Dessa última vez eu não fui atrás, deixei você partir. Nas anteriores, eu ficava ali, escondido, e via como eram grandiosas as suas conquistas e tudo o que você estava vivendo. E quem seria eu para chegar e impor algo por uma questão de querer viver com tudo o que me prende aqui?
Nós tínhamos sonhos e, se saíssemos do lugar que vivemos nessa cidade, realmente teríamos a alma livre. Só que com o decorrer dos anos nem todos os planos saem do papel. Imprevistos acontecem e existem coisas que acabam sendo apenas sonhos mesmo.
Pensei várias vezes em aparecer e dizer alguma coisa, nem que fosse um "eu te amo, jamais vou esquecer o que vivemos". Só que eu sempre fui esse tipo de pessoa que guarda tudo. Talvez eu tivesse aceitado o que você me propôs naquela noite, e hoje eu estaria bem com essa situação, ou até pior do que estou agora.
Realmente, eu nunca fui bom no amor. Eu não sei lidar com metades, eu não sei lidar com a saudade. Tem algo sobre mim que, às vezes, eu nem sei de onde vem tanta carência. Fiquei parado nesta montanha-russa de sentimentos e não sei nem quando vou sentir novamente esse frio na barriga.
Estou sobrevivendo com a necessidade de ter e não ter você. Fiz tudo errado. Eu sou assim, como você diz: imprevisível.
- 19/07














