O nosso cupido é o resultado de inúmeros anos de LSD contínuo. Eu não sei o que deu na cabeça dele juntar duas pessoas que não podem se ter, não podem se tocar e muito menos olhar um pro outro pra dizer de "eu te amo" à "que pizza vamos pedir hoje?". Mas a gente quer cada pedacinho um do outro, o que é inegável até pra um bebê de 6 meses. E talvez a vontade um do outro e a vontade de ter algo seja o que nos mova até aqui. Ele é mineiro, eu sou gaúcha. Ele fala coisas como "cê", "trem". Diminui as palavras terminando com n: "pretin", "cachorrin", essas coisas. Ele é demais. Eu demorei meses pra não rir desse sotaque e agora demoro minutos pra saber que não quero esquecer deles - do sotaque e do homem. Esses dias eu parei a minha cachorrinha filhote e perguntei pra ela se eu iria encontrar algum outro homem que quisesse me entender como ele. Porque vários me entendem, eu nem sou uma pessoa tão difícil assim. Mas querer me entender, querer me ajudar, querer estar - simplesmente estar -, só ele. Só ele. Há anos. Apenas ele. Ele. Fui pra festas populares, fui pra pub's famosos, vi caras maravilhosos, me envolvi com caras compatíveis, mas nenhuma dessas coisas, nenhuma dessas pessoas, nunca - atenção, NUNCA - chegaram à sola do pé do mineiro que fala "trem". Eu amo ele. Com tudo o que eu posso. E cara, que trem mais estranho, mas cê tem que saber que eu faria tudo pra estar com o meu pretin.
Eduarda Leichtweis.













