musesmi:
As orbes castanhas arregalaram-se em surpresa, percebendo que havia passado a impressão errada ao homem. — O quê? Não! De forma alguma! A Robin é encantadora, qualquer um do colégio poderia confirmar isso. E ela sempre se mostra muito interessada nas aulas, além de ter uma visão espacial e artística admiráveis para a idade. Então posso assegurar que não tem qualquer motivo para se preocupar. A reunião… Bem, é algo rotineiro do colégio. A intenção é trazer um acompanhamento de perto, para assegurar o melhor desenvolvimento das crianças. — Suas palavras soaram mais rápidas do que o normal, demonstrando parte de sua agitação. —Ah, sim. — Ela assentiu e o pesar que tomou sua voz evidenciava o quanto estava insatisfeita com o que ocorria. — Essa é uma situação que estamos lidando com o auxílio da psicóloga e da treinadora do time. Infelizmente, algumas das meninas aparentam possuir ideias um tanto… Tradicionais. Hum. Como eu posso explicar? Apesar de serem tão novas, tem aquelas que acreditam que garotas não deveriam estar em esportes como baseball, basquete ou futebol. Por “não ser para garotas”. O que, claro, é uma ideia extremamente ultrapassada e preconceituosa. E por isso estamos incentivando a participação em novos times, além de trazendo atletas para conversarem um pouco sobre suas paixões. Para que elas possam enxergar que esses esportes não afetam em nada em seu lado mais feminino. Entende? — Aquelas iniciativas haviam sido ideias suas, motivadas pela necessidade de assegurar que jamais visse a Borrmann chorar novamente. — Se eu puder ser sincera… É uma situação de partir o coração. Por sorte eu consegui convencer a Robin de não desistir do time, mas sei que ela vai precisar de todo apoio que conseguir. Se o senhor puder assistir aos jogos, tenho certeza de que ela vai se sentir muito mais confiante. E, somado a isso, já é possível ver algumas mudanças de mentalidade na turma, algumas das meninas estão começando a se interessar pelos esporte. Estou certa de que estamos tendo avanços, mas não deixa de ser uma situação delicada. E a Robin está se mostrando extremamente forte.
O suspiro aliviado que saiu do corpo de Andrew pareceu tão intenso que o fez apoiar o corpo em uma das carteiras na sala, sem claro, deixar de manter a postura intacta. Os últimos dois anos haviam sido difíceis não somente para os filhos que haviam perdido a mãe mas, para o promotor, que ficou sem sua companheira de vida e bussola familiar. Martha era muito melhor que ele naquele tipo de situação e, talvez em qualquer outra. De toda forma, bem...Agora ele era o que as crianças tinham, então, tentava dar seu melhor para conseguir acompanhá-las e guia-las pela vida. Assentiu positivamente com a cabeça, tentando prestar atenção a cada uma das coisas que lhe era dita. Entortando o lábio um pouco para a esquerda, ao ouvir sobre o comportamento das outras crianças em relação a filha. Algo que, de certa forma explicava ter flagrado a jovem tentando apreender a usar maquiagem ou coisa assim com a irmã mais velha e a tia. – Entendo. Bem, eu fico realmente contente que esse tipo de atividade esteja sendo incentivado na escola. E fico feliz por conseguir esclarecer melhor o que vem acontecendo, assim posso sentar e conversar abertamente com a Robin, sobre. – A cabeça assentiu diversas vezes assim que ouvia cada uma das orientações passadas pela professora, sabia que seria importante utilizá-las em casa, afim de otimizar o ambiente de confiança que tinha a intenção de criar. – Eu não consigo nem te agradecer o suficiente por ter feito ela continuar. Realmente sinto que o esporte é algo que faz bem para ela e, bem...Eu tenho sido um tanto ausente nos últimos tempos mas, pretendo melhorar isso. Obrigado pelo feedback.















