Patrimônio – Phillip Roth
Um bom livro em que o autor conta sua difícil passagem pela doença e perda do pai, que de muito boa saúde passa a saber que um grande tumor cerebral o levará a morte e as alternativas para tentar retirá-lo são também nada alentadoras. Sua vontade de viver, e o acompanhamento do filho, que de todos os modos tenta diminuir o sofrimento do pai.
“A gente limpa a merda de um pai porque ela precisa ser limpa, mas, depois de limpá-la, tudo que se deve sentir é sentido como nunca antes. E nem era a primeira vez que eu compreendia isso: tão logo a gente supera o nojo, ignora a náusea e descarta aquelas fobias estabelecidas como tabus, há muita vida para ser acalentada. ...
... E, agora que a tarefa havia sido concluída, não podia estar mais clara para mim a razão pela qual aquilo era certo e era o que tinha de ser. Aquilo era o patrimônio. Não porque limpá-lo simbolizasse alguma outra coisa, mas porque não simbolizava nada, porque era nada mais, nada menos do que a realidade existencial nua e crua.
Ali estava o meu patrimônio: não o dinheiro, não os tefelins, a tigela de barbear, mas a merda.”















