A música soava baixinho naquela madrugada levemente abafada. O coração da pequena menina doía por diversos motivos, tantos que ela mal sabia por onde começar a resolver.
Sua respiração estava entrecortada, as lágrimas escorriam pelo rosto, molhando o travesseiro. Na garganta, palavras entaladas lhe consumiam a voz. Tudo aquilo que desejou falar para os outros estava ali, fresco em sua memória, na ponta da língua.
A pequena garota estava tão cansada! O desânimo havia contaminado tudo em sua vida, nem mesmo olhar para a Lua e conversar com o corpo celeste ─ ato rotineiro em sua vida ─ lhe trazia paz. Tudo se tornou uma enorme bagunça e ela sequer sabia por onde deveria começar a arrumar ─ sequer sabia se queria arrumar e não apenas abandonar tudo.
O corpo da menina tremia pelo choro, seus pensamentos tumultuosos lhe diziam todo tipo de coisa, às vezes eram abafados pela mensagem da música, mas no fim, o choro e a dor predominavam em seu coração.
Claro que ela sabia que tudo aquilo era momentâneo (seu lado racional ainda quebrava um galho no final), mas é que, no momento, parecia o fim do mundo, de tudo. Ali, naquele segundo, tudo o que a menina mais desejava era que sua existência nunca tivesse acontecido. Nem mesmo a morte ela desejava.
Naquele mísero segundo respirar parecia um fardo enorme que ela não conseguia carregar.
Naquele mísero segundo memórias lhe pesavam não só os pensamentos, mas o corpo inteiro, e o peso era tal, que se mover era difícil.
Naquele mísero segundo ela desejou ter coragem pra fazer qualquer coisa que a livrasse daquele momento.
Mas no fim das contas, após incontáveis segundos e desejos não atendidos, ela adormeceu.
Imersa no próprio subconsciente, a pequena menina não viu que, lá do alto, o próprio céu começou a chorar baixinho. Primeiro de um jeito tímido, depois num ritmo constante, tal qual as lágrimas da garota, como se a Lua compreendesse o que ela sentia e dissesse que tudo iria ficar bem, que se fosse ela a estar no lugar da morena, ela iria esperar, iria respirar fundo e fazer o seu melhor naquele momento.