Primeiros dias, primeiras impressões.
A paciente bariátrica voltou pra casa!
Hoje é sábado, dia 1 de dezembro, completando 72 horas desde que fui operada.
A cirurgia correu super bem na manhã de quarta-feira. Eu achei que não ia ficar nervosa e até estava bem, porém o bloco cirúrgico assusta. É bem aquela coisa de filme, as luzes, diversos equipamentos, eletrodos e vários fios entrelaçados no teu corpo. A equipe era um doce: me tranquilizaram e conversaram comigo até a hora da anestesia. O anestesista me deu um remédio calmante para aquela agitação passar, deu um soninho e eu fiquei mais calma. Então o cirurgião chegou. Com um sorriso largo no rosto, me perguntou se eu estava bem e pronta pra fase nova, eu disse que sim sem nem pensar duas vezes. O anestesista avisou que iriam começar a administrar a sedação... Depois disso não lembro de nada.
A cirurgia aconteceu por volta das 8:30h e acabou as 10h. Fui para recuperação, sem nem precisar de UTI.
Acordei em volta das 13:15, não lembro, era uma nuvem escura e eu estava super anestesiada. Acordei com uma dor LANCINANTE no meu estômago, a pior dor que eu senti na vida. Avisei que sentia dor algumas vezes, administraram morfina e mesmo assim: dor.
A fisioterapeuta chegou e eu falei MUITA coisa sem noção, como se estivesse bêbada. Mas a primeira coisa que eu disse era muito real: estou muito feliz de ter feito isso. Todo mundo no bloco me olhou com uma cara engraçada, porque pedi pra sentar com as pernas cruzadas e simplesmente sentei. Tinham picoteado meu estômago e eu estava lá, morrendo de dor, sentada com as pernas de Ãndio, tentando aliviar a dor.
Comecei a ficar ansiosa. Queria meu celular... Mas nada. Eles avisaram que eu sairia do bloco só as 15h.
De quinze em quinze minutos vinham ver meus sinais vitais.
Gente, se alguém disse pra vocês que não dói, É CILADA! Dói sim! Dói muito! Vá pra cirurgia sabendo que os primeiros dias podem vir a ser complicados.
Pra ajudar no processo, eu tive uma reação alérgica a morfina: tremores. Mas eu tremia como se estivesse morrendo de frio, ficava com as extremidades roxas e batia o queixo.
Na quarta-feira eu já recebi visitas mas não consegui estabelecer muita linha de pensamento. Eu estava bem dopada e dormia enquanto conversava com os médicos e amigos.
As noites eram ruins: ir no banheiro era ruim, me acordavam de hora em hora, não achavam minha pressão.
Dor, dor. Eu sentia muita dor... Eu queria ser forte e dizer que não precisava mais de remédios, mas na segunda noite eu precisei receber uma dose de morfina pra conseguir dormir. Não pensa que a morfina tirava a dor, eu ainda sentia, ela só era reduzida em uns 80%.
Sexta eu ainda tinha dor. Era o dia da alta e eu não queria mais ficar no hospital, mas tinha um medo de algo estar errado, afinal todo mundo disse que não ia doer e eu ainda estava me contorcendo de dor. O médico da minha equipe multidisciplinar veio e disse que ia passar. Eu estava bem, os sinais estavam bons e eu podia vir pra casa.
Eu cheguei e tentei ser o mais autônoma possÃvel, mesmo que doesse. Tomei banho sozinha, sentada, mas sozinha. Escovei meu cabelo, separei minhas coisas, me vesti, deitei. Parecia que eu tinha corrido uma maratona.
O tempo anda se estendendo. Ontem minha famÃlia já veio me ver, tomei o primeiro caldo feito em casa e precisei controlar minha ingestão de lÃquidos.
Outra coisa: não vá achando que tomar 100ml por hora é fácil. É ruim! Eu fico nauseada com facilidade. Por mais que eu queira cuidar para não ficar muito fraca, eu não tenho vontade de beber nada.
Agora a vontade de comer? É engraçado. Eu tenho vontade de comer... Eu tive vontades peculiares depois da cirurgia: um pastelzinho de festa, um pedaço de pizza, um temaki. O engraçado é que o desejo é simplesmente o gosto, só de pensar em engolir isso, eu já quero vomitar.
Agora eu sei bem a diferença entre fome e vontade de gulodice. A cabeça ainda está em processo de mudança.
Eu não me pesei ainda, até porque estou inchada. Mas fazem sete dias que eu não como nada sólido. Eu acho que já perdi algo em torno de 5/6kg.
Mas nada como passar o tempo pensando na vida nova, na relação mais saudável com a comida e com meu corpo, na minha autoestima. Eu sinto uma mega ansiedade em me ver daqui seis meses, quando eu já tiver perdido uma porção significativa do meu peso.
Eu estou super feliz, mesmo com dor, com soluços e com a dificuldade de tomar um copinho de água.
Isso tudo é um ato de amor e cuidado comigo mesma.