O desconhecido era assustador. Essa fora uma das principais lições que os sobreviventes do surto rapidamente aprenderam. Embora não existisse cura conhecida, não demorara muito para aprenderem as principais características da epidemia e, de certa forma, considerá-la previsível:
Os infectados são lentos, se orientam pelo cheiro e, levemente, pelo sons e visões.
A mordida mata. Causa febre, dores no corpo, reações fortes demais para o corpo humano, que não resiste e vai à óbito. Depois da morte, vem a pior parte: o infectado se reergue e se torna um verdadeiro morto-vivo.
Todos, até onde se sabe, estão infectados. Seja por mordida ou não, todos que morrem voltam. Simples assim.
Todos voltam.
Eram verdades terríveis, porém ter conhecimento sobre elas lhes davam certa vantagem. Existia, ao menos, a chance de se proteger, de se precaver. O que ninguém esperava, porém, era que a doença se desenvolvesse.
Até então não havia relato algum sobre a epidemia atingir os animais. Muitos foram mordidos, vítimas dos infectados, e permaneceram mortos. Mas recentemente corpos tem sido encontrados ainda mais destroçados do que de costume, com mordidas não humanas espalhadas. Não se sabe ao certo como funciona, considerando que muitos animais ainda parecem ser imunes à doença. Porém, a epidemia parece estar em processo de desenvolvimento, evoluindo de modo a atingir até mesmo aqueles de anatomia diferenciada dos seres humanos.
O novo mundo parecia estar prestes a se tornar ainda mais perigoso do que os sobreviventes estavam “acostumados”. De repente, não se sabe mais o que esperar.
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Duas semanas se passaram desde a queda da zona de quarentena improvisada, até então liderada por militares. Grande parte da população da cidade de Savannah, na Georgia, havia sido morta desde então, completamente despreparada para tamanhos perigos enfrentados do lado de fora. Os sobreviventes haviam se baseado em talvez um leve conhecimento sobre proteção pessoal, ou muita, muita sorte.
Duas semanas foram o suficiente para que as pessoas experimentassem os lados mais cruéis do apocalipse: Fome, medo, exaustão, dor, e uma lista enorme de sofrimento. Tudo isso, no entanto, fora o suficiente para despertar lados até então não existentes em cada um, um lado que queria sobreviver acima de tudo, e que agora estaria preparado. Ou o quão preparado alguém pudesse estar em tal realidade. Muitos aprenderam a atirar, outros preferiam armas como canos, tacos de baseball, entre outros.
Boatos começaram a ser espalhados pela cidade quase fantasma, sobre locais em que pequenos grupos se formavam e cresciam. Dois se sobressaíam dentre eles: A Savannah State University, uma das maiores e renomadas universidades da cidade, que possuía muito espaço e recursos; e o Hospital Candler, que fora um dos únicos hospitais do estado a ser completamente evacuado, e portanto estar quase que cem porcento livre da infecção. Comunidades se formavam em ambos os locais, encontrando conhecidos, familiares, ou apenas estranhos que tornariam seus aliados. Muitos se voluntariavam para ir para fora, procurar recursos, enquanto outros tentavam ajudar da maneira que podiam do lado de dentro.
Algumas pessoas da Universidade começavam a ver os sobreviventes do Hospital com algum tipo de rivalidade, e o sentimento era recíproco. Ambas as “comunidades” buscavam por comida, remédios, munições, e começavam a perceber que Savannah talvez não fosse uma cidade grande o suficiente para ambos.
INFORMAÇÕES OOC
De que lado vão ficar? Universidade ou Hospital? Ou talvez um terceiro grupo?
A escolha fica à critério do player. Cheguei a considerar talvez “sortear” os locais, mas prefiro que vocês fiquem à vontade para escolher. Não é obrigatório, porém, assim como que as interações não são limitadas à personagens que estão dentro da Universidade ou do Hospital, personagens de ambos os locais podem encontrar-se e o rumo de tal interação fica à escolha de vocês.
Assim se dá início à formação de comunidades e grupos. Muita coisa e muita rivalidade está por vir, e eu espero que vocês gostem!
Primeiro, os telefones ficaram mudos. Depois não havia sinal algum na televisão, rádio, nem mesmo internet. O mundo se tornou incomunicável e a população de Savannah já não tinha mais como saber o que esperar. Mais e mais mortos eram vistos andando pela cidade, e o policiamento pelas ruas tornava-se cada vez mais raro.
Então vieram os militares.
Batendo de porta em porta, limpando os mortos e coletando os vivos. Todos deveriam ser levados para a zona designada de quarentena. Um dos maiores condomínios da cidade foi usado para a área, aumentando a segurança dos muros e com soldados a postos em cada canto. Eles não traziam muita informação sobre o que ocorria no resto do mundo. Alguns disseram que estavam ali por ordens do governo, outros admitiam que apenas seguiram pois sabiam que Savannah era uma das únicas cidades restantes sequer minimamente segura.
Independentemente do motivo, a população da cidade viu uma luz no fim do túnel. Eles tinham tanques, armas pesadas, treinamento apropriado. Se alguém era capaz de ditar qualquer ordem naquela situação, seriam eles, certo?
Mas existia uma falha na segurança.
Nem todos foram levados para a zona de quarentena, muitos ficaram nas ruas, sem saber o que fazer. O que estavam dentro da zona começavam a se tornar inquietos, pois informação nenhuma lhes era dada e a cada minuto que se passava mais e mais infectados se apilhavam em volta das cercas improvisadas.
Brigas eram desencadeadas com cada vez mais frequência. Civis gritavam com os soldados, exigindo qualquer informação. A mais séria resultou com um civil morto e um soldado apontando seu rifle para todos em sua volta. “Vocês não entenderam ainda? NÓS MANDAMOS AQUI. Estamos fazendo um favor a todos vocês ao mantermos todos vivos! Mostrem um pingo de gratidão, ou vão acabar como ele!”
Boatos se espalhavam de que bombas estavam sendo lançadas em cidades maiores. O governo — ou pelo menos o que restava dele — estava desesperado para apaziguar a epidemia independentemente da maneira que fosse feito. Muitas pessoas começaram a fugir da zona de quarentena, afirmando que acreditavam estar mais seguras do lado de fora.
A verdade, no fim das contas, era que ninguém sabia o que esperar. Bombas caindo do céu ou infectados batendo em sua porta, independente da raiz de seus medos, ninguém conseguia dormir com ambos os olhos fechados.