ficar sozinho para hawke não era exatamente um problema, ele tinha diversas formas de se ocupar, sua mente e corpo estavam sempre em movimento, contudo, na situação que estava, não podia fazer muita coisa. e isso não o estava deixando apenas entediado como, também, extremamente frustrado, uma vez que detestava ficar parado. qili havia saído para fazer alguma coisa, acompanhado da enfermeira, que garantiria que voltasse à enfermaria, então, o cavaleiro havia perdido suas duas únicas diversões: atazanar a velha que estava cuidando deles e ajudar qili a atazanar essa mesma velha. embora ainda pudesse mover a cabeça, os outros membros do corpo e até rolar para o lado, não conseguia se forçar a levantar ou a cair para fora da cama. que feitiçozinho mais nojento. tudo aquilo poderia ter sido evitado se não fosse tão teimoso, mas a quem estava querendo enganar? não podia simplesmente mudar seu temperamento de uma hora para outra. preso à cama e sem nada mais para entretê-lo, o rapaz estava se rendendo lentamente ao sono, que fazia suas pálpebras pesarem. não sabia se a sonolência provinha do fato de não poder erguer-se e estar deitado há algum tempo, ou de um dos chás e poções que a enfermeira o fez tomar. não que isso importasse. movendo a cabeça para o lado, observou seu transmissor na mesa de cabeceira, talvez devesse fazer algumas ligações e mandar algumas mensagens. talvez fosse bom que seu pai fosse informado de seu retorno. imaginava que era provável que o corpo de funcionários já tivesse se encarregado disso, contudo, sabia que seu velho gostaria de ouvir uma palavra sua. não é todo dia que seu filho some por quatro dias e volta como se nada tivesse acontecido. quando pegou o aparelho imaginou que provavelmente devia mandar mensagens à seus amigos também, já que nem todos sabiam que estava na enfermaria. abriu a lista de contatos e o que estava bem no topo o fez piscar algumas vezes, com os olhos vidrados, enquanto pensava na pessoa em questão. será que grimm havia sentido sua falta? ficado preocupado? devia mandar só uma mensagem ou devia ligar e perguntar tudo aquilo de uma vez por todas?
começou a digitar: “ei, eu estou bem, tá? estou preso na enfermaria agora, mas juro que tô bem, haha! pode vir me visitar mais tarde, se quiser! ou não, não precisa se não quiser e...” bateu o transmissor contra a própria testa em um gesto de frustração. tinha certeza de que estava complicando aquilo muito mais do que devia, mas não queria que grimm achasse que estava sendo invasivo ou forçando intimidade. e não é que, como se tivesse ouvido algum tipo de chamado do além, o filho de merlin apareceu bem na porta da enfermaria? não que hawke tenha notado, claro, estava ocupado demais resmungando para si mesmo e tentando formular uma mensagem que não despertasse em si o desejo de socar a própria cara. somente quando ouviu seu nome ser chamado que virou-se para encarar a porta, e agora fitava o feiticeiro ligeiramente boquiaberto. a verdade é que não estava esperando vê-lo, bem, não tão cedo, pelo menos. - grimm! - disse, sorrindo, e, então, se mobilizou para ver se parecia apresentável, seus olhos analisando cada centímetro do próprio corpo. havia tomado banho antes de ter os machucados devidamente tratados, então estava limpo e cheiroso, o que já era um bom começo. todavia, acreditava que os pontos positivos em relação à sua aparência terminavam ali. honestamente o resto era só ladeira abaixo. havia alguns roxos por seu corpo que ainda estavam bem visíveis e doloridos, incluindo um na maçã de seu rosto que, tinha certeza, não valorizava em nada suas feições. não bastasse isso, também tinha vários curativos no rosto e uma série de bandagens no pescoço, no peito e nos braços que certamente estavam fazendo-o parecer algum tipo de múmia reanimada. as roupas que estava usando também não eram exatamente estilosas: uma calça e uma blusa de algodão, arranjadas pela enfermeira, que mais pareciam uma fantasia de fantasma (de tão brancos) do que um pijama. no fundo, queria se esconder embaixo do lençol, assim @grimmauldyn não precisaria vê-lo daquele jeito, contudo, seu temperamento não deixaria que agisse daquela forma. qualquer coisa menos demonstrar insegurança e fragilidade. precisava parecer pelo menos um pouquinho menos deplorável. sendo assim, fez a melhor pose que conseguiria fazer deitado e mandou um: - oi, bonitão, você vem sempre aqui?