Arthur suava frio enquanto dizia ao porteiro o motivo de sua vinda. E como era seu dia de sorte, a garota já havia avisado o homem. O funcionário prontamente abriu a garagem para ele estacionar seu carro e lhe apontou a vaga. Quando desligou o veículo, ficou alguns minutos parado, checando seus papéis e sua aparência - era um homem vaidoso, não importasse o quanto dizia o contrário - e quando sentia que estava pronto... Ficou mais alguns minutos parado. Tentou enganar a si mesmo, checando seus emails pelo celular enquanto chupava uma bala forte de menta, numa ultima tentativa de afastar sua ansiedade e frustração. Novos alunos sempre mexiam com ele. Principalmente novas alunas. E, em especial, alunas como Maxine. A garota parecia dedicada em aprender latim, o que aumentava suas inseguranças como professor. E se ele não soubesse a responder corretamente? Secretamente, desejava que seus alunos fossem o mais ignorantes possíveis em relação à língua que estudariam. Se sentia mais imponente dessa forma. Além de que, quanto menos eles soubessem, mais aulas teriam, e consequentemente, pagariam mais. Sim, Arthur chegava a esse ponto por dinheiro. Sabia que tinha mais do que o suficiente, porém, acreditava que grana nunca era demais. E, ao julgar pelo luxo do condomínio, Maxine tinha uma bela independência financeira. Suas unhas eram as mais curtas possíveis, uma vez que ele mordeu todas elas enquanto subia pelo elevador. Olhou o papel em sua mão, "5° andar, apartamento 504". Respirou fundo e seguiu pelo estreito corredor. A placa com o numero do apartamento era discreta e esbanjava bom gosto, assim como todo o prédio. Ia bater na porta, mas hesitou. Respirou fundo novamente e, com um pouco mais de confiança, deu três toques na madeira escura e pesada. Em menos de um minuto, uma moça com cabelos cor de mel apareceu, e o convidou para entrar. - Você deve ser a Maxine. Me chamo Arthur, supostamente seu professor de latim - afirmou, incomodado com o lugar. A estante branca era o móvel mais notável da sala de estar. E seria muito mais distinta se tudo não fosse branco. Cortinas brancas, piso branco com padrões florais em cinza claro, a mesa de centro, de vidro, destacando o tapete felpudo, e, obviamente, branco. - Você já teve aulas de latim antes? - Foi tudo o que conseguiu perguntar, ainda um pouco atordoado com a claridade do lugar.