Eu raspo meus dentes em carnes de anjos Me abrigo nos restos de suas asas Eu sou a frase amarelo amargo Que tinge suas línguas Eu sou longa e arqueadas genitálias Eu possuo o terror do amor E em seu território, sou satélite Que pesa em suas entranhas Nem mesmo deus sabe Nem mesmo a guerrilha Nem mesmo a futilidade Nem mesmo a promessa Eu caminho nos caminhos do profano Eu regurgito em teu corpo, os meus rins Como testemunha, impasse e pagamento Ao temporal que me emprestas O que sou? Decoro O que busco? Romance O que entrego? Miudezas O que espero? Exagero Eu lembro de ser a sobra Esquecida em um prato revirado Sob um olhar satisfeito À servidão de garfos involuntários E tanto faz, casa ou orfanato Beijos de bordel, ou luz de asfalto Eu diluído à imagens que me vestem Eu vagando como um moinho de mim mesmo O meu peito um deserto Que ecoa vozes A minha garganta, terreno arenoso Gasto e abandonado, como o primeiro anjo velho...
A Enxurrada Exagerada (Mercúrio em Escorpião) - Pierrot Ruivo







