Dia dos pais chegou e eu só peço que não me deem os parabéns por esse dia, nem tampouco me chamem de PÃE. Eu não sou pãe, eu sou MÃE, e quando vocês nos chamam assim, ajudam a perpetuar esse conformismo, a normalidade, de que a mulher sozinha, essa “guerreira”, consegue dar conta da função de mãe e pai. Não é legal ser pãe, na verdade dói. O patriarcado e o machismo permitem que esse tipo de termo apareça. Permitem que a paternidade não seja compulsória, como é para nós, que seja facultativa, que seja apenas quando esse pai arruma na sua agenda um tempo para ver o filho, como sempre colocaram nas nossas cabeças de que todas nós nascemos para sermos mães, deixando para o homem o benefício de que ele não nasce com o instinto paterno, e que tá tudo bem se ele não se compromete em desenvolvê-lo. O fato é que: por trás da “pãe”, da “guerreira”, tem uma mulher sobrecarregada, por muitas vezes doente. O mito da “pãe” acaricia a cabeça desse pai ausente, evidencia que tá tudo bem, não há problema se uma das partes não cumpre a sua obrigação, há sempre uma mulher que vai abdicar da sua vida pra assumir, cuidar, se negar, para criar esse filho. Enquanto isso, esse homem usufrui da sua vida cheia de privilégios, segue como se nada tivesse acontecido. Eu quero sim ser apenas mãe, o que já me consome bastante. Posso até dizer que me adoece porque eu não sou apenas mãe, sou mulher e vivo esse conflito interno de ter que me livrar de culpas que não foram criadas por mim. Tenho meus anseios, meus sonhos, que são barrados ou dificultados, porque a sociedade simplesmente não cobra o porquê desse pai não ocupar o lugar que lhe é devido, e eu tenho que me desdobrar em várias para nem chegar perto de dar conta do mínimo. E vou pedir a vocês que nos acham "guerreiras", a partir de hoje, façam isso: questionem a maternidade compulsória e a paternidade facultativa. A desconstrução se faz necessária, e urgente! Texto: Dani Marques https://www.instagram.com/p/CSUQ-2VrTJ_pwUULLZaHvH36Y3HYOaCfEqrPg40/?utm_medium=tumblr