H PRODUCER — ASTRE’S INTRODUCTION VIDEO.
Finalmente. Após cinco anos treinando, finalmente uma oportunidade de mostrar suas habilidades aparecera. Não seria fácil, ele sabia — mas qualquer coisa era melhor que continuar esquecido nos níveis mais baixos da H.M Ent, assistindo seus amigos debutarem enquanto continuava a molhar blusas e mais blusas com suor sem obter nenhum resultado. A insegurança e a dúvida sobre si mesmo constantemente aumentando e a ansiedade o sufocando cada vez que não ouvia seu nome ser chamado pelos managers e diretores.
Sentado aos outros trainees, estava nervoso. As palmas levemente suadas e as batidas de seu coração parecendo mais altas. Estava começando a arranhar a espuma da fantasia que trouxera quando ouviu seu nome ser chamado. Se levantou num pulo, a expressão nervosa sendo substituída por um enorme sorriso. Aquela era a hora, sua primeira oportunidade de causar uma boa impressão. Educadamente, fez reverências para todos os staffs, os oferecendo sorrisos e singelos cumprimentos. Então, um deles indicou onde deveria parar e pediu para que esperasse um sinal para começar.
Primeiro, respirou fundo. Depois, colocou a cabeça de peixe que trouxera consigo. Pensara muito em como se apresentaria, como deixaria que outros soubessem quem ele era. Queria mostrar sua personalidade descontraída, mas não podia deixar de exibir sua dança — passara cada instante dos últimos cinco anos se esforçando para melhorar cada aspecto de seus movimentos e estava contando com essa habilidade para ganhar. Planejara cada detalhe de seu visual naquele dia, desde o tênis até sua maquiagem e cabelo; e claro, a cabeça de peixe que era o item principal. Passara um pouco de brilho nos olhos e colocara sua calça mais justa para mostrar a forma de seu corpo pequenininho, colocando a barra da blusa de mangas cumpridas dentro da calça para um efeito mais “cute boy”. Se Astre queria se destacar, não podia deixar nenhuma oportunidade passar e se aproveitar de sua aparência e comportamento relativamente andróginos era um começo.
E então, veio o sinal.
Sawasdee Krab! Annyeonghaseyo! Eu sou o Astre Kulap Leekpai que veio da Tailândia! Eu sou trainee há cinco anos na H.M Entertainment e meu sonho é dançar num palco! Não importa se é para uma ou milhares de pessoas, se eu puder dançar eu estarei feliz!
Mostrou o seu melhor sorriso para a câmera, aproveitando para respirar fundo de novo. Esperava que seu nervosismo não estivesse se mostrando muito.
Eu fui criado em Samut Songkhram, uma cidade cercada pela água. Então, além de saber dançar, eu também consigo nomear mais de 50 espécies de criaturas marinhas! E bem, esse é o meu talento pessoal que irei demonstrar! Ou mais ou menos. Quando eu sinto saudades de casa eu penso na água e nos peixes, e como eu gostava de observá-los. E sabe, a água se move de uma maneira muito calma e alguns peixes são muito engraçados: então eu gosto de coreografar danças e movimentos baseado em ambos! E eu vou mostrar dois hoje!
Por um minuto se perguntou o que seu pai pensaria caso visse aquele vídeo. Tudo o quê seu velho o ensinara sobre a profissão da família sendo misturado em sua paixão que o homem tanto reprovava. Desgosto? Orgulho? Nenhum? Provavelmente o primeiro.
Primeiro, a lula!
Essa era sua rotina favorita. Era uma coreografia curta de poppin’, com pouco mais de um minutinho. A rotina exibia a flexibilidade de seu corpo além de suas habilidades; estar com a cabeça de peixe, entretanto, deixava tudo ligeiramente bobo. E era essa sua intenção. Optara por demonstrar duas coreografias com seus estilos favoritos: balé e street dance/hip ho. Além de popping ser o favorito de todo mundo — o público sempre ama aqueles que sabem fazer popping. Era um estilo que nunca deixava de impressionar. Terminou a dança com um largo sorriso, juntando as mãos atrás do corpo.
Agora, o Macrocheira kaempferi! Conhecido como Caranguejo-Aranha! Uh, primeiro deixa eu tirar isso fora.
Aquela fantasia era grande demais para dançar sua outra coreografia com ela; então a removeu, quase tropeçando no próprio pé ao abaixar a cabeça para retirá-la. Oops. Colocou a fantasia num cantinho e voltou sua atenção para a câmera. Limpou a garganta, agachando no chão. A seguir, afastou as pernas e os braços, ficando de barriga para o piso de madeira: uma posição muito estranha e embaraçosa. Com o canto dos olhos conseguia ver um dos staff na sala segurando o riso, e soube que seu objetivo seria alcançado. Então, a música começou e ele seguiu a dançar. E embora ainda tivesse um efeito cômico e estranho, ele sabia que era um tanto impressionante.Era uma rotina curta de balé, não passando de um minuto. Aproveitara para usar toda a elasticidade de seu corpo, misturando o ridículo ao clássico e criando uma coreografia estranhamente incrível. Mas ainda muito cômica combinando com sua personalidade. Ao fim, sorriu tão largamente quanto antes, juntando ambas as mãos numa palma e fazendo uma breve reverência.
Produtores nacionais, esse foi Astre Kulap Leekpai da Tailândia. Eu espero que eu tenha trazido pelo menos um sorrisinho pra vocês. Por favor, cuidem bem de mim ao longo do programa.
E com uma última reverência com as mãos juntas, digna dos costumes de seu país, a câmera desligou.












