— 𝔽𝕚𝕟𝕝𝕖𝕪 ℍ𝕒𝕞𝕡𝕥𝕠𝕟
28 anos. Seattle, EUA. Non-binary, genderfluid. Homossexual, homoromantic. CEO da Hampton Enterprise, empresa de finanças com filial recém instalada no Sunville Commercial Building.
Finley sempre teve sorte. Uma criança que recebia atenção e carinho dos pais, que ganhava quase tudo o que desejava; saudável, livre e com o privilégio de ter nascido em berço de ouro. Sim, seus pais não eram ricos quando se casaram, estavam na universidade ainda, mas logo se estabeleceram financeiramente e construíram uma pequena fortuna que crescia conforme o tempo passava.
Finn cresceu nesse meio. Embora só tivesse a presença dos pais durante a noite e nos finais de semana, eles nunca pareceram inacessíveis. Sempre atenciosos e cuidadosos consigo. Finn sabia que podia contar com eles, mesmo que durante a infância passasse mais tempo com a avó já que era ela quem cuidava de si.
Estudou em colégios particulares a vida inteira, morava em um apartamento e foi uma criança que não saía muito de casa. A adolescência também foi igual. Não tinha muitos amigos e não fazia muito questão de sair, mas talvez tenha sido por isso que Finn demorou tanto a conhecer a si mesmo.
Com dezessete anos, acompanhando o pai em uma viagem para Nova Iorque, conheceu uma garota, filha de um dos investidores que trabalhavam com seu pai; a garota era o completo oposto de si e foi ela quem lhe levou para a primeira noitada. Finn tornou-se amigo da jovem, amigo tão próximo que a menina, meses depois, contou-lhe um segredo que seus pais a faziam guarda. Ela era uma mulher transgênero. Finn não sabia o que significava, mas sua falta de conhecimento durou pouco. Belle lhe explicou, lhe apresentou o mundo queer e não demorou muito para Finn descobrir o porquê de ter sentido durante a vida toda que não se encaixava na realidade que vivia. Non-binary, Belle disse. E mais tarde Finn completaria com genderfluid.
Viver em Seattle após essa revelação foi complicada. Não sabia mais como se encaixar na realidade heteronormativa que a família criava sem nem perceber; aquele ambiente não era o que Finn queria para si. Foi quando resolveu contar para os pais, mesmo que estivesse com receio que eles reagissem como os de Belle, que lhe mandassem manter o segredo aquela parte de si. Mas ah, a surpresa. Os pais não só aceitaram, como lhe ajudaram a quebrar todas as barreiras, todas as normas impostas já não valiam mais. Roupas, acessórios, a forma como se dirigiam a si, tudo mudou.
O apoio dos pais foi essencial para Finn se firmar. Seguiu a carreira como a do pai, cursou a faculdade para poder assumir um dia a Hampton Enterprise, empresa da família. Seu empenho foi recompensado com a abertura de uma filial na Inglaterra, não era a primeira fora do país, mas era a primeira que Finley seria o responsável direto.
Instalada no Sunville Commercial Building, a empresa é dirigida por Finn e sua melhor amiga, Belle, que é uma advogada engenhosa. Ambos dividem uma casa grande e elegante demais, para os dois na north farnham. Belle tornou sua missão pessoal transformar Finn em alguém mais leve e descontraído, não será uma tarefa fácil mas a mulher tem se esforçado… e Finn, bem, está tentando.



















