Postura da morte e sigilos
Este artigo foi publicado originalmente em inglês por Fra.: Apfelmann no Chaos Matrix. Como qualquer material do meu arquivo pessoal, ele está disponível para ser enviado na íntegra por e-mail ou discord.
O blackout, ou como é comumente chamado, a postura da morte, é uma técnica que Austin Osman Spare refinou para seu próprio uso mágico e que foi adotada por praticantes do Caos, individualmente e em grupo, em todo o mundo, à medida que sua popularidade aumentou com os trabalhos da IOT na última década.
O procedimento normal, como muitos certamente conhecem (e este é apenas um de seus usos), consiste em manter um sigilo/glifo de desejo na mente enquanto se adota o que chamamos de postura da morte, por exemplo, em pé na ponta dos pés, com os braços cruzados atrás da cabeça, o corpo esticado ao máximo, respirando profunda e espasmodicamente, até a exaustão total e o inevitável apagão. O sigilo então se perde na mente interior e o espírito banido do riso é evocado para impedir o ressurgimento do referido sigilo.
Qualquer pessoa que tenha utilizado esta técnica para o propósito mencionado acima, em algum momento, terá experimentado, mesmo que levemente, dificuldade em manter a postura por tempo suficiente para que a gnose desejada produza efeito suficiente para o desmaio. E devido a essa dificuldade, um ritual bem planejado pode se tornar uma perda de tempo bem planejada, já que o resultado desejado não é implantado adequadamente.
Uma técnica que tenho empregado repetidamente nessas ocasiões baseia-se nos mesmos princípios da postura da morte, mas, como descobri, é um pouco mais fácil e sem as armadilhas que podem ser encontradas na técnica de A.O. Spare.
Esta técnica é uma mistura peculiar de gnose inibitória e excitatória, respiração ofegante forçada, dança ou giros e, claro, exaustão. O resultado final é, necessariamente, o desmaio, que, como sabemos, é o resultado da gnose inibitória. Explicarei agora como esta técnica é empregada para a inserção de sigilos para qualquer propósito que se julgue necessário.
Primeiro, é preciso simbolizar o desejo em qualquer forma que se deseje, mas em todos os casos, e especialmente neste, deve ser muito fácil de visualizar. Uma vez alcançado esse objetivo, pode-se começar a elaborar o ritual para esse propósito específico. Banimentos e invocações podem ser empregados, se desejado, porém, não são uma necessidade para o sucesso do processo. No ápice do rito, o indivíduo inicia a respiração ofegante, respirando profunda e espasmodicamente, enquanto visualiza o sigilo da forma mais vívida possível, brilhante, intensa e muito clara, à medida que a respiração ofegante continua. Então, quando sentir que o momento é certo, comece a girar em círculos, ainda respirando ofegantemente e mantendo o sigilo visualizado em sua mente. Música pode ser tocada como pano de fundo para a dança; tambores ou qualquer outro instrumento de percussão são excelentes para esse propósito. Quando o indivíduo atinge um estado de exaustão extrema, com tontura, suando e prestes a desmaiar, ele ou ela, ainda girando e ofegante, e, claro, mantendo o sigilo visualizado em mente, dirige-se ao centro do círculo ou área de trabalho.
Ali, um parceiro, ativo ou passivo no rito (em outras palavras, se estiver praticando sozinho, tente conseguir alguém para ajudar nesta parte), interrompe a rotação e o abraça, levantando-o do chão e apertando-o na região do plexo solar, onde se encontra uma grande rede de nervos. Nesse exato momento, a música, se houver, é interrompida e um silêncio sepulcral é mantido. O praticante prende a respiração enquanto é apertado e o sigilo é visualizado como se estivesse queimando com um calor branco e intenso, à medida que sua imagem se fixa em sua mente. Em segundos, ocorre o desmaio e o sigilo desaparece da mente. Nesse ponto, é importante que seu parceiro o deixe cair no chão, a menos que você deseje retornar ao caos primordial! Ao recobrar a consciência, na maioria dos casos, você deve provocar risos para banir o sigilo e todos os pensamentos a ele associados; seu riso quebra o silêncio e o rito se encerra da maneira desejada.