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@alankramer

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Pessoal da poesia! Estou lançando a coleção de livretos “Poemas Pichados em Praça Pública”.
Você não sente falta do sol, até uma nuvem cinzenta o cobrir e levar a luz embora. Você não sente falta da grama fresca, até ela ser soterrada por cimento. Você não sente falta daqueles que estão por perto, até eles te deixarem.
Tudo é instante e inconstante, você pode acordar no dia seguinte e nada ser como era antes. Então ame, ame com todo o coração, antes que as coisas se percam, ame enquanto ainda as tem. Ame incondicionalmente, porque amar é tudo o que podemos fazer.
C(ê/í)nico
Sempre odiei palhaços. Já reparou como todos têmum ar de decadência? Aquela necessidade de parecer feliz vinte e quatro horas por dia, aquele sorriso falso pintado no rosto, as brincadeiras sem graça, nada é mais triste do que alguém tentando parecer feliz.
Em toda a minha infância procurei evitar circos, festas e qualquer coisa que tivesse a possibilidade de dar de cara com um palhaço. Mas, como dizia meu velho pai, não há nada que tentamos evitar que não acabe atraindo diretamente para nós.
Tudo começou quando ele entrou pela porta do meu bar preferido e, com tantos lugares para sentar, escolheu justo o banco ao lado do meu. Ainda com um pouco da maquiagem no rosto, e com uma roupa que supostamente era para ser colorida, mas o tempo tratou de desbotar, sentou e pediu uma pura. De todos os palhaços tristes, esse parecia o mais triste para mim.
- Não sabia que o Boars estava fazendo festas infantis.
- Não está, mas esse foi o único lugar que encontrei aberto pra tomar uma.
- De fato, é o único.
- Circo na cidade?
- Não, comecei a trabalhar ali no sinal essa semana. Faço alguns truques, encho alguns balões, uma hora ou outra algum pai acaba tendo que tirar as moedas dos bolsos, ninguém quer o filho chorando na rua não é?
- Muito mais pra não passar vergonha do que qualquer outra coisa.
Na TV, um anúncio da chegada do circo na capital distrai a atenção do meu novo amigo. Era um daqueles grandes, com mágicos, elefantes, globo da morte, equilibristas, tudo que um grande circo precisa ter. Seus olhos brilhavam.
- Mas pelo que posso ver você tem maiores ambições, aquilo ali seria o ápice da sua carreira como palhaço, não?
- O que? Isso? – disse ele tirando o chapéu colorido e colocando em cima do balcão – Não, isso eu só faço pra conseguir alguns trocados. O que eu quero mesmo é estar lá. – e indicou a TV no momento em que mostrava um equilibrista andando numa corda minúscula a mais de vinte metros do chão.
- Sei, e como faz? Tem algum teste ou coisa assim?
- Uma vez fui pra capital e tinha um desses circos grandes fazendo testes. Me inscrevi, eu treinava muito naquela época e estava confiante da vaga. Fiz o percurso de forma perfeita, você precisava ver, eu flutuava sobre a corda. Tinha certeza que finalmente iam lembrar o meu nome e o da minha cidade, só tinha um problema, eu era o mais velho dos candidatos.
- Ah claro, rugas e rejeição andam juntas meu amigo.
- Disseram-me que eu não preenchia o perfil que eles procuravam. Escolheram um rosto bonito e jovem que morava na mesma cidade do circo, mais conveniente. Essa coisa de palhaço veio depois. Percebi que se vou ser piada para os outros, pelos menos posso ganhar algumas moedas.
- Mas desistiu do sonho?
- Não, ainda treino quando posso. Às vezes misturo com meus truques no sinal, equilibro-me no meio fio, mas algumas coisas além da idade têm atrapalhado meu equilíbrio. – disse apontando para o martelinho de cachaça sobre o balcão.
Tomou o que restava em um grande gole, levantou, e saiu decretando:
- Mas um dia levo o nome dessa cidade para fora, e todos saberão quem foi o maior equilibrista daqui.
Parece que o álcool mexeu mesmo com o ânimo do cara. Percebi que era hora de ir também. Essa conversa improvável me fez mudar minha percepção sobre os palhaços, ou desse em especifico, nada como um homem preso aos seus sonhos, para libertar outro.
Depois daquele dia, não conversei mais com ele. O vi algumas vezes no sinal próximo a praça, vendendo balões, mas nunca parei para saber como andava o sonho de equilibrista. Até um dia em que estava tomando uma gelada no Boars e a TV mostrava uma correria geral, bombeiros, ambulância, e vários curiosos acumulavam-se numa praça em frente a uma igreja. Foi quando reconheci, era nossa praça! A nossa igreja!
- Ei! Garçom! O que houve ali?
- Ah sim, sabe o palhaço da praça? Parece que o cara surtou. Hoje de manhã ele esticou uma corda da torre da igreja até a de sinal telefônico e tentou atravessar, mas acabou caindo no meio da avenida cara! Uma loucura! Está em todos os canais, olha – e ele trocava os canais sem parar, passando a mesma cena enquanto eu tentava acreditar no que acabava de ouvir.
Com um leve sorriso no rosto, falei quase que cochichando: - Filho da puta, não é que o desgraçado conseguiu! O garçom desligou a TV, e seguiu mais um dia de trabalho sem entender nada.
- Alan Kramer

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quem sabe um lance do destino quem sabe a sorte todos anseiam pelo amor como imortais anseiam a morte
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Súbito impasse A boca queria Que o ouvido falasse
- Alan Kramer (via alankramer)
Certeza II - Alan Kramer
Em parceria com a página Filosofão
Na aurora da infância A imaginação Não conhece distância
Alan Kramer (via alankramer)
O Poeta Não Sabe Nada
Por Alan Kramer
saber eu não sabia
mas a cada gesto
em cada abraço
uma nova luz luzia
no espaço
saber eu não sabia
mas cada vez que escrevia
algo ou alguém mudava
e eu mesmo, nem percebia
as insignificâncias
moviam o mundo
e também meu verso
e eu, disperso, só fazia
saber eu não sabia
mas desconfiava

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Sobre o que eu encontro nessas lojas de livros que só entro pra olhar.
Heavenly Father, You always amaze me.