Tiago Menor seguiu Cristo com simplicidade, sem destaque, mas com presença constante.
Comecei o Caminho hoje às 6h40, debaixo de chuva. Choveu bastante ao longo da manhã, tornando o percurso mais duro. A lama tornou-se um obstáculo físico real: escorregadia, pesada, difícil de ultrapassar, especialmente nas subidas.
Foi numa dessas subidas, numa estrada lamacenta e inclinada, que conheci Dário, um peregrino do México. Enquanto lutávamos contra o terreno, sujos até aos tornozelos, ele comentou com um sorriso: “Já se vê luz ao fundo do túnel ou é um comboio ou é a libertação.” Rimo-nos, mesmo exaustos. E ali, naquela piada partilhada, a dureza do dia pareceu mais leve. Era um riso que vinha da resiliência.
No total, percorri hoje 52 km, com 909 metros de elevação acumulada. Mais um dia intenso, mas com conquistas claras.
Ao chegar a Estella, fiquei no albergue paroquial. A anfitriã, Lil, desafiou-nos a fazer uma refeição comunitária. Aceitei o convite com gosto e preparei o jantar para 12 peregrinos: o prato português bacalhau à Brás. Foi um momento de alegria partilhada. Todos elogiaram o prato e, por instantes, senti-me em casa não por causa do lugar, mas pela comunhão entre pessoas de cantos diferentes do mundo.
Por fim fomos desafiados a cantar uma canção de cada país, eu cantei a Lenda da fonte.
Mesmo com lama até aos joelhos, há sempre espaço para rir e partilhar à mesa.