é melhor esquecer tudo o que aconteceu e seguir em frente;
Ou o que vocês acharem melhor!
Como avisado, Cohen foi sorteada para encontrar a tesoura. Ela pode decidir se leva isso para o grupo, ou se ela e Fairfax vão manter segredo. Por qual motivo? Eles decidem. O que Cohen estava fazendo sozinha no escritório esse tempo todo? ¯\_(ツ)_/¯
Esta é a tesoura (sem ferrugem, em estado novo):
E aqui tem uma demonstração visual de sangue seco manchando metal.
Possíveis dúvidas:
Meu personagem pode ter seguido Fairfax?
Pode. Tentem manter o máximo de imersão. Fairfax é praticamente invisível para eles, então deve haver um motivo para o seu personagem ter notado e ido atrás dele.
Meu personagem pode culpar alguém?
Sim. Mas lembrem-se de que desconfianças em IC precisam ter uma justificativa. Em OC pode ser apenas vibes, em IC não.
Meu personagem pode sair do apartamento?
Recomendo que não saia, mas se sair, que volte logo. O próximo plotdrop é continuação direta deste.
Não consegui participar da thread, e agora?
No chat de decisões importantes vamos conversar sobre o que o seu personagem faria e encaixar no que aconteceu na thread.
Sad, am I
Glad, am I
For today, I'm dreamin' of yesterdays
As portas do Café Society se abrem naquele sabado, 11 de novembro de 1944, e a multidão que já esperava na porta se dirige ao subsolo do 1-2 Sheridan Square. Prometendo ser the wrong place for the Right people, a casa noturna traz glamour e grandes nomes da música para o coração do Village. Criado para os progressistas, liberais, políticos e comunistas, o Café Society se ergue como uma opção para quem procura liberdade e sofisticação.
Enquanto o San Remo preza pela calmaria, o Café Society traz a agitação de um clube noturno quase de luxo. E é aqui, ao o som de Billie Holiday, que Cooper escolhe comemorar seu aniversário de 25 anos.
Os convites foram entregues para todos na quinta-feira, inclusive para os novatos Rosenthal, Cohen e Fairfax, com instruções simples: um encontro para celebrar o aniversário de Cooper no dia 11 de novembro, sábado.
Cooper está entre a multidão quando as portas se abrem, desce depressa e reserva a grande mesa para os quinze beatniks. Não se contém e conta ao garçom que é seu aniversário, e ganha uma rodada grátis para a mesa quando todos se acomodarem.
Ainda no piso superior, ao lado de fora do Café Society, encostado na porta da quitanda ao lado, Clarke segura Fairfax pelos ombros. Fairfax leva o convite entre as páginas do caderno, feliz por ter sido lembrado. Já Cohen ainda acredita que houve um engano, que o convite deveria ser para outra pessoa. Enquanto descem as escadas, Cohen ainda parece intimidada com o lugar, com todas as pessoas, com o grupo.
Clarke passa pela multidão com tranquilidade, passa a sensação aos outros dois de que conhece todos no ambiente. Não poderia estar mais longe da realidade. Ele agarra os outros dois pelos ombros.
“Relaxem, amigos.” Ele sorri, presunçoso. “Prestem atenção,” para repentinamente na frente dos dois, “Whitmore, Cooper, O’Shea, Goldstein e Donnelly são mais ricos que Deus,” começa a andar a passos, olhando ao redor, “são eles que pagam a conta. Freeman e Schulte dariam uma surra em um engraçadinho se vocês pedirem com jeito.” Pisca para os dois, e então continua a caminhar. “Levesque vai falar do mar, mas ele é divertido às vezes. Keegan, bem…” Pensa por uns segundos e dá de ombros. “Parece que foi preso algumas vezes, sabe-se lá por quê. Goodwin toca, achei até que poderia tocar aqui. Mas acho que é só gente com nome. Esqueçam Kraus, ninguém a suporta.” Revira os olhos. “Rosenthal é bonito, mas fala demais. E a Carter, ela…”
Clarke para repentinamente, encarando um ponto fixo. Fairfax e Cohen erguem o pescoço para descobrir.
No centro de um grande grupo, está Julian Lenz. Clarke cruza os braços, chega perto, seguido por Fairfax e Cohen. Enquanto Lenz fala, segurando uma taça de vinho, o grupo ouve com atenção, alguns se movendo mais para perto, tentando ouvir por cima da música. Garotas Barnard, rapazes de Columbia… todos ao redor de Lenz, rindo quando ele ri, atentos quando ele fala.
Fairfax nota a expressão de desagrado no rosto de Clarke, as mãos apertando os braços com firmeza, praticamente cravando as unhas por cima da roupa. O olhar está fixo no rosto de Lenz, que não parece notar a presença de Clarke.
“Ei, a nossa mesa é do outro lado!” Diz Cooper, sem notar o grupo de Lenz.
Ela aponta para a mesa, Fairfax e Cohen a seguem, mas leva algum tempo até Clarke descolar os olhos de Lenz. Ele segue Cooper com certa hesitação, mas se senta com os demais.
“Que bicho te mordeu?” Cooper pergunta, mas Clarke chacoalha os ombros, não responde. “Tudo bem, não importa. O show logo vai começar!” Ela bate palmas, animada.
OOC:
Data em IC: 11 de outubro de 1944.
Horário: entre 22h e 1h.
Local: Café Society.
Instruções:
Vocês devem ter percebido (e esperamos que sim!) que apenas alguns nomes foram citados como presentes dessa vez, ao contrário dos outros plotdrops onde todos estão no local. Isso tem um motivo! Os personagens que não aparecerem na thread (ou caso o player não envie o resumo no canal de decisões IC) serão considerados ausentes no aniversário de Cooper!
Caso o nome tenha sido citado e o player não apareça, consideramos que o personagem saiu do local.
Deixamos aqui uma pasta com algumas fotos do Café Society e inspirações. E aqui vocês encontram um cardápio real do local. É um local um pouco mais caro para os padrões da maioria deles, então tenham isso em mente.
Possíveis dúvidas:
Meu personagem pode brigar com Lenz?
Poder, pode. Mas perguntem no privado antes de qualquer ação mais drástica ou violenta.
Posso interagir com Lenz?
Sim.
Posso interagir com outras pessoas do local?
Sim! Podemos combinar se os NPCs vão ser interpretados por algum player ou pela moderação. Fiquem a vontade para conversar sobre no chat ooc.
Não consegui participar da thread, e agora?
No chat de decisões importantes vamos conversar sobre o que o seu personagem faria e encaixar no que aconteceu na thread. Dessa vez, o prazo é de 15 dias para completar, caso contrário, seu personagem terá faltado no aniversário.
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Sou o primeiro a chegar no prédio de Donnelly e Keegan, e me sento nas escadarias da rua. Penso no que vamos encontrar quando aquela porta se abrir. Está tarde e o combinado é chegar próximo da meia noite, como se estivessemos mesmo festejando no San Remo, como de costume.
Levesque, Whitmore, Goodwin, Freeman, Clarke e Kraus foram até lá para marcar alguma presença, fingir que tudo está normal. Os demais voltaram para casa ou continuaram no apartamento de Kraus e Cooper, esperando dar a hora.
Chegam Schulte, Keegan, Cooper, Rosenthal e Donnelly em um grupo. Carregam sacolas de compras, ninguém fala nada. Começamos a subir as escadas devagar. Não sei se falo para esperar os demais ou prolongar o tempo antes de vermos o corpo de Lenz novamente.
Paramos em frente ao apartamento, acendemos nossos cigarros. Cohen chega correndo, seus passos altos nas escadas sendo repreendidos por alguém mais abaixo. É Goldstein, e Cohen passa a andar devagar. Os dois se encostam em um canto, esperam.
Depois vem O’Shea a passos tranquilos, e rabisca seu caderninho enquanto esperamos.
O grupo do bar chega em silêncio, e entre eles está Carter também. Nos encaramos por algum tempo, antes de Donnelly finalmente colocar a chave na porta.
Carter: Será que vai cheirar muito forte?
Ela sussurra.
Clarke: Fique quieta.
A porta se abre, e entro atrás de Donnelly.
O apartamento está frio como o ar lá fora, e percebo que a janela da sala está aberta. O cheiro forte é de sangue, e quando a porta é fechada, nós nos encaramos para esperar que alguém vá primeiro até o corredor.
O’Shea: Agora só nos resta destruir qualquer coisa que identifique o canalha.
Ele tira o casaco e o pendura, e começa a desabotoar as mangas e puxá-las para cima.
Whitmore: Compraram tudo?
Schulte: Tudo aqui.
Goodwin: E nós? Esperamos?
Cohen: Vamos precisar de ajuda para levar ele até a banheira, não vamos?
Enquanto eles se decidem, minha curiosidade fala mais alto. Caminho até o corredor, e a visão me deixa horrorizado.
Lenz ainda está lá, caído. O chão ao seu redor é uma poça de sangue quase seco, e na parede do escritório há sangue seco. Uma marca longa e escorrida de um lado do corredor, e a marca de sua mão do outro, como um pedido de socorro. Como se estivesse hipnotizado, caminho até ele.
Seus olhos ainda estão abertos, mas estão com cor de sangue. Sua boca está meio aberta. Não é como antes, não há expressão. Nem de desespero, de raiva, de nada. Só está morto.
Levesque: Não vai conseguir levá-lo sozinho, Fairfax.
Ele dá um tapinha no meu ombro, me assustando. Dou um passo para trás, e todos nós paramos para olhar aquela cena deprimente mais uma vez.
Keegan: Espero que não sejam apegados ao que estão vestindo. É melhor colocar fogo no que sujarmos de sangue.
Cooper: E temos outra escolha?
Rosenthal: O pobre diabo… terminar sendo jogado no rio Hudson.
Donnelly: Ninguém aqui quer ser preso. É o único jeito.
Goldstein: Existem outras opções…
Whitmore: Já discutimos isso. Vamos fazer o que precisa ser feito.
Freeman: Andem logo. Não quero ver essa criatura por mais tempo que o necessário
Respiro fundo. Não há mais nada que possa ser feito.
OOC:
Data em IC: 17 de dezembro de 1944.
Horário: entre 00h e 6h.
Local: apartamento de Donnelly e Keegan.
Instruções:
Os grupos foram divididos, mas nesse momento, antes do corpo ser desfigurado, seus personagens podem olhar melhor, buscar pistas ou algo que aponte quem foi o assassino. Ele vai ser movido de qualquer forma e a cena do crime vai ser mexida, então esse é o momento para explorar o ambiente.
Duas coisas acontecerão hoje:
Cooper comprou uma pista que será encontrada por ela durante a thread.
O’Shea comprou lembranças da noite do assassinato. Ele irá se lembrar durante a thread.
Possíveis dúvidas:
Meu personagem pode sair em algum momento?
Apenas se ele não estiver nos grupos de descaracterização, descarte ou limpeza.
Não consegui participar da thread, e agora?
No chat de decisões importantes vamos conversar sobre o que o seu personagem faria e encaixar no que aconteceu na thread.
(Laura Harrier, mulher cis, 27 anos) essa é [ EVA LENORA FREEMAN ] caminhando pelo Village. ela é conhecida como [ A TROVADORA ], e veio de [ DETROIT ]. fairfax sempre pensa em [ LUVAS DE BOX GASTAS, CHEIRO DE AMORA COM TABACO, ESCRITA INOVADORA, BOAS ROUPAS e OLHOS MARCANTES ] quando pensa nela. será que [ EVA ] ficará para a história, ou será enterrada?
Eva nasceu em Detroit no dia 05 de abril de 1917, pelo menos é o que consta em seus documentos feitos pelo lar comunitário de crianças Virgin Mary. Foi deixada à porta do orfanato em uma noite de primavera e considera que renasceu naquele dia.
Não importa o quão infernal tenha sido viver sob uma realidade de abandono, brigas e solidão em Black Bottom, região esquecida e com péssima fama em Detroit, estar no lar das pobres e marginalizadas crianças, significava ter, pelo menos, um lugar para ficar. Não era grata pela vida que vivia, só sabia a importância de se ter um teto acima de sua cabeça.
Considerada uma “órfã problema” no orfanato, Eva era duramente repreendida pelas freiras e raramente apresentada às famílias. Em primeiro lugar, era negra e nenhuma família, por mais benevolente que fosse, queria uma criança negra como filha, em segundo, porque o julgamento das freiras brancas, que a demonizavam por ter “um jeito difícil de lidar”, sequer lhe davam alguma chance. Toda vez que demonstrava sua ira, que piorava com o tempo, o processo era o mesmo: sessões de exorcismo.
Eva teve consciência da merda de sociedade em que vivia muito cedo e todas as vezes em que perdia o controle era por não aguentar mais a clara diferença de tratamento que recebia se comparada a outras garotas e garotos brancos, que foram moldados nas etiquetas tradicionais da sociedade. Preferia morrer do que se submeter às regras criadas pela sociedade.
Aos treze anos passou a trabalhar como babá para as mulheres do bairro, não cobrava em dinheiro e era comum fazerem trocas. Eva trabalhava por um prato de comida que não era servido no orfanato, por roupas que não mais serviam nas mães, por acessórios e objetos que nunca viu antes, cadernos para os estudos, canetas tinteiro e afins. Foi desta forma que conseguiu toda a roupa necessária para treinar boxe na academia do bairro: uma luva rosa gasta, um bermudão preto e até mesmo uma caneleira em bom estado.
Treinava como se não houvesse amanhã, aproveitava para descontar toda sua raiva nos sacos de pancadas. Em pouco tempo se tornou a pedra preciosa do treinador, mas reduziu seus turnos aos dezessete anos, ao começar a trabalhar para uma nova família em um bairro nobre de Detroit. Foi contratada por uma rica mulher branca que não gostava dos filhos, ou como seu patrão costumava dizer: não tinha o dom de ser mãe, e aproveitou a oportunidade para sair do orfanato, e consequentemente da escola, pois passou a morar com os Bennet para cuidar das crianças em tempo integral em troca de lar e comida. Na casa dos patrões teve contato pela primeira vez com livros de poesias, poemas e trovas e, depois de ganhar de seu patrão uma caderneta e uma caneta, começou, timidamente, a escrever os próprios versos.
Eva era uma boa estudante dos livros a que tinha acesso, conseguiu um bom emprego e saiu da periferia em que cresceu. Quem a encontrava de vez em quando, nas vezes em que tinha permissão para sair de casa, fosse para fazer compras, passear com as crianças ou ir aos treinos e lutas de boxe, diziam que ela sim era uma vencedora! O discurso de merda sobre como ela trabalhou duro para chegar a uma boa casa de família era comum e Eva o odiava por ser tão pequeno em um mundo em que a sociedade os devia muito mais.
O trabalho em tempo integral e o boxe ocupavam grande parte do seu dia. “É através da luta que você vai conseguir sair dessa casa e ganhar sua própria grana, Eva!”, era o que seu treinador dizia, mas quando a merreca chegava em seu bolso, ela mal conseguia comprar livros ou roupas novas. Foi ao demonstrar seu descontentamento que a ideia de sair de Detroit para Nova Iorque partiu de seu treinador, Eva tinha medo de largar o certo pelo duvidoso, mas não era mulher de recusar oportunidades.
Na cidade grande suas lutas reuniam um público considerável e os resultados em cada campeonato eram bons, mas não ótimos. Acreditava que podia melhorar, pois tinha confiança em si e nas palavras de seu treinador, mesmo que já não visse o boxe como antes, era tudo o que tinha, não se via longe daquela realidade de verdade.
Entre frustrações, treinos cansativos, novos hematomas e pouco dinheiro, se desligava dos problemas quando se dedicava à escrita. Cada vez mais, Eva descobria que as trovas que escrevia não só eram um lugar de desabafo, mas também de denúncia ao racismo, machismo, a misoginia, de política, de amor, de guerra e o que mais quisesse. Foi então que passou a se apresentar nas ruas de Nova Iorque e, aos poucos, faltar aos treinos e esquecer o boxe. Aos vinte e quatro anos, decidiu que faria de tudo para cultivar o que, para ela, era muito mais do que um hobbie.
Em 1941 se mudou para uma casa que passou a compartilhar com outras mulheres e a trabalhar em uma livraria, afinal muitos homens estavam longe para lutar pelo país na guerra e o mercado de trabalho precisava de novos trabalhadores. Recebia pouco, mas era o suficiente para pagar sua liberdade e prosseguir com o que realmente gostava: as performances de seus versos. Em uma de suas apresentações noturnas em Greenwich conheceu Clarke. O convite para os beatniks foi uma agradável surpresa e, como de costume, Eva não fugiu do destino.
(george mackay, homem cisgenero, 29) esse é AARON JONATHAN ROSENTHAL caminhando pelo Village. ele é conhecido como O POLÍTICO, e veio de [ Nova Iorque, Nova Iorque ]. fairfax sempra pensa em [ CHÁ PRETO, MANIFESTO COMUNISTA, MÁQUINA DE ESCREVER, ESTRELA DE DAVI, CAMISA BRANCA BEM PASSADA, CHARUTOS ] quando pensa nele. será que [ AJ ] ficará para a história, ou será enterrado?
a família rosenthal é de origem judia e abastada que, antes de uma mudança definitiva para o continente norte americano, carregava um sobrenome que foi apagado de seus registros documentais. aaron somente sabia o que lhe foi contado: pertenciam a uma burguesia culta e consolidada de viena, onde frequentavam concertos, mantinham uma biblioteca extensa em casa e discutiam política nos cafés com a mesma naturalidade com que comentavam sobre o tempo da capital. a situação crítica do imperío austro-hungaro foi o motivo necessário para a família emigraram para NY, levando consigo recursos suficientes para reconstruir a vida com relativa rapidez. foi nesse momento que o sobrenome da família mudou. ao se estabelecer nos estados unidos, o pai decidiu adaptar o nome para rosenthal, um nome mais simples para os ouvidos americanos e mais conveniente para os círculos sociais que pretendia frequentar.
a adaptação foi surpreendentemente rápida graças à fortuna familiar, aos contatos comerciais europeus e à habilidade social do patriarca, os rosenthal conseguiram se estabelecer em pouco tempo entre famílias influentes da cidade. em poucos anos, o sobrenome rosenthal já circulava em ambientes empresariais, políticos e culturais de nova iorque, associado a investimentos, filantropia e presença em círculos sociais importantes.
mesmo crescendo nesse ambiente, o jovem aaron demonstrava uma curiosidade que nem sempre era bem recebida. enquanto os pais recebiam convidados no salão principal, ele costumava desaparecer pelos corredores da casa e acabar na cozinha ou nos jardins dos fundos. passava longos períodos conversando com os trabalhadores da casa, como as cozinheiras, criadas e jardineiros, os ouvidos muito bem atentos às histórias sobre suas cidades de origem, salários, jornadas de trabalho e famílias deixadas para trás. perguntava muito, mais do que a maioria das crianças da sua posição social, pois existia algo nele que se interessava profundamente pelas estruturas invisíveis que sustentavam a vida cotidiana: quem trabalhava, quem decidia, quem era ouvido e quem apenas obecedia de cabeça baixa.
rosenthal absorveu aquele ambiente com rapidez. suas raízes europeias lhe dava uma base cultural sólida, mas foi ali que ele desenvolveu algo ainda mais marcante: uma habilidade impressionante de circular entre diferentes círculos sociais. falava alemão desde a infância, aprendeu inglês como sua segunda lingua e mantinha também um flerte com o francês e qualquer outro idioma que pudessem ensiná-lo nos bairros e cafés frequentados por intelectuais e imigrantes.
mais do que isso, tinha uma lábia extraordinária. ele não era apenas eloquente, era o tipo de jovem que escutava primeiro, avaliava o interlocutor e então respondia com precisão. em debates políticos, era difícil interrompê-lo. ele construía raciocínios de forma tão estruturada que muitas vezes parecia inevitável concordar com ele ao final da conversa. em columbia não foi diferente e o espaço se tornou o que cristalizou suas inclinações políticas. agora frequentava círculos de debate e rapidamente se aproximou de estudantes envolvidos com o partido comunista, então em pouco tempo tornou-se presença constante em reuniões, assembleias e organizações estudantis ligadas ao partido. o que era de grande proveito: sabia escrever, sabia falar e, acima de tudo, sabia persuadir. organizou debates, escreveu artigos políticos para jornais universitários e participou ativamente da mobilização de estudantes. para ele, política não era uma abstração teórica, mas uma boa resposta àquilo que observava desde muito cedo em casa.
com o tempo, rosenthal passou a ocupar posições cada vez mais importantes nas redações. colegas o descreviam como um editor rigoroso e que exigia textos bem construídos, argumentos claros e reportagens que não evitassem confrontar estruturas de poder. assoaciado ao sobrenome, foi o que fez se tornar editor-chefe de um jornal, posição incomum para alguém tão jovem. entre 43 e 44, quando o partido passou a apoiar oficialmente o esforço de guerra contra o fascismo, aaron tomou uma decisão que surpreendeu parte de seus colegas: alistou-se no exército dos estados unidos da américa. para muitos, parecia uma contradição um imigrante e intelectual comunista vestindo uniforme militar. aaron, porém, enxergava o conflito de forma diferente.
tudo em sua vida parece ter culminado, de alguma forma, no momento em que seu caminho cruzou com goldstein. a política, o jornalismo, as discussões intermináveis, a habilidade de navegar entre diferentes mundos nada disso o levou diretamente até aquele grupo, mas também nada pareceu tão coerente quanto estar ali quando finalmente aconteceu. sua relação com o grupo nunca foi impulsiva ou totalmente espontânea. escutava mais do que falava nos primeiros encontros, analisava dinâmicas, afinidades, tensões silenciosas. havia algo naquele pequeno círculo de artistas, intelectuais e figuras excêntricas que despertava sua curiosidade, muito mais possível a liberdade com que transitavam entre ideias, talvez a maneira menos rígida com que lidavam com o mundo.
na noite da festa onde ocorreu o assassinato, algo nele decidiu atravessar essa distância criada por sua própria mente. foi o desejo mais raro e sincera que teve ao observar o mundo a partir de uma perspectiva diferente daquela que sempre guiou seus pensamentos. por alguns instantes, ele deixou de ser apenas o homem, algo maior que estava disposto a sentir o que acontece quando se solta das próprias certezas.
(derya pinar ak, mulher cis gênero, 21) essa é DEFNE ZORLU CARTER caminhando pelo Village. ela é conhecida como A NOVATA, e veio de NOVA IORQUE. fairfax sempre pensa em CANECAS DE CAFÉ PELA METADE, CHÁ QUENTE, CEREJAS COM CREME, ANDAR DESCALÇA E ELÁSTICOS DE CABELO EMARANHADOS quando pensa nela. será que DEF ficará para a história, ou será enterrada?
Crescer em um lar onde não se é vista ou amada pode causar sérias consequências à vida adulta daquela criança. Necessidade de atenção, vontade incontrolável de agradar na intenção de não ser abandonada e a procura por pessoas que não reconheciam seu valor mas que, se ela se esforçasse o suficiente, seria vista. Acreditava que seria.
Defne nunca conheceu o pai, apesar de carregar o sobrenome dele, e se fosse bem sincera, não sabia também muito de sua mãe, além do fato de que ela a odiava pelo simples fato de ter nascido. E estragado sua juventude, como já ouviu várias vezes a mesma gritar. Naturais de Nova Iorque e de descendência turquesa, ela e a mãe viviam se mudando de casa em casa, como macacos em galhos, porque Dilan não conseguia manter um emprego digno e sempre ficava devendo aluguel. A pobre Defne pouco podia fazer, a não ser acatar ao estilo de vida que a matriarca tinha.
Ainda que a ressentisse, Dilan sempre dizia que Defne não poderia fazer o mesmo que ela. Engravidar cedo demais e estragar sua vida. Por isso, quando conheceu Eric aos 18 anos, acabou escondendo o relacionamento para que não sofresse represálias dentro de casa. A desculpa que dava era de que estava com amigas, e a mãe não parecia se importar o suficiente para questionar.
E foi em um desses encontros que conheceu Clarke. Foi amor à primeira vista, ou pelo menos ela achou que sim, e logo seu relacionamento com Eric desandou. Não demorou muito para que começasse a seguir Clarke por onde ele fosse, sempre buscando agradá-lo para demonstrar que ela valia a pena. Às vezes sentia que funcionava, e às vezes não, mas era persistente no seu objetivo.
A paixão pela escrita veio por Levesque, e ela até acredita que tenha certo talento, apesar de nunca falar em voz alta, tamanha a insegurança que sente. Mas quem sabe, com alguma ajuda, ela consiga sair desse seu casulo.
Chego no apartamento e a porta é aberta pra mim. Lá dentro já estão Goodwin, Clarke, Kraus, Cooper e Whitmore. Encontro os mesmos rostos pesados de mais cedo, mas agora sinto que há um certo desespero. Me sento, assisto a entrada silenciosa de todos os outros.
Freeman primeiro, seguido de Schulte e O’Shea. Logo em seguida Cohen, os ombros encolhidos e com um pedaço de papel na mão, que entrega à Whitmore com mãos trêmulas. Depois vem Levesque, em seguida Carter. Donnelly e Keegan parecem um tanto abalados quando entram. Por último, Goldstein e Rosenthal.
Schulte: Vimos uma ambulância.
Os segundos seguintes são de silêncio pesado, ele encara todos nós, arrastando o suspense, até que O’Shea suspira, irritado.
O’Shea: Era uma velha, só isso. Não morreu. Vimos ela sair de ambulância, esperamos um pouco e nada. Ninguém achou corpo nenhum no apartamento.
Seguem algumas expressões de alívio.
Carter: E o que aconteceu com Clarke e Goodwin? Não vieram mais cedo por qual motivo?
Ela se aproxima de Clarke, olhos esperançosos.
Clarke: Não interessa.
Keegan: É claro que nos interessa. Vocês sumiram depois de encontrarmos um corpo lá em casa.
Kraus: Não podemos nos esquecer de quem encontrou o corpo.
Donnelly: Não importa. Só precisamos saber o que vamos fazer com esse corpo agora. Já deve ter destruído o meu carpete.
Donnelly choraminga, e é acudida por Keegan.
Whitmore: Não adianta lamentar, precisamos nos decidir.
Uma nova discussão se inicia. Um fala por cima do outro. Alguns acham melhor se livrar logo do corpo de Lenz, outros acham que devemos saber quem foi e o culpado se vire. Há uma insistência em saber do motivo do sumiço de Goodwin e Clarke, mas Clarke grita obcenidades cada vez que esse assunto é trazido. Diz que não é da conta de ninguém, e é rebatido que é sim, já que todos estávamos até há algumas horas em um apartamento com um morto que ele encontrou. Alguns só observam: Levesque está quieto, andando de um lado para o outro. Rosenthal parece mais nervoso com a falta de controle do resto do grupo, Cohen coça o braço descontroladamente, mas não abre a boca.
Não há uma decisão no meio do caos, até que alguém grita chega.
OOC:
Data em IC: 16 de dezembro de 1944.
Horário: entre 12h e 13h.
Local: apartamento de Kraus e Cooper.
Instruções:
Agora é o momento de decidirem o que fazer com o corpo, e eles só vão sair daí quando uma decisão for tomada. Não é hora de pensar se devem ou não, mas o que e como fazer. Quem vai fazer? Todos juntos, um trabalho grupal? Alguém vai se encarregar do trabalho sujo?
Lembrem-se de algumas questões: não dá pra sair de um apartamento carregando um corpo à luz do dia. A decisão vai ser tomada e eles vão ter esse trabalho durante a madrugada. Depois dessa reunião cada um segue pra fazer o que foi estabelecido.
A pessoa que gritou "chega" no final é quem vai ser sorteado primeiro na ordem, então preparem algum motivo pois pode ser o seu personagem!
Possíveis dúvidas:
Meu personagem pode sair antes das 13h?
Sim.
Não consegui participar da thread, e agora?
No chat de decisões importantes vamos conversar sobre o que o seu personagem faria e encaixar no que aconteceu na thread.
NOTAS DA MODERAÇÃO:
Freeman está presente no apartamento, mas a player está em hiatus e, por isso, não poderá participar da thread.
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Tento recuperar algum lapso da noite passada, mas nada me parece coerente. Lembro-me da picada, da sensação de derreter no sofá e o sentimento bom. Os rostos pareciam uma miragem. Tudo muito desconexo.
Anoto o que me lembro, e depois observo Kraus e Cooper. Acendem um cigarro, andam de um lado para o outro, checam a janela. São exatamente doze minutos entre o bunker e o núcleo em passos tranquilos, mas acho que chegamos aqui em menos de dez. Cooper anda até a janela, e depois olha para Kraus, que abre a porta antes da batida.
São Donnelly e Schulte. Entram, tiram os casacos.
Kraus: E Carter?
Donnelly e Schulte dão de ombros, Schulte começa uma história sobre terem parado no meio do caminho. Todos estão distantes demais para prestar atenção. A porta fica aberta, Carter aparece e entra sem dizer nada.
Ouço os tiques do relógio e olho em volta. O apartamento tem uma escuridão não característica do lugar, como se estivéssemos todos envoltos por uma nuvem negra. As luzes amareladas não estão acesas, e o céu de inverno não permite que a luz solar ilumine o ambiente.
Os passos pesados no corredor anunciam mais um grupo. Desta vez Cooper dá passos pesados entre janela e porta, e abre para que O’Shea, Cohen e Levesque entrem. Levesque mal entra e já começa a falar alto sobre Barbara Hughes, que a encontraram no meio do caminho.
Levesque: Vai ser um problema pra nós.
Logo em seguida, antes mesmo que a porta se feche, chegam Rosenthal, Whitmore e Keegan. Estão em silêncio, e em silêncio permanecem.
Encaramos o relógio.
Há uma batida fraca na porta, quase inaudível se não fosse o silêncio entre nós.
Whitmore abre a porta, entram Goldstein e Freeman.
Olhamos em volta em uma contagem silenciosa. Faltam dois.
Whitmore: Onde estão Clarke e Goodwin?
Todos fazem que não.
Freeman: Saíram antes de nós dois. Já deveriam ter chegado.
Donnelly: Bem, não podemos esperar.
O’Shea: E o que exatamente sugere que a gente faça?
Whitmore: Duas coisas: lembrar o que aconteceu, dar um jeito no corpo.
Cooper: Não podemos passar o dia todo enfiados aqui.
Uma nova discussão se inicia. Alguns já deveriam estar no trabalho a esse ponto, outros tem outros compromissos. Eu sugiro que a gente foque em lembrar o que aconteceu na noite passada, precisamos saber quem matou Lenz. Schulte nota que o culpado não importa muito, todos nós somos cúmplices. Precisamos nos livrar do corpo.
Goldstein: Bem, tem um detalhe…
Freeman: Talvez já tenham o encontrado.
OOC:
Data em IC: 16 de dezembro de 1944.
Horário: entre 8h e 10h.
Local: apartamento de Kraus e Cooper.
Instruções:
Bem-vindos de volta à timeline atual!
Neste momento temos três conflitos principais:
Tempo. Os personagens de vocês não podem passar o dia pensando no que fazer. A maioria tem seus compromissos, e alguns apenas não querem ficar discutindo o assunto por horas a fio.
Quem matou? Talvez o seu personagem não se importe em descobrir o culpado, mas algum outro, sim. Como vão descobrir? Alguém se lembra de algo?
Goldstein e Freeman ouviram falar sobre a descoberta de um cadáver no Village essa manhã, e Goodwin e Clarke sumiram. Essas, e as informações que seus personagens receberam nos mini drops, são as únicas coisas que eles sabem até então.
Às 10h Kraus e Cooper pedirão que eles se retirem. Os personagens empregados ainda precisam trabalhar, e os demais deverão seguir o dia, ainda que nenhum acordo seja feito entre eles.
Nenhum personagem deve voltar ao apartamente de Donnelly e Keegan desacompanhado e sem que os demais saibam.
Possíveis dúvidas:
Meu personagem pode sair antes das 10h?
Sim.
Não consegui participar da thread, e agora?
No chat de decisões importantes vamos conversar sobre o que o seu personagem faria e encaixar no que aconteceu na thread.
NOTAS DA MODERAÇÃO:
Goodwin e Clarke não participam dessa thread. Os personagens estão presos. Para conseguir a pontuação referente à thread grupal, os dois players devem escrever uma POV sobre a estadia na cadeia, ou um jogo fechado de pelo menos 5 respostas cada um. O prazo para a entrega da POV é a data do próximo capítulo, ainda a ser definido.
Freeman está presente no apartamento, mas a player está em hiatus e, por isso, não poderá participar da thread.
I want to ride to the ridge where the west commences
And gaze at the moon till I lose my senses
And I can't look at hovels and I can't stand fences
Don't fence me in.
Três novos caminhos se cruzam em frente ao núcleo no primeiro de outubro de 1944. Três novos rostos em um apartamento cujas portas se abrem para qualquer aficcionado por arte, qualquer mente que não se encaixe. Apesar da ordem mantida por Kraus e Cooper, a noite nunca finaliza antes que garrafas vazias estejam espalhadas e seus amigos dormindo pelo chão.
Mas são três novos rostos naquela noite, três novos nomes, três novas oportunidades. Bill Crosby canta na vitrola quando Goldstein, também um recém chegado, apresenta os novatos: Cohen, Fairfax e Rosenthal. Os rostos não são tão importantes para os demais, ao menos não por enquanto. Há tanta fumaça de cigarro pelo ambiente, que rostos se tornam espectros. A conversa é alta, a maioria sequer ouviu os nomes anunciados por Goldstein. Permanecem juntos, os quatro, por pouco tempo.
É a figura de Clarke entrando no apartamento que quebra o pequeno grupo. Vêm arrastando Carter e a solta abruptamente na porta da sala. A mão que levava a mais nova agarra uma garrafa de whiskey, e sua voz corta pela sala ao começar a cantar com Crosby, girando pela sala. Alguns olhos se reviram por um segundo, e depois retoma à conversa. Exceto Goldstein. Se despreende de seus três patinhos com tamanha facilidade, que mal é percebido. Em um segundo apontava para os demais, tentando se lembrar dos nomes para apresentá-los aos três novos, e no outro está indo em direção à Clarke. Este o segura pela manga da camisa, não lhe dirige a palavra, mas o arrasta pelo apartamento enquanto faz piadas sobre qualquer um que surgir na sua frente primeiro.
Fairfax, Cohen e Rosenthal se olham por um segundo. Se tornam o grupo de amigos de Goldstein, ou tentam se enturmar? O primeiro dá um passo para o lado. Admirado com o grupo, ele toma um diário em mãos e começa a escrever. Cohen se aproxima de Carter, começam a conversar. Rosenthal, sozinho, não permanece assim por muito tempo. É carismático e sociável o suficiente para começar olhar em volta e se servir com um copo de whiskey.
“Quem é esse?” Rosenthal pergunta para o homem ao seu lado. Keegan o olha de soslaio, e não responde, apenas dá as costas ao novato. Rosenthal olha em volta, mas não se envergonha. Só está surpreso com a falta de cordialidade.
“Clarke.” Kraus para ao seu lado, respondendo a pergunta ignorada. Ela o encara por alguns segundos: não é alguém que já esteve ali antes. “E você?”
“Rosenthal.” Ele estende a mão, e ela a aperta. Conta que foi trazido por Goldstein, mas que já não sabe mais onde o amigo está. E anfitriã, então, aponta um a um, dizendo seus nomes. Rosenthal finge que está acompanhando.
Whitmore está no centro de um grupo formado por Goodwin, Schulte e Levesque. Cohen se aproxima, depois de Carter a abandonar para procurar Clarke novamente. Falam sobre algo novo, uma substância usada ritualmente e que ajuda a elevar a consciência. Whitmore fala da substância mágica com autoridade, apesar de jamais ter a usado. Os demais ouvem com atenção. Donnelly está em um canto, próxima ao grupo. Igualmente atenta, ela permanece desconfiada. Do uso, de Keegan. Seu olhar fica ali, entre os cinco e Keegan.
De outro lado, Cooper e O’Shea. Conversam sobre a nova exposição no Guggenheim. Freeman se aproxima, ouve a conversa de gente rica sobre coisas que ele começa a conhecer depois do contato com essas pessoas. Apesar de distante, tem tanto conhecimento sobre arte quanto os outros dois. Os olhares entre Freeman e O’Shea são de desconfiança um do outro, mas a tranquilidade do apartamento naquela noite é suficiente para impedir qualquer tipo de faísca.
Quando a porta se abre novamente, o ar é sugado por alguns segundos. Julian Lenz entra com seu casaco pesado e sujo, o coloca no cabide e entra. Está descontente com algo, é fácil de perceber por sua expressão. Os cabelos estão desgrenhados, e a barba está por fazer. Donnelly aumenta a música na vitrola, ninguém se adianta para ir até ele, para o receber e o incluir na conversa. Todos se viram de volta para o grupo onde estavam, e Lenz é ignorado. Sua existência é ignorada por todos, exceto por Clarke. Assim que o vê, praticamente voa até a porta, o impedindo de continuar pelo apartamento.
“O que está fazendo?” Ninguém ouve o sussurro de Clarke, apenas Lenz.
O mais velho enfia a mão no bolso do paletó e tira um manuscrito. Está prestes a entregá-lo para Clarke, quando este toma as folhas com rapidez e as enfia debaixo da lista telefonica, no gabinete do corredor. Os dois se encaram por meio segundo, Clarke vira as costas e volta em direção a Goldstein e Carter. Desta vez, é Lenz quem o segue.
OOC:
Data em IC: 01 de outubro de 1944.
Horário: entre 22h e 1h.
Local: apartamento de Kraus e Cooper.
Instruções:
Estamos jogando um flashback! Cohen, Fairfax e Rosenthal começam a frequentar o núcleo em outubro de 1944, então estamos de volta ao dia em que os três passaram a fazer parte do grupo. Para alguns, eles são velhos conhecidos. Para outros, totalmente novos. Vocês podem agir de acordo com as conexões que estabeleceram.
Nesse flashback também podemos explorar a relação dos seus personagens com Julian Lenz. Durante a thread vocês podem interagir com ele e também com Fairfax, que é um novato. Ninguém pode pedir para que Lenz saia do apartamento, mas vocês e os personagens podem e devem agir de acordo com a relação proposta nos skeletons.
Se necessário, outros direcionamentos mais pontuais vão ser enviados no privado.
Possíveis dúvidas:
Meu personagem pode brigar com Lenz?
Poder, pode. Mas perguntem no privado antes de qualquer ação mais drástica ou violenta.
Não consegui participar da thread, e agora?
No chat de decisões importantes vamos conversar sobre o que o seu personagem faria e encaixar no que aconteceu na thread.
Há um aroma agradável no ar quando entro no apartamento. Tudo está redecorado, as paredes com novos papéis de paredes, o chão limpo e com belos tapetes. Sou o primeiro a chegar, Donnelly e Keegan me recebem educadamente e eu me dirijo até a sala de estar. Me sento no canto, como de costume, e observo.
Chegam Goodwin e Freeman, falando alto e rindo. Se sentam, continuam a papear. Depois chegam Kraus e Cooper, pequenas faíscas saindo entre elas e Donnelly. Em seguida Levesque, se aproxima de Cooper, os dois param no escritório, sussurrando avidamente. Estão discutindo.
Clarke chega com Goldstein e Carter. Fala alto, pergunta onde está a bebida. Vem até a sala de estar, os outros dois seguindo logo atrás. Ele para no canto, começa a recitar o mesmo poema de sempre: Ancora, de Ezra Pound. Carter e Goldstein espelham um sorriso, assistindo atentos como se não fosse a milésima vez que escutam aquele poema.
Percebo Donnelly se aproximar de Goodwin e Freeman, a caderneta discretamente na mão. Ela ouve, mas finge estar atenta à Clarke, e não à Goodwin.
A porta se abre mais uma vez, entram Rosenthal e Lenz. Alguns narizes se torcem, Lenz toma seu lugar ao lado de Goldstein e Carter, e um novo grupo se forma: Cooper, Kraus, Levesque, Keegan e Rosenthal. Escutam atentamente enquanto Levesque conta, novamente, sobre sua vida no mar. Cooper mantém seus olhos vidrados em Levesque, com uma feição de irritação que ele finge não ver.
Cohen chega em silêncio, assente, e depois para em um canto, coçando o braço, inquieta. Por fim, chega O’Shea. Vai direto até a pilha de discos e começa a revirar, buscando um disco novo para tocar.
Clarke termina o poema, sua plateia de três pessoas aplaude, ele vai até a janela. Lenz tromba em Levesque ao tentar seguir Clarke, e os dois discutem no meio da sala sobre a ida à França. Keegan separa Levesque de Lenz, e Levesque sai batendo os pés até a cozinha. Lenz olha em volta, procura Clarke. É ignorado. Nem mesmo a música que O’Shea escolheu é capaz de melhorar o clima.
Chegam Schulte e Whitmore. Estão com junk. Não é black tar e nem o pó marrom, é branca. Pura, como eles dizem. É para celebrar o apartamento novo, todos vão ter que usar. O aparato é montado na mesa de centro, todos se reúnem na sala de estar. Donnelly e Keegan discutem enquanto Whitmore entra no escritório com Schulte e Goldstein para aplicar nele. No final das contas, todos usam. Levam alguns minutos até a conversa paralela recomeçar.
A música está alta, Levesque distribui cerveja. Recuso. Ou acho que recuso. Vejo o grupo se espalhar como em um sonho. O'Shea entra na sala com as mãos trêmulas e segue para o escritório, Lenz vem atrás. Escuto Goodwin dizer algo para Lenz, depois Schulte gritar para ele logo em seguida, mas
(Com a escrita desajeitada)
Acordo sem nem ter percebido que dormi. Olho em volta, vejo Whitmore, Goodwin, Cooper, Schulte e Cohen na sala de estar. A vitrola gira sem tocar nada, todos parecem confusos. São quatro da manhã.
Clarke grita. Nos entreolhamos.
Passos rápidos e pesados entre escritório e corredor.
Keegan: Deus do céu.
Seguimos as vozes dos dois, nos encontramos todos no corredor entre cozinha e escritório.
No chão está Lenz, deitado em uma poça de sangue. Há um caminho entre a porta do escritório e o lugar onde ele está, caído de barriga para baixo. Levesque o chama, faz menção de se aproximar, mas a mão de Cooper segura seu pulso com firmeza.
Clarke: Está morto.
Encaro o corpo.
Kraus: Ninguém toca nele.
Obedecemos.
Olho para cada um dos meus colegas. Não sei dizer se estão aliviados ou aterrorizados. A única coisa que sei é que Lenz está morto, e não me lembro das últimas horas.
OOC:
Data em IC: 16 de dezembro de 1944.
Horário em IC: entre 4h e 7h.
Local: bunker.
Instruções:
Nenhum dos seus personagens lembra do que aconteceu entre meia-noite e quatro horas, quando eles acordaram. Todos, sem exceção, usaram a droga fornecida por Whitmore, o que causou o “apagão”. Um de vocês está mentindo e é o assassino de Lenz, mas esse player já foi avisado e o personagem permanecerá fingindo não se lembrar dos acontecimentos das últimas horas (ou talvez não se lembre mesmo).
O corpo foi encontrado no corredor entre o Escritório e a Cozinha, com marcas de sangue saindo da porta lateral do Escritório. Lembrem-se que todos foram dopados, então ainda devem estar, pelo menos, grogues e confusos.
Vocês devem seguir o que descreveram na ficha que enviaram para a central, mas considerem o apagão como perda de memória. Eles voltam a si aos poucos, então alguns ainda podem estar sob efeito da droga.
NINGUÉM deve mexer no corpo.
A thread grupal será logo após encontrarem o corpo, e às 7h seus personagens deverão se encaminhar para o apartamento de Cooper e Kraus. Mas quem irá sugerir? Por qual motivo? Vão todos juntos, ou um a um? A decisão fica por conta dos seus personagens.
As 6h em IC, Fairfax perceberá que há um objeto próximo do corpo de Lenz. Fiquem atentos, as instruções serão enviadas na thread grupal.
Considerem que a thread principal inicia e finaliza no horário estabelecido no plotdrop, independente de quanto durar o jogo em OC. Threads separadas podem ser criadas para ambientes/grupos diferentes, mas o final deverá ser encaminhado para o mesmo fim: deixarem o apartamento.
Possíveis dúvidas:
Meu personagem sabe o que usou?
Não. Apenas sabe que é heroína pura, como dito por Whitmore e Schulte.
Eles podem sair do apartamento antes do horário combinado?
Somente se o grupo decidir que vão se separar para ir até o outro apartamento.
Podem ir até o local que encontraram o corpo ou mover o corpo?
Não podem mover ou tocar, mas podem ir até lá. Detalhes de como o corpo foi encontrado devem ser de acordo com a descrição da central, então perguntem antes de descrever algo que não esteja nesse post.
Pode haver suspeita de alguém?
Sim.
Podemos interagir com Fairfax?
Ele raramente fala, apenas escreve. Como todos os outros, ele também não se lembra de nada. Se houver tentativa de interação com ele, marquem a moderação para que a gente possa responder. Ninguém pode retirar o diário dele, e é importante lembrar que todos já estão acostumados com a presença silenciosa e as anotações de Fairfax. Não é algo novo ou incômodo para ninguém.
Meu personagem pode ter visto X e Y?
Pergunte para a moderação primeiro, por favor. Informações privilegiadas são compradas através de pontos e tudo o que não estiver de acordo, vai ser considerado como mentira ou memória falsa do seu personagem. Os outros podem ou não acreditar e devem agir de acordo.
Não consegui participar da thread, e agora?
No chat de decisões importantes vamos conversar sobre o que o seu personagem faria e encaixar no que aconteceu na thread.
Abel Goldsein, Jason Keegan, Frank O’Shea, Aaron Jonathan Rosenthal, Eva Freeman.
Sala de Jantar:
Laura Donnelly.
Descrição de como está o corpo:
Lenz está caído entre porta do escritório e da cozinha, de barriga para baixo. Há uma poça de sangue embaixo dele, e gotas no corredor, entre porta e onde ele está caído. Está com os olhos abertos, as mãos manchadas de sangue, e há um corte profundo e visível na jugular. A parede ao lado dele está manchada de sangue: um jato, e a palma de uma mão descendo pela parede.
(zhang ruonan, mulher cis, 23) essa é DOROTHY HAITANG COHEN caminhando pelo Village. ela é conhecida como A PROFETA, e veio de NOVA IORQUE. fairfax sempra pensa em ROTINAS PRECISAMENTE CALCULADAS, VIDROS QUEBRADOS, BALAS DE CAFÉ, GUILHOTINA DE PAPEL e IDEOGRAMAS CHINESES CUIDADOSAMENTE CALIGRAFADOS, quando pensa nela, será que DOTTY ficará para a história, ou será enterrada?
A década de 20, a vanguarda das invenções, mas o que marcou o lar dos Cohen na grande Nova Iorque foi a chegada de Dorothy, simples, discreta, mas cheia de amor foi acolhida. Sua mãe era forte e ditava as ordens da casa como uma verdadeira mãe leoa, já seu pai era gentil que acolhia nas discussões sobre seguir a tradição chinesa, apesar de ser uma incógnita como davam certo, era o equilíbrio dos dois que regiam aquele caloroso lar.
Escrevia, inicialmente em um diário, flashes de sonhos escritos em chinês com memórias do dia a dia escritos em inglês tudo o mais bagunçado possível, mas logo as páginas foram preenchidas por um fenômeno recorrente, aquele homem que retratava a sua vivência da forma mais crua e poética tinha alguns pontos que a faziam entender que a faziam se sentir especial e por isso voltava toda vez foi o seu consolo em dias ruins. Principalmente os escuros em que vieram a seguir com o falecimento de seu pai.
Continuava indo ver as apresentações porque eram seu consolo. Um de seus maiores, lembrava de dias bons e criou-se essa dependência com as apresentações. Que agora via depois do trabalho na editora de seu tio, aos poucos fora criando forças para ir atrás no Instituto de Psiquiatria onde conheceu Goldstein e os Beatniks.
(jonah hauer-king, homem cisgênero, vinte e cinco anos) esse é JULIEN LEVESQUE caminhando pelo Village. ele é conhecido como O MARINHEIRO, e veio de NOVA IORQUE. fairfax sempra pensa em um lápis atrás da orelha, caligrafia impecável, o rugido do mar durante uma tempestade, luz do sol entrando pelas cortinas nas primeiras horas da manhã e pele salgada e bronzeada quando pensa nele. será que JULES ficará para a história, ou será enterrado?
Henri Levesque nasceu em berço de ouro, filho de um dos grandes industriais locais, em Lille, extremo norte da França. Cresceu em um ambiente exageradamente privilegiado, com direito a viagens à Paris e ao litoral francês. A instrução bilíngue, inglês e francês, o permitiu seguir os mesmíssimos passos de seu pai — proprietários de fábricas, com forte comércio têxtil com a Bélgica e a Inglaterra. Estudou até os dezoito anos em Lycée Faidherbe, renomado colégio, até que, por puro mérito, ingressou nos estudos em economia na também renomada Escola de Economia e Ciência Política de Londres. E bem, é como dizem, o que acontece em Londres, fica em Londres.
Madeleine Blanchard, embora soubesse da existência de Henri, nunca lhe deu o devido interesse. Pois bem, herdeira de uma maison, igualmente privilegiada, de família rica e ligada à manufatura e ao comércio, também detinha seu lugar, por direito, na alta sociedade urbana de Lille. E, assim como o outrem, educada em colégio particular de altíssima qualidade; porém, a verdade é que Madeleine se interessava muito mais por moda, corset rígidos e tendências parisienses.
Os pombinhos trocaram os primeiros olhares em 1906, quando os Levesque resolveram promover uma soirée em homenagem ao retorno de Henri à Lille. Naturalmente, todas as famílias de prestígio estavam presentes. O Sr. Blanchard, que de bobo não tinha nada, fez a gentileza de apresentar a deslumbrante filha ao homenageado da noite. É claro que o rapaz se encantou com a beleza dela, seus cabelos grandes, escuros e com cachos pesados nas pontas caiam sobre os seus ombros, exalando um aroma floral. Durante o baile, ambas famílias concordaram que suas proles fariam um ótimo par. As visitas são organizadas logo na semana seguinte, sempre acompanhadas por chaperones, para infelicidade de Henri. Casaram-se em 1909 e, para o desagrado de alguns, o matrimônio foi considerado o acontecimento do ano, chegando a estrelar capas de jornais.
Os anos subsequentes foram vividos com alegria, ainda que a união tenha surgido por conta de conveniências familiares, Henri e Madeleine se completavam. Apesar de sua rigidez natural, o jovem adulto sabia ser carinhoso e até bastante afetuoso. Jamais se opôs a sustentar os luxos da esposa, mesmo sabendo perfeitamente que ela era mais do que capaz de adquirir tudo o que desejasse por conta própria. Pragmáticos, gostavam de planejar e queriam, obviamente, ter filhos; um casal, menino e menina. Madeleine estava pronta para engravidar quando, lamentavelmente, a guerra veio.
Em 1914, a Primeira Guerra Mundial teve início e o norte da França foi um dos primeiros alvos da ocupação alemã. O exército alemão avançou rapidamente e Lille acabou se tornando uma cidade sitiada. Contudo, como pessoas letradas e cultas, já acompanhavam, diariamente, os jornais, os britânicos em especial. Percebendo que a cidade seria alvo de invasão, antes mesmo de acontecer, os Levesque foram espertos em começar a providenciar os documentos necessários para uma possível migração forçada e, como uma das famílias ricas e com capital internacional, foram os primeiros a evacuar. Henri e Madeleine fugiram poucos meses antes da ocupação militar, no mês de setembro, deixaram o luxuoso casarão para trás, levando poucas malas e só com o necessário. Lille, em outubro, foi duramente bombardeada.
Fugiram por uma rota alternativa, já que, por conta da proximidade com a Bélgica, as principais estradas já estavam sendo monitoradas pelos inimigos. Precisaram se deslocar até uma cidade pequena, para que pudessem embarcar numa plataforma simplista e pequena, sem levantar maiores suspeitas. De trem, Henri e Madeleine têm uma viagem tensa, a ansiedade era palpável; os bombardeios distantes estremeciam as janelas do veículo, fazendo com que Madeleine precisasse se agarrar ao próprio vestido em uma falha maneira de conter as emoções. Alerta de gatilho: aborto. Ela não contou ao marido, porém, antes mesmo de saírem de casa, já sentia uma dor extremamente forte em seu ventre — não queria preocupar Henri, os ânimos estavam à flor da pele. A cada solavanco, precisava disfarçar a feição, insistindo em manter a postura impecável costumeira. Quando, finalmente, chegaram em Dunquerque, as pernas lhe falharam assim que pisou na plataforma, Henri foi rápido e a segurou antes que chegasse completamente ao chão. Seu vestido, extremamente amarrotado, estava ensanguentado. Saúde e enfermidades não eram o seu forte, em desespero, gritou por ajuda e, por sorte, voluntários britânicos presentes ali conseguiram socorrê-la. Foi naquele trem quente e úmido, instável, em que perdeu o seu primeiro bêbe.
A guerra lhe tirou a família, a casa, os bens materiais e a estabilidade. E mesmo assim, Madeleine foi forte e embarcou no último navio civil britânico da semana, partindo em direção a Dover, no condado de Kent. Foram recebidos por autoridades britânicas e por voluntários da Cruz Vermelha antes que pudessem, mais uma vez, embarcar no trem com destino a Londres. Desta vez, a viagem foi certamente melhor, agradável e relativamente rápida. Conseguiram dormir, juntos, de dedos entrelaçados. Henri respirou aliviado ao descer na cidade que tão bem conhecia, sendo recebidos por representantes do consulado francês e por seus amigos, que rapidamente se prontificaram para ajudar com as malas. O casal precisou de hospedagem temporária até que a transferência de bens financeiros fossem concluídos integralmente, porém, assim que tudo se regularizou, os Levesque se mantiveram na cidade inglesa até 1917, em relativa segurança; contudo, os Estados Unidos parecia uma terra com novas oportunidades e de sonhos promissores. Em julho de 1918, eles resolvem cruzar o Atlântico e se estabelecer em Nova Iorque.
Julien nasceu no décimo dia do mês de março de 1919, em plena primavera. É claro que foi muitíssimo bem recebido pela família e por Fleur, uma cocker spaniel, que imediatamente o adotou como se fosse um filhote. Sua infância foi, basicamente, uma forma de recriar a França em pleno Upper East Side, em casa, só se conversava em francês. Jamais abriram mão das tradições — ele estudou piano, aprendeu etiqueta antes mesmo de conseguir amarrar os próprios cadarços e, ainda criança, estava em todos os campeonatos de tênis e natação. Contudo, Henri e Madeleine não eram capazes de bloquear a vivência americana, pois bem, Julien sempre gostou bastante da liberdade. Embora muito inteligente, também era um tanto quanto levado, adorava correr pelo jardim e se esconder das governantas, as deixando desesperadas em busca do pequeno herdeiro. É claro que as peripécias não passavam em branco, era castigado, mas a mãe não permitia que seu pai o batesse, pois bem, ele era, de fato, o menininho da mamãe.
Sua natureza era diferente da qual seus pais tinham idealizado, mesmo que fosse um gênio do piano, que gostasse de passar horas lendo, ainda saia de casa no fim da tarde para brincar com os amigos e sequer fazia questão de comunicá-lo; pronto para ultrapassar certos limites, mais do que a educação refinada o permitia. Ora era elogiado pelas notas altas, ora era repreendido por tentar escalar o muro do colégio para matar aula, com Julien, o próximo passo era sempre um mistério. Competitivo, habilidoso e absurdamente gentil, educado e, quando queria, muito disciplinado. Henri o observava com uma mistura de orgulho e frustração, ainda que não aprovasse a rebeldia, enxergava valor em suas atitudes; repreender era importante, pois prezava pela segurança do rapaz, porém, vê-lo desfrutar de plena liberdade o enchia de alegria.
Durante a adolescência, Julien pediu que os pais o transferissem do colégio, um completamente americano. Já estava cansado da mesmice, mesmo que adorasse os amigos. Apesar de desgostoso com a ideia, o pai permitiu que a transferência ocorresse, porém, mantiveram o nível educacional, matriculando-o em um colégio de renome. Lá, o adolescente conhece, mais intimamente, o futebol americano, que logo tornou-se uma paixão. Mesmo que não tivesse atingido a maioridade, Julien era um garoto mais alto do que o restante, além de possuir um físico verdadeiramente esportivo e aptidão para tal. Em seis meses, ele se tornou a estrela do colégio, extremamente popular e querido, bem, pela grande maioria. Durante a época, passou a frequentar, ainda mais, clubes e bailes, já que adorava dançar e escutar jazz — dono de um charme herdado completamente de Madeleine.
O coração adolescente, quando se parte, doí muito mais que um coração partido em qualquer outra idade. Julien apaixonou-se por Barbara, bolsista e companheira de classe e, em especial, durante as aulas de literatura inglesa, nas quais formavam uma dupla. Além de linda, a menina era tão inteligente quanto ele, porém, pelo motivo que fosse, ela parecia muito melhor, em todos os aspectos. Não havia quem não falasse do casal de pombinhos, Julian fazia questão de presenteá-la todas as manhãs com bolos, mil-folhas ou éclairs que a mãe fazia questão de assar logo no início do dia. De modo geral, sempre tinha algo para lhe dar, Barbara ganhava colares e anéis de ouro, sapatos de marca, dos mais aromáticos perfumes franceses e, é claro, um milhão de beijos apaixonados. Não estava nem aí para a opinião dos pais, mesmo que o alertasse pois aquela era uma menina de classe média apenas, não era como ele, um nascido do dinheiro. Julien queria se casar, ainda que não tivesse alcançado a adultez, queria colocar um anel de noivado no dedo de Barbara.
Criado no luxo, não percebeu que, cada vez mais, a namorada pedia por mais. Demorou meses, porém, a verdade logo chegou aos seus ouvidos; por suas costas, Barbara se gabava do idiota rico que namorava, penhorou algumas das jóias que havia recido e, com elas, havia conseguido uma boa bolada. E, para piorar a situação, enquanto estava com Julien, mantinha também um outro relacionamento com um rapaz mais novo. O Levesque ficou destruído ao descobrir, é claro; o coração fervia em paixão. Os pais pensaram que havia enlouquecido até! Um tolo sentimental. Ficou uma semana se alimentando pouco dormindo mais que o comum. Henri e Madeleine, então, pediram cuidado redobrado, porque, de acordo com eles, havia muitas pessoas interesseiras em Nova Iorque. E assim foi feito, demorou para namorar novamente, mas, jamais repetiu a tolice de se expor de tal maneira novamente.
Quando completou dezoito anos de idade, Julien já falava dois idiomas fluentemente, tocava piano com extrema graça e possuía um talento natural para esportes. E, com uma bolsa esportiva, iniciou os estudos na Universidade de Columbia, em administração. Contudo, aquela não era a sua vontade; Julien tinha planos próprios, queria viajar, passar o verão na França, visitar museus, teatros, ou até mesmo atravessar a Europa a pé, que fosse! Não aguentou muito tempo, largou o curso em aos vinte anos de idade e, em como se fosse um surto de euforia, alistou-se na marinha no ano de 1942 e, apesar do porte e da aptidão para tal, foi dispensado no ano seguinte, por um motivo que o deixou cheio de raiva e indignação. Levesque, desde que conheceu os amigos, evita a exposição desnecessária pois sabe que, a maioria deles, vem de famílias e históricos sofridos. Além do mais, com tamanha fortuna, a exposição acaba sendo um tanto quanto perigosa.
A verdade é que está extremamente perdido, embora tenha recebido a melhor educação possível. Julien vive com seu caderno de escrita, com capa em couro, rabiscado e com algumas páginas amassadas.
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(aaron taylor-johnson, homem cisgênero, 29) esse é FRANK O'SHEA caminhando pelo Village. ele é conhecido como O PINTOR, e veio de NOVA IORQUE. fairfax sempre pensa em fumaça de cigarro em becos frios, mãos e roupas sujas de tinta, noites de chuva torrencial condensando as janelas, poemas rabiscados às pressas, quadros sombrios com traços oníricos quando pensa nele. será que FRANKENSTEIN ficará para a história, ou será enterrado?
Existem homens forjados em ouro maciço, polidos desde o berço para refletir a luz dos salões e ocupar as colunas sociais com a naturalidade de quem ocupa uma trincheira. O pai de O’Shea era a própria definição desse homem solar e implacável. E talvez por isso, com uma crueldade casual, gostasse de lembrar ao filho que ele pertencia à sombra, aos bastidores da existência, aludindo àquelas partes de O’Shea que a família jamais ousaria nomear em voz alta entre suas paredes de gesso impecável.
Frank cresceu em uma casa que aprendeu a prosperar com a guerra. Seu pai, Thomas O’Shea, é um dos nomes mais influentes do setor armamentista e da mineração de carvão; um homem que enxerga conflitos globais como motores inevitáveis da economia e vê a construção de armas como “um mal necessário”, embora sempre o descrevesse com uma frieza que nunca deixou de gelar o filho.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a família enriqueceu como nunca. A casa onde Frankie cresceu era atravessada por reuniões, contratos e visitas de militares que tratavam morte como estatística. Ele, pequeno demais para compreender, absorvia tudo como imagens soltas: botas sujas de neve no tapete da sala, mapas riscados sobre a mesa de jantar, o cheiro metálico de óleo e pólvora vindo das mãos do pai…
Foi naquele período que entendeu, ainda criança, que o mundo em que vivia era construído sobre violência transformada em negócio e que esperavam que ele desse continuidade a isso. Nada jamais foi tão assustador, pensar em perpetuar a violência e a morte, como alguém que ganha dinheiro e constrói um império em cima da vida que se perde. Quando começou a compreender de onde vinham os dólares que pagavam seus tutores caros e suas roupas de grife, sentiu-se mais do que nunca alguém sujo. Mais de uma vez buscou a igreja para confessar seus pecados, mas havia algo em seu coração que sabia jamais ser capaz de mudar.
Começou com olhares longos demais para serem inocentes para os rapazes que trabalhavam na mansão e que frequentavam as mesmas galas opulentas. As mulheres eram musas que eram capazes de lhe inspirar, mas jamais faziam ferver seu sangue. A descoberta de que era gay só tornou sua vida ainda mais infernal, sabendo bem o que seu pai poderia ser capaz de fazer, então tentou ao máximo esconder qualquer tipo de atitude ou olhar que mostrasse para onde iam seus afetos.
Sua mãe, Elisabeth, era o oposto de seu pai: suave, culta, formada em literatura francesa e amante das artes. No entanto, vivia submersa num silêncio quase ritual. Nunca confrontou o marido diretamente, mas tentava, em gestos mínimos, afastar o filho da sombra da fábrica de armamentos, guiando-o para livros, música e a vida que existia além das paredes da mansão.
Ela sempre foi a primeira a enxergar a sensibilidade artística de Frank, e a última a ter força para defendê-lo. Sentia-se prisioneira de um casamento que era mais um acordo político entre famílias do que uma união real. A maternidade foi sua única trincheira e, ao mesmo tempo, sua única derrota.
Mas ela não era perfeita, e mesmo sabendo do sangue nas notas, amava chafurdar no luxo e sediar eventos para colecionadores de arte que nunca seguraram um pincel, patronos de museus que tratavam a beleza como ativo financeiro. Ainda assim, ela foi sua principal incentivados, e não poupava em lhe dar os melhores tutores para lhe ensinar.
Mas com toda aquela pressão silenciosa, precisou aprender a arte da performance: a postura inatacável, o comportamento ensaiado, a vida como um script sem falhas. Ensinaram-lhe a ser um espelho, nunca uma janela. O que jamais lhe ensinaram foi como ser, simplesmente, ele mesmo. E, durante uma juventude inteira, ele confundiu essa ausência de instrução com a sua própria inexistência, apagando pouco a pouco qualquer traço que pudesse denotar delicadeza ou suavidade, qualquer coisa que colocasse em cheque sua masculinidade.
Enquanto os outros herdeiros da elite colecionavam promessas de futuro e diplomas estratégicos, ele colecionava cadernetas. Eram pequenos livros de couro, puídos pelo uso, onde ele registrava o mundo e seus próprios abismos com a intensidade febril de quem teme que sua própria alma evapore se não for expressa. Eram incontáveis as fugas das aulas com tutores caríssimos para se embrenhar nas ruas sujas e vivas da cidade com garotos que não sabiam seu sobrenome, para experimentar a normalidade e as brincadeiras despreocupadas. Naqueles momentos, sentia que poderia engolir o mundo inteiro, um ato de rebeldia que valia cada segundo dos castigos severos que seu pai aplicaria depois.
O piano lhe foi imposto cedo, uma exigência estética de sua mãe, mais uma peça de mobília para exibir. A pintura veio tarde, como um grito abafado, uma fuga desesperada. E a poesia… a poesia cresceu nele como hera subindo por um muro de pedra: inevitável, úmida, persistente e viva.
Foi entre pinceladas tortas e acordes dissonantes que ele descobriu pequenas frestas por onde conseguia respirar. A arte tornou-se seu refúgio sagrado e sua falha mais honesta. A tela aceitava o que o mármore de sua casa rejeitava: o medo paralisante de decepcionar o pai, a pressão sufocante de ser um herdeiro, a própria sexualidade que aprendeu a trancar a sete chaves, os amores que sabe que estão destinados a morrer na imaginação antes que um casamento arranjado lhe sele o destino.
Seus quadros são as janelas para o mundo que lhe é negado: paisagens góticas, oníricas e viscerais, onde as cores parecem sangrar e os sonhos têm a audácia de se recusar a morrer. O'Shea pinta seus desejos proibidos, seus cenários impossíveis e seus tormentos mais íntimos. Naquele espaço sujo de tinta, ele existe sem pedir licença.
Seu plano de carreira já havia sido traçado por seu pai, que dizia que ele tinha que cursar economia, administração ou engenharia, para conseguir suceder bem os negócios. Frank que durante toda a sua vida abaixara a cabeça, decidiu fazer algo por si mesmo e escolheu Belas Artes. A surra que levou naquele dia jamais seria esquecida, tanto em sua cabeça quanto em seu corpo. Thomas ficou irado, berrando que não criara um filho para ser uma Florzinha e que aquilo era culpa de sua mãe. Durante o regime, era proibido a “sodomia” e seu pai fez questão de frizar o quanto isso era uma aberração. Não foi motivado só pela escolha do curso na faculdade, mas por todo o conjunto de comportamentos de Frank. Porém, deserdá-lo seria um escândalo e levantaria olhares e suspeitas sobre a família, e uma espécie de guerra fria se iniciou entre ele e seu pai.
A partida para a Universidade Columbia foi, simultaneamente, uma bênção e um exílio. Lá, tornou-se o tipo de estudante que fascina os professores e afasta os colegas: brilhante, de uma arrogância defensiva, sarcástico e atento demais para ser uma companhia confortável. Carregava consigo uma aura que misturava erudição com um desdém calculado, um charme estranho, quase perigoso, que mantinha todos a uma distância segura.
Não sabe ser gentil na maior parte do tempo; a gentileza foi uma língua que nunca foi falada em sua casa. Seu instinto é o da lâmina fina, pronta para o corte, não o da mão aberta para o afago. Ele aprendeu, da pior forma, onde a ingenuidade pode levar alguém como ele.
Para ele, as pessoas são como tempestades: úteis como inspiração dramática, mas perigosas se você permitir a intimidade da chuva.
Ele as coleta e descarta com uma certa crueldade poética, não por sadismo mas por pura defesa. É um mecanismo de sobrevivência: ferir antes de ser ferido. Mas há uma pergunta que ronda suas noites insones: até onde ele precisará sustentar essa armadura quando as exigências de sua família entrarem em rota de colisão definitiva com a sua própria chance de felicidade?
O grupo foi o primeiro bálsamo em feridas antigas. Ali, ele encontrou um lugar improvável onde o ar parecia menos rarefeito, um espaço seguro que lhe permitiu começar a baixar a guarda, centímetro por centímetro, para o mundo. E, pela primeira vez, se permitir o ato mais radical de rebeldia que já conheceu: simplesmente ser.
(jensen ackles, cisgênero masculino, 27 anos) esse é JASON KEEGAN caminhando pelo Village. ele é conhecido como O FAZ TUDO, e veio de CINCINNATTI. fairfax sempra pensa em palavras riscadas, charutos, roupas bem ajustadas, mãos enfaixadas e aneís dourados quando pensa nele. será que JACE ficará para a história, ou será enterrado?
Se houvesse uma palavra para descrever a infância de Jason seria instabilidade. Sua mãe faleceu quando ainda era muito pequeno, deixando-o sob os cuidados do pai, cuja vida gradualmente se deteriorou com o alcoolismo. O genitor não possuía emprego de sustento e o pouco do que tinha era direcionado para o pagamento de dívidas que acumulava devido a apostas. A única figura familiar que possuía era a avó materna, que tentava fazer o mínimo para garantir que o garoto tivesse alimento e roupas para vestir, mesmo que não fossem as melhores. Infelizmente, a doença da idosa, que já estava avançada assim que o garoto nasceu, terminou de findar a vida dela aos 8 anos.
TW: VIOLÊNCIA. A falta de qualquer estrutura na vida de Jason fez com que não tivesse opções. Vivia malcheiroso, uma característica de uma casa insalubre. O pai, que definhava em frente ao filho, começou a culpá-lo pelo presente catastrófico que estavam. Se ele não tivesse sido tolo o suficiente para nascer, se tivesse trabalhado desde criança, se não tivesse permitido que afundasse em bebida. Tudo era culpa do Jason, pelo que alegava o genitor. O alcoolismo, é claro, se demonstrava cada vez mais presente e evoluía com velocidade. As agressões, que antes limitavam-se a xingamentos, começaram a crescer para atos físicos. As cicatrizes e roxos começaram a fazer parte do dia-a-dia de Jason.
A fome, combinado com tudo que estava acontecendo em sua casa, fez com que o garoto, ainda novo, precisasse fazer o necessário para sobreviver. Os crimes começaram a fazer parte da vida do pequeno Jason, que se recusava a desistir da própria vida. Aos 14 anos foi detido pela primeira vez por roubo de carros; aos 16, voltou para a detenção juvenil. Esses episódios o afastaram ainda mais da escola, até que um professor — uma das poucas figuras adultas que não desistiram dele — começou a incentivá-lo a se dedicar às aulas e buscar um emprego. Pela primeira vez, Jason acreditou que houvesse um futuro. Na aula, ousava sonhar em uma realidade diferente da sua. O pai, no entanto, não estava feliz em vê-lo daquela forma: se dedicando, trabalhando como caixa em uma loja e, finalmente, colocando a vida nos eixos.
A dívida do genitor apenas aumentava e, para tentar aliviar, colocou o nome de Jace como um dos responsáveis pelo pagamento. Quando descobriu o que tinha acontecido, era tarde demais. Alta e improvável, o garoto sabia que apenas com o trabalho de caixa não conseguiria pagar o que era necessário. As ameaças não eram mais somente do pai, mas sim de terceiros. Quando começou a ser perseguido assim que saía da escola, viu que não tinha mais opção: deveria voltar aos crimes.
Aos 18 anos, Jason foi preso novamente. A fiança, paga pelo professor, marcou o início de uma relação que, com o tempo, se tornou mais sólida e paterna do que qualquer laço que Keegan tivesse conhecido. A verdade é que desejava contar uma bela história de como colocou todas as dificuldades de lado e se tornou uma pessoa exemplar, mas a realidade continuou sendo dura para Jason. Ele era um homem pobre, tentando fazer o máximo para que não acabasse em uma situação tão terrível quanto a anterior. Continuou vivendo à margem, envolvido em pequenos crimes na cidade.
Aos 25 anos, entretanto, se casou e decidiu abandonar Cincinnati em busca de um recomeço. Mudou-se com a esposa para Nova Iorque, onde o mesmo professor, que lhe deu uma chance quando era adolescente, o apresentou a Levesque, um conhecido de sua época em Columbia. A conexão entre os dois foi imediata, e Keegan foi rapidamente integrado ao círculo de amizades de Levesque. Acreditava ser impossível desenvolver amizades: era sempre o menos desejado, o menos querido. Para sempre, invisibilizado em uma sociedade que o odiava. Buscou, em todas as relações, uma tentativa do afeto que nunca recebeu, não sabendo exatamente o que estava sentindo e o que deveria fazer. Havia mais uma necessidade de ser aceito do que qualquer outra coisa.