Lua de mel na Austrália, existe coisa melhor? Fiquei ainda mais apaixonado por minha princesa ao ver sua alegria, enquanto via os golfinhos. Dizem que grávidas são a luz da plenitude, eu enxergo isso quando olho Melanie, feliz, realmente plena. Estamos hospedados nas pousadas de Sidney, perto da praia. Vejo Melanie andando pela areia, cabelos ao vento, vestido branco e descalça. Peraí, o ditado não é "grávida e descalça na cozinha? Acho mudei os rumos da história. A nossa primeira noite de casados foi muito especial, pois depois de nos amarmos, eu conversei com ela sobre os possíveis nomes do bebê, ficamos entre Noah e Estela. Teríamos uma consulta com o obstetra assim que voltarmos de viagem. Por alguma razão, Melanie resolveu trocar de médico e escolheu meu amigo Daniel. Só de imaginar meu amigo vendo a flor da minha esposa, já fico com vontade de socá-lo. Fazer o que, não é? Em casa, a esposa que manda!
— O que está fazendo amorzinho? - Chego perto da minha esposa, que digita animadamente no celular.
— Conversando com sua prima, lindo. - Diz sem tirar os olhos do celular.
— A única que não deu em cima de você.
— Juliana. Então, o que ela diz? - Pergunto curioso.
— Ela está pedindo conselhos. Se deve ou não aceitar o pedido do Dani. – Ela responde sem deixar de olhar o celular. — Estou para manda-la ir atrás dele e me deixar curtir minha lua-de-mel, mas como ela foi a única das suas primas que me tratou muito bem, vou ajuda-la.
— Juliana é uma mulher incrível, além de ser muito competente e estudiosa, tenho certeza que Daniel vai faze-la muito feliz. – Eu digo sem pestanejar.
— Bom, disse para ela “Não perca tempo meu anjo, corra atrás da sua felicidade, ou seja, do seu homem, agora” – Rimos juntos.
— Será que agora eu posso ter a minha esposa só para mim? – Eu pergunto me aconchegando perto de seu corpo.
— Eu fico pensando se tivermos um menino, eu com você já fico doidinha, imagina com dois? Meu Deus, mande-me uma menininha, sim?
— Meu amor, o que vier será imensamente amado e se vier um garotão parecido comigo, melhor ainda, ou uma menininha linda como você, estou satisfeito. – Eu digo feliz.
Aproveitamos ao máximo a lua de mel, mas tivemos que voltar dias antes, pois Melanie não se sentia bem e eu fiquei maluco de preocupação, os enjoos estavam cada vez mais fortes e dessa vez as tonturas vieram junto da pressão alterada e foi o caos total. Enzo foi nos buscar no aeroporto e de lá fomos direto para casa dos meus pais, lá era o local mais seguro para deixar minha linda e nosso filho danado.
Depois de colocá-la no quarto, conversei com minha mãe e pedi que cuidasse dela enquanto eu conversava com Enzo. Depois de uma conversa demorada e chata, liguei para Daniel e pedi para adiantar a consulta com ele. No outro dia, acordamos cedo e como ela já estava melhor, arrumou-se sozinha e nós fomos a consulta finalmente. Depois de aferir pressão, peso, medir barriga, o ultrassom chegou e nos pegou de surpresa com o que revelou; Melanie estava esperando GÊMEOS! DUAS CRIANÇAS! FRALDAS EM DOBRO!
— Daniel, como assim gêmeos? - Perguntei espantado para o meu amigo, que sorria.
— Uma perereca e um pintinho, parabéns papais. O menino soube se esconder! - como ele ousa dizer que meu filho tem um pintinho? Um Suede nunca terá um pintinho!
— Mel, você está muito bem, apesar da pressão alta e os enjoos.
— Um menino e uma menina, meu Deus! - Minha esposa disse entre lágrimas e sorrisos. — Noah e Estela, amor.
— Sim, amorzinho. Nossos filhos! - Eu digo extasiado de emoção.
— Bom, você continua seguindo as recomendações e nos vemos daqui a quinze dias. - Meu amigo diz enquanto termina o exame. — Nada de viagens longas ou excessos, não queremos evoluir para uma eclampsia, não é mesmo?
— Deus me livre, Daniel! - Digo alarmado, cuidar do coração das pessoas é maravilhoso, mas cuidar de minha esposa e meus filhos seria como enfiar uma faca no meu peito.
— Então vamos cuidar, fazer caminhadas, comer regradamente, usar pouco sal e se possível, não se aborrecer com nada. - Ele diz calmo e sorrindo. — Te espero no meu casamento linda e bem barriguda.
Ah, esqueci de falar. Daniel vai casar com Juliana daqui a três meses. Ela aceitou o conselho de Mel e correu para o trabalho dele, deixando as enfermeiras que davam em cima dele embasbacadas.
— Finalmente vai entrar para a família, cara!
— Verdade. Juliana me enrolou o quanto pôde, esperei ela se formar e agora ela não escapa! - Ele diz sorrindo e vejo que está feliz. — Ela vai trabalhar aqui no meu hospital. No início foi uma guerra para ela aceitar, mas eu consegui convencê-la.
— Pois é, ela se incomoda com o falatório, aquela mesma história " só trabalha aqui porque marido é dono" - minha esposa se pronuncia dessa vez. — Sofri muito isso na clínica.
— Mas eu não me importo! Ela é uma excelente enfermeira!
Continuamos o papo por um tempo, mas logo Daniel tinha um paciente e tivemos que deixar para outra ocasião. Deixei minha princesa em casa e fui buscar Enzo para falarmos de negócios, ele estava sem carro, pois estava na revisão.
Deixei meu lindo Audi estacionado na garagem dele e toquei a campainha, que minha cunhada atendeu de prontidão, exibindo sua imensa barriga de sete meses, Artur meu sobrinho, estava bem perto de nascer.
— Olá cunhadinha, Enzo já está pronto? - Perguntei entrando e cutucando sua barriga em busca do meu sobrinho. — Ei Arturzão, quando você vem falar com seu tio?
— Espero que logo, esse menino está quebrando minhas costelas!! - Reclama ela sentando no sofá. Meu irmão desce rapidamente, beija a esposa e o bebê dentro dela e me arrasta para o carro.
— Cara, você nem deixou eu me despedir...
— Esquece, temos assuntos para resolver! Você o que eu te pedi? - Perguntou.
— Claro. Branco, do jeito que você pediu. - Eu sorrio. — Sabe que ela vai te matar, não é?
— Por essa mulher, eu morreria com prazer. - Disse apaixonado.
— Não brinca!? Cara, que máximo!
— Estou ansioso. Vamos, temos que resolver essas coisas o quanto antes!
Entramos no carro e seguimos ao nosso destino " Concessionária Audi", Enzo pediu para eu escolher um carro para Lucy, mas em meu nome, para ela não desconfiar. No caminho percebo que meus freios estão ruins e parando de funcionar, meu Deus! Sem saída, vou para uma avenida pouco movimentada, tento mais uma vez e nada, um outro carro vem em nossa direção, Enzo dormia que nem pedra, faço o que meu coração pede e giro a direção para o lado, escapando do carro, mas indo em direção a uma árvore e um monte de concreto, apaguei no mesmo instante.
Em casa, Melanie sentiu uma dor no peito, do mesmo jeito Lucy. Sabiam que seus maridos estavam em perigo. Após algumas horas de aflição, as duas estavam com os pais dos meninos, rezando para eles estarem bem. Foi então que o telefone da casa dos Suede tocou, informando sobre o acidente e desesperando as duas grávidas ainda mais.
— Alguma notícia, Ceci? – Melanie pergunta entre lágrimas enquanto o pai dos meninos abraça Lucy, tentando acalma-la. Estava perto de ter o bebê e isso não era bom para nenhum dos dois.
— Disseram que chegaram a pouco ao hospital e chamaram os responsáveis! – Ela tentou manter a calma diante das noras, mas saber que seus dois meninos estavam feridos, desmoronou suas forças.
Depois de discutirem se elas deviam ir ao hospital, Melanie e Lucy não abriram mão de ir. Chegando ao hospital, foi a vez de aguardar o médico responsável pelo dois.
Ficaram pouco mais de uma hora aguardando notícias, quando o médico apareceu.
— Parentes de Enzo e Chay ?
— Somos todos, fale como estão os meus meninos! – Cecilia fala entre lágrimas e abraçada ao peito do marido.
— O senhor Enzo sofreu escoriações leves e uma fratura no pé direito. Passa bem. O senhor Chay fraturou três costelas e uma perna, além de uma concussão na cabeça. Eles estão em observação.
— Podemos vê-los doutor? - Lucy pergunta.
— O senhor Enzo está acordado, já o outro está sedado por conta da concussão. E permanecerá assim até que o edema diminua.
— Então podemos ver o Enzo? – Dessa vez, Melanie pergunta. Apesar de preocupada com o marido, saber seu cunhado estava bem, lhe deixou mais calma.
— Sim, podem. - Ele dá as informações e eles vão direto ver Enzo. Os pais dele entram primeiro. Observaram seu rosto cansado e com um pequeno curativo no supercilio. Seu pé direito está enfaixado e seus braços estão cheios de arranhões, coitado do príncipe de Lucy. Lucy entra e se agarra ao pobre homem, que geme de dor.
— Nunca mais me dê um susto desses, ouviu? – Lucy diz para o marido e beija todos os possíveis cantos de seu rosto. — Te amo, te amo, te amo...
— Ouvi, mandona. Também te amo, mas gente, o que houve? – Ele perguntou confuso. — Chay, onde está o meu irmão, mãe?
— Na mesma situação que você, meu filho.
— Está sedado por conta de uma concussão, mas o médico disse que ele vai ficar bem.
— Eu não lembro o que houve, só recordo de sair com ele no carro. Agora eu estou todo quebrado e com dor até na alma. – Resmunga ele.
— Não se preocupe meu amor, vou cuidar de você.
— Gente, com licença, eu vou ver o meu marido. – Melanie saiu do quarto mais calma, mas estava com saudades do seu lindo de olhos azuis. Foi até o médico deles e pediu autorização para ver seu marido. Os gêmeos estavam inquietos em sua barriga, pareciam saber que o pai não estava bem. Com o coração apertado, entrou na unidade semi intensiva e desabou em lágrimas ao ver Chay todo machucado, logo hoje que descobriram que estavam grávidos de gêmeos, era para ser um dia feliz, onde a família estaria comemorando e não em um hospital.