As melhores evidências científicas disponíveis da atualidade reforçam que o diagnóstico e o tratamento de transtornos mentais devem se basear em uma história clínica detalhada e resposta terapêutica. Desconfie se algum profissional solicitou algum dos exames abaixo para você:
🚫 Metabolômica intestinal: embora promissora em pesquisas com modelo animal, carece de validação para guiar decisões terapêuticas em transtornos psiquiátricos em humanos (Liu L et al, 2023);
🚫 Metabolômica hormonal: solicitar esse perfil de exames não altera o manejo de transtornos como ansiedade ou depressão (JAMA, 2024);
🚫 Metabolômica nutricional: ignora que deficiências nutricionais (ex.: vitamina D, B12, ácido fólico ou ferro) são detectadas por testes simples e baratos, sem necessidade de painéis complexos. A Endocrine Society (2022) desaconselha rotinas amplas por falta de especificidade e risco de falsos positivos;
🚫 Testes genéticos: apesar de avanços em farmacogenômica, tais exames têm evidência limitada para predição de resposta ao tratamento em psiquiatria. Consórcio mundial não recomenda o uso devido a poligênica complexidade e baixa penetrância dos genes em psiquiatria (CPIC, 2026).
Esses exames geram custos elevados e podem desviar do tratamento baseado em evidências, como psicoterapia e farmacoterapia validada. Se seu psiquiatra não pediu, fique tranquilo, ele está certo!
Liu L, et al. Gut microbiota and its metabolites in depression: from pathogenesis to treatment. EBioMedicine. 2023 Apr;90:104527.
Van den Akker EB, et al. Metabolic Profile and Long‑Term Risk of Depression, Anxiety, and Stress‑Related Disorders. JAMA Network Open, 2024; 7(3): e243162.
Relling, M. V.; et al. Advancing Clinical Pharmacogenomics Worldwide Through the Clinical Pharmacogenetics Implementation Consortium (CPIC). Clinical Pharmacology & Therapeutics, 2026; 119(1): 5–18.