Algodoal em ritmo de carimbó
Ouvi o som do cotidiano e manifestações culturais de várias formas em Algodoal.
É uma jornada para chegar na região. Tem que sair de Belém até a cidade de Marudá e travessar de barco. Isso tudo dá em torno de 4-5horas.
A Área de Proteção Ambiental (APA) de Algodoal-Maiandeua é a primeira Unidade de Conservação Estadual do Sistema Estadual de Unidade de Conservação (SEUC) do Pará, criada por lei. (LEI n 9.985/2000). Com isso, na área não é permitido carros e nem construção de ruas asfaltadas. Por isso, usa-se charretes com os auxílios dos cavalos.
Nome da cidade é oriunda da planta algodão-de-seda (Calotropis procera (Ait.). Maiandeua, de origem tupi, significa Mãe da Terra.
Localizado a 164 km da Capital do Estado do Pará, o Munícipio de Maracanã foi fundado em 1885. O rio de Marapanim cerca a vila, depois segue-se os furos de rios que ligam-se ao Oceano Atlântico pelo Furo Velho.
Maracanã é uma ave, espécie de arara comum na Amazônia e em todo o Brasil, também conhecida por Araguaiaí, Araguari e Aruaí.
Na região encontra-se dunas, praias, restingas litorâneas, lagos, mangues, igarapés e furos (rios corridos ou canais). Tem 25 espécies de animais terrestres, como macaco de cheio, capivaras, gato do mato (maracajá), paca, cutias, tamanduá e camaleão. Tem-se na região raias, tubarão, cação, golfinhos, peixe-boi, quelônios, caranguejo, siris, camarões e turus.
O lago da Princesa tem uma moça encantada que caminha sobre as águas e dizem que quem ousa olhar para ela fica seduzido. Alguns nativos da região dizem ser a Princesa Izabel. Tem a pedra chorona que não para de verter água. Dizem que ela é mística na vila Camboinha, em torno de 200 habitantes, que é outra comunidade na região. Essa região é pouco visitada.
Na vila de Fortalezinha é relacionada à existência de uma construção em pedra com o formato circular na vila. Essa pedra parecida com uma fortaleza, erguida, por frades missionários no século XVIII. Nessa vila tem-se em torno de 500 habitantes.
Outra vila da região é Mocooca que significa casa ou habitação. Lá tem mais crianças, jovens e adolescentes do que toda a região. Nessa região coleta-se caranguejos e extrativismo animal.
Os moradores de Algodoal produzem rede de pesca, tarrafa, crochê, cesta de miriti e objetos de materiais recicláveis.
A região precisa de bibliotecários voluntários para organizar uma biblioteca comunitária. Os livros estão aguardando as catalogações. Os estagiários recebem seus certificados pelo serviço. Para entrarem em contato podem falar com a Dany pelo contato 91 987548841.
Para mais informações da região pode-se encontrar um trabalho de pesquisa intitulado O desencanto da princesa: pescadores tradicionais e turismo na área de proteção ambiental de Algodoal /Maiandeua (2003) por Helena Doris de Almeida Barbosa Quaresma.
Minha segunda visita na região foi pela vila de Algodoal. O ar é diferente aqui. Considero sem dúvida mais saudável. Os moradores são educados. Cuidam da natureza. Mas, precisam de auxílios diversos, como por exemplo uma biblioteca e incentivo para a leitura extra para os jovens. Encontrei um grupo de estudantes no meu caminho e via o esforço deles os quais estavam fazem os trabalhos escolares na rua, pois não tinham um lugar adequado para isso. Na região tem-se até o ensino médio e alguns alunos não conseguem acompanham o ritmo das aulas. O jeito humilde da região traz uma paz. As crianças têm sede por nos ouvir e querem conversar e contar o que vivem.
A região recebe gente de todos os lugares do mundo. Ninguém volta o mesmo. É difícil chegar, mas vale a pena visitar.