Rusty Beginnings | Rhys & Zara | March 78
Tudo começou com algumas garrafas de firewhiskey, como a maioria das loucuras acontecem, especialmente aquelas que estão destinadas a ficarem registradas para sempre na memória, como aquela parecia estar. Mesmo que tivessem sido oficialmente apresentados há pouco tempo, Rhys e o chaser recém contratado pelos Magpies já demonstravam um entrosamento único, o tipo de dinâmica geralmente vista em irmãos e velhos amigos. Cadwallader lembrava-se muito bem do menino de cabelos castanhos, muito tímido e magricela, um segundanista que o surpreendeu por voar muito bem em cima de uma vassoura para um garoto de doze anos de idade. Como capitão de quadribol do time de Gryffindor naquela época, o jovem Rhys de dezessete anos encorajou Greaves com um sincero elogio e o pedido de que tentasse uma vaga no time no futuro, porque novas gerações de jogadores eram sempre necessárias e nem todos pareciam ser tão promissores quanto Jeremy Greaves o era naquela época. Não teve tempo para constatar se o colega de casa havia seguido seu conselho porque os problemas familiares e a viagem a Bulgária pouco tempo após a formatura impediram que acompanhasse o que se passava na antiga escola que costumava ser seu lar, mas sentiu-se orgulhoso por, alguns anos depois, reconhecê-lo em jornais e revistas especializadas em quadribol. Um dos melhores jogadores de sua geração, era o que diziam, e Rhys Cadwallader sentiu-se privilegiado por já ter previsto isso há alguns anos atrás.
Nem mesmo a diferença de idade parecia ser um empecilho para eles, pelo contrário, Cadwallader e Greaves comportavam-se como verdadeiros adolescentes irresponsáveis quando estavam juntos e uma prova disso era a ideia absurda que tiveram numa noite de sábado quando tentavam contornar o tédio. Nenhuma grande ideia deveria ser levada a sério quando a principal razão de sua concepção era o álcool, deveriam saber disso, mas jogar quadribol no pequeno campo particular da espaçosa e elegante residência de Rhys pareceu completamente natural aos dois. Jogar quadribol bêbados, então, não soou nem um pouco problemático, nem mesmo quando estariam sobrevoando o campo a vinte metros do gramado quando nem ao menos conseguiam ficar em pé sem cambalear. Como se não bastasse, jogar com mais balaços do que o normal era perigoso e divertido demais, precisava ser feito. Apenas para elevar os níveis de adrenalina, optaram por enfeitiçar as pesadas bolas de ferro para que os perseguissem sem que precisassem sem rebatidos e, num acesso de genialidade, Rhys achou que seria interessante que um encantamento fosse feito para que, caso fossem atingidos, não somente tivessem chance de quebrar algum osso mas também teriam queimada a área da pele tocada pela bola. O jogo dos balaços em chamas, foi como nomearam.
Era uma verdadeira surpresa o fato de que haviam conseguido sobreviver, veja bem.
“Será que você poderia pedir pro Healer de plantão se apressar um pouco mais? Sabe, não estou muito bem, como você pode ver.” Mesmo em extrema dor, ainda havia conseguido energia para ser sarcástico e fuzilar o funcionário do St. Mungus com o olhar. Ainda estava um pouco alcoolizado, era bem verdade, mas ao menos tinha consciência de onde estava. Na verdade, preferia ter dado fim a todo o seu estoque de firewhiskey apenas para que não estivesse sentindo dor alguma. Era como se cada parte de seu corpo estivesse latejando com uma dor específica de cada ferimento, fosse ele uma queimadura ou um osso quebrado, e todas em uníssono formavam uma verdadeira sinfonia de agonia. Nem mesmo as poções que lhe deram depois que Jeremy conseguiu contatar alguns conhecidos havia conseguido anestesia-lo completamente. “Por Merlin, Mordred e Godric, apresse esse Healer ou eu farei questão de voltar aqui quando estiver melhor, e trarei um bastão pra espancá-lo. Você e esse maldito Healer que não chega nunca.” Resmungou, sentando-se no leito em que estivera deitado e apontando o dedo na direção do funcionário, felizmente escolhendo o braço que não estava quebrado.