O Tipo Afetuoso e Interpessoal: Generoso, Demonstrativo, Comprazedor e possessivo.
Chamamos este tipo de personalidade de o Ajudante porque há duas possibilidades: seus representantes ou são de fato os que mais ajudam os outros ou, quando menos saudáveis, são as pessoas que mais investem em ver-se como úteis. Sendo generosos e saindo de seu caminho por causa dos outros, eles sentem que possuem a forma de viver mais rica e cheia de sentido que existe. Seu amor e interesse - e o autêntico bem que fazem - aquecem-lhes o coração e os fazem sentir-se dignos. Seu maior interesse está naquilo que eles consideram as melhores coisas da vida: o amor, a intimidade, o carinho, a família, e a amizade.
Louise, uma ministra, fala aqui da sua alegria em pertencer ao Tipo Dois:
Não consigo imaginar-me pertencendo a outro tipo nem gostaria disso. Gosto de envolver-me com a vida das pessoas. Gosto de ser compassiva, interessada e carinhosa. Gosto de culinária e de trabalhos domésticos. Gosto de ter certeza que posso ouvir qualquer coisa que as pessoas me disserem sobre si próprias e continuar a amá-las. (...) Realmente, tenho orgulho de mim mesmas e me amo por ser capaz de estar com os outros onde eles estiverem. Sei como amar de verdade as pessoas, as coisas e os animais. E sou uma grande cozinheira!
Quando saudáveis e equilibradas, as pessoas do Tipo Dois realmente são amorosas, solícitas, generosas e atenciosas, atraindo a si os outros como o mel atrai as abelhas. Com o calor de seu coração, a todos aquecem. Com sua estima e atenção, a todos animam, ajudando-os a ver as qualidades positivas que possuem e desconheciam. Em resumo, essas pessoas são a personificação do bom pai ou da boa mãe que todos gostariam de ter: alguém que os vê como são, compreende com imensa compaixão, ajuda e incentiva com infinita paciência e está sempre disposto a ajudar, sabendo exatamente como e quando já não são necessários. Os representantes saudáveis do Tipo Dois abrem-nos o coração porque o seu já está aberto. Eles nos mostram como podemos tornar-nos mais profundamente humanos.
Louise prossegue:
Sempre trabalhei ajudando as pessoas. Fui uma professora que queria ser sensível às crianças e ajudá-las a ter um bom início. Fui responsável pela educação religiosa de várias paróquias. Eu achava que, se as pessoas aprendessem mais sobre a vida espiritual, seriam mais felizes. (...) A parte mais importante da minha vida é a espiritual. Vivi por dez anos numa comunidade religiosa. Casei-me com um ex-sacerdote, com o qual tenho uma vida baseada na espiritualidade.
“Importo-me com as pessoas”
Porém, o lado sombra das pessoas do Tipo Dois - Soberba, autoengano, tendência a envolver-se demasiadamente na vida alheia e a manipular os outros para satisfazer as próprias necessidades emocionais - pode cercear seu desenvolvimento interior. O trabalho de transformação pressupões a visita aos nossos recônditos mais sombrios, e isso vai radicalmente de encontro à estrutura da personalidade do Tipo Dois, que prefere ver-se apenas nos termos mais positivos e favoráveis.
Talvez o maior obstáculo que as pessoas dos Tipos Dois, Três e Quatro tenham pela frente em relação ao trabalho interior seja enfrentar o medo correspondente à sua Tríade, que é o de não ter nenhum mérito. No fundo, todos os três tipos temem não ter valor e, por isso, creem precisar fazer algo de extraordinário para conquistar o amor e a aceitação dos outros. Nos níveis inferiores, as pessoas do Tipo Dois apresentam uma autoimagem falsa, segundo a qual são absolutamente desinteressadas e generosas e que não querem nada em troca do que dão, quando na verdade podem ter grandes expectativas e necessidades emocionais de que não se apercebem.
Os representantes menos saudáveis do Tipo Dois buscam legitimar o próprio valor fazendo o que manda o superego: Sacrificar-se pelos outros. Eles acreditam que devem colocar as pessoas sempre em primeiro lugar e ser afetuosos e desprendidos se quiserem ser amados. O problema é que dar essa prioridade aos outros torna essas pessoas secretamente ressentidas e rancorosas. Apesar de esforçar-se por negar ou reprimir o rancor e o ressentimento, eles invariavelmente vêm à tona de maneiras as mais diversas, desestabilizando os relacionamentos e revelando a inautenticidade presente em muitas das alegações de vários dos representantes menos saudáveis do Tipo Dois, seja acerca de si mesmos ou da profundidade do seu amor.
Porém, na faixa saudável, o quadro é completamente diferente. O próprio Don tem em sua família um exemplo que representa o arquétipo do Tipo Dois: sua avó materna. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela foi uma “mãezona“ para metade do contingente da Força Aérea baseado em Biloxi, Mississipi: dava comida aos rapazes; colocava a casa a disposição deles, como se fosse seu segundo lar; dava conselhos e consolo aos que se sentiam sós ou tinham medo de ir para a guerra. Embora o marido não fosse rico e o casal tivesse dois filhos adolescentes, ela cozinhava refeições para os recrutas, dava-lhes repouso à noite e cuidava de seus uniformes, passando-os e pregando-lhes botões. Viveu até os 80, lembrando sempre daqueles anos como os mais felizes e gratificantes de sua vida - provavelmente por ter tido aí a chance de pôr em prática as qualidades saudáveis do Tipo Dois.
Fonte: Riso & Hudson - A sabedoria do Eneagrama Ed. Cultrix
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