Muito tempo eu me escondi. Me escondi das pessoas, da minha famÃlia, dos amigos e de mim mesmo. Me escondi por tanto tempo, que esqueci do que eu era capaz. Me esqueci de quem eu era. A jornada de redescoberta não foi nada fácil, sabe? Foi muito dolorosa. Mas aqui estou eu. Quem me conheceu há uns anos atrás, não me reconheceria hoje em dia. Me tornei um alguém muito diferente, mais certo, mais confiante, mais firme. Mas no fundo, ainda sou o mesmo. Lá no fundinho do meu coração, ainda está aquele menino, apavorado, desesperado, com medo das coisas que ele não pode controlar. A diferença é muito sutil. Todos os dias, encaro duas escolhas diante de mim: Me encolher em um canto e chorar, ou deixar os meus demônios de lado e fazer algo com o que me foi dado. Em todas as decisões que tomo, por mais que pareçam ousadas e tenham me levado a lugares inesquecÃveis, eu tomo junto com aquele menino medroso. Pois ele também faz parte de quem eu sou, mas ele não me define por inteiro. Eu sou mais do que um produto das circunstâncias. Eu sou o que eu quiser. Posso não mudar meu passado, mas sou eu que faço o meu futuro.
Rafi Marcos





















