📀 - José Cid - 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte (1978) 💫
José Cid e a odisseia cósmica que marcou o rock português.
Enquanto Portugal ainda digeria a Revolução dos Cravos e o país se reinventava politicamente, José Cid lançava um dos álbuns mais ambiciosos e visionários da música nacional: *10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte*. Editado a 15 de maio de 1978 pela Orfeu, o disco não era apenas um álbum de rock progressivo, era uma verdadeira ópera-rock espacial, um conceito quase inédito no panorama português da época.
Com pouco mais de 39 minutos, o trabalho transporta o ouvinte para um futuro distante. Dez mil anos após a autodestruição da humanidade, um homem e uma mulher regressam do espaço para repovoar a Terra. Entre sintetizadores, Mellotron, guitarras elétricas e uma produção grandiosa, Cid constrói uma narrativa de contemplação, arrependimento e esperança. Do apocalipse de “O Último Dia na Terra” à viagem épica de “Fuga para o Espaço”, passando pelo título homónimo e o renascimento simbolizado em “A Partir do Zero”, o álbum é uma jornada musical coesa e cinematográfica.
Gravado entre 1977 e 1978, o projeto contou com a colaboração de músicos como Ramon Galarza (bateria), Zé Nabo (baixo e guitarras) e Mike Sergeant. Cid assumiu não só a composição da maioria dos temas, mas também a produção e a execução de uma vasta secção de teclados e sintetizadores, elementos que dão ao disco o seu característico som cósmico e sinfónico.
Embora hoje seja considerado uma obra-prima do progressivo português e figure regularmente em listas internacionais dos melhores álbuns do género de 1978, na altura o álbum teve uma receção discreta no mercado nacional. Portugal não estava preparado para um projeto tão ambicioso e experimental. No entanto, fora de portas, a crítica especializada reconheceu o seu valor, comparando-o a referências como Pink Floyd e Moody Blues.
Quase cinco décadas depois, *10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte* mantém uma aura cult. Continua a ser descoberto por novas gerações de melómanos e é visto como um marco da criatividade nacional num período de grande efervescência cultural. Num momento em que o mundo volta a debater o futuro da humanidade, as questões existenciais e ecológicas levantadas por Cid soam estranhamente atuais.
Como o próprio artista referiu em concertos posteriores: “Sonhar não paga imposto”. E José Cid sonhou em grande. Resultado: uma das viagens musicais mais bonitas e intemporais alguma vez feitas em Portugal.
José Cid - 10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte - DJ Massivemig Recommends.
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