ele devia estar branco como uma folha e pĂĄlido como nick quase sem cabeça porque vinha atraindo olhares pelos corredores, nĂŁo aqueles olhares curiosos que tambĂ©m vinha atraindo desde que aquilo tinha acontecido, esses tinha de muitos, pra dar e vender inclusive, mas olhares preocupados atĂ©. talvez estivessem genuinamente cogitando que ron weasley fosse simplesmente desmaiar no meio do corredor ou vomitar em cima de alguĂ©m a qualquer momento e isso chegava atĂ© a ser engraçado porque era a mesma coisa que cogitava tambĂ©m. merlin. merlin. merlin. merlin. merlin. merlin. ele tinha acabado de conversar com remus lupin JOVEM e o cĂ©rebro dele simplesmente nĂŁo conseguia processar isso direito. era como se alguĂ©m tivesse arrancado pĂĄginas inteiras das histĂłrias que harry contava que eles viviam, e vinham vivendo desde que eram crianças e jogado elas na frente dele em carne e osso. remus parecia cansado demais pra sua idade, mas ainda cheio de vida, leve de um jeito diferente e sem toda aquela tristeza e quietude que ron conheceu anos depois. e ainda assim era ele. e ron contou, contou que conheceu o professor lupin em um trem cheio de dementadores no terceiro ano deles, que seu melhor amigo era harry. harry potter. filho de james potter e lily evans. que a primeira coisa que as pessoas falavam pro harry era que ele "era tĂŁo parecido com o pai, exceto os olhos, que eram da mĂŁe" que pra ron, ele era o professor lupin. o melhor professor de defesa contra as artes das trevas que eles tiveram. o homem que tinha ensinado ele a enfrentar um bicho papĂŁo da melhor forma possĂvel, e fazia isso cansado mas rindo ao mesmo tempo, feliz de estar ali. o homem que tinha virado um lobisomem na frente dele no terceiro ano e aquilo tinha sido aterrorizante. mas tambĂ©m absurdamente incrĂvel. quantos garotos de treze anos podiam dizer que sobreviveram a um lobisomem real? que eles se conheceram na casa dos gritos, que ela se chamava assim porque eles sabiam que era pra lĂĄ que ele ia quando se transformava. que ele conheceu remus no mesmo ano que conheceu sirius e que sirius tinha dado a ele uma coruja pequenininha porque peter pettigrew era seu rato de estimação e ele tinha fugido. retraĂasse e retraĂasse pra dentro do seu proprio corpo conforme ia matracando todas as palavras, fazendo elas jorrarem como uma cachoeira em cima do outro. como alguĂ©m reage normalmente quando conversa com uma pessoa que provavelmente falava com james potter como se ele ainda estivesse vivo? quando convive com um sirius black ainda nĂŁo foi preso em azkaban? que ainda Ă© amigo de peter pettigrew? o peito dele apertou de novo sĂł de lembrar do instante em que o cĂ©rebro simplesmente entrou em pĂąnico e as palavras começaram a escapar antes dele conseguir impedir. porque ele queria avisar. merlin, ele queria muito avisar. queria agarrar remus pelos ombros e gritar NĂO DEIXEM O PETER SER O FIEL DO SEGREDO, PELO AMOR DE MERLIN, mas mcgonagall interrompeu antes, a mĂŁo firme no ombro dele e foi como se ele tivesse finalmente lembrado que ela tambĂ©m estava ali, vestia aquele olhar especĂfico que adultos usam quando percebem que alguĂ©m mais novo estĂĄ perigosamente perto de estragar o tecido da realidade. e talvez ela soubesse exatamente o tamanho daquilo. ela mais do que ninguĂ©m sabia que mexer com o tempo podia desencadear coisas desastrosas, afinal... ela que tinha dado o vira tempo pra hermione tambĂ©m no terceiro ano deles. talvez estivesse vendo o desastre se formando na frente dela em tempo real. mas mesmo assim ron tinha conseguido falar alguma coisa. um pedaço. um aviso incompleto e desesperado. CUIDADO COM O PETER!!! foi a unica coisa que conseguiu gritar.
e aquilo era quase pior. porque agora ele nĂŁo sabia. nĂŁo sabia se tinha mudado alguma coisa. nĂŁo sabia se remus ia ignorar. nĂŁo sabia se james e lily ainda morreriam. cuidado com o peter ainda podia ser bem interpretado o suficiente pra nĂŁo fazĂȘ-lo o fiel do segredo quando a hora chegasse, nĂŁo podia? talvez... talvez ainda tivessem a oportunidade de falar tudo considerando que provavelmente a convergĂȘncia integral ainda aconteceria... nĂŁo teria? apertou os olhos com força. nĂŁo sabia se tinha acabado de destruir o futuro inteiro tentando salvĂĄ-lo. e era exatamente por isso que ele estava evitando harry desde que voltou. porque como Ă© que ele olharia pro melhor amigo e diria casualmente âoi, tive a oportunidade de contar pro remus nĂŁo fazer o peter pettigrew o fiel do segredo and i blew it????â o estĂŽmago dele revirava sĂł de pensar. entĂŁo quando ouviu passos conhecidos no corredor, ron imediatamente desviou o olhar pro chĂŁo como se aquilo sozinho pudesse fazĂȘ-lo desaparecer. pena que harry potter sempre foi irritantemente bom em encontrar ele mesmo quando ron queria muito, muito ser impossĂvel de encontrar.
e quando harry apareceu, ron entrou em pĂąnico instantaneamente. as orelhas queimaram tĂŁo forte que provavelmente estavam no mesmo tom absurdo dos cabelos dele naquele momento, o coração disparando de um jeito quase doloroso enquanto levantava os olhos pro melhor amigo por meio segundo e imediatamente sentia culpa atravessar ele inteiro outra vez. porque merlin, ele tinha visto remus. remus jovem. remus antes de tudo dar errado. a voz saiu antes mesmo dele conseguir organizar qualquer pensamento direito. "i saw remus lupin" soltou de uma vez, quase sem ar, os olhos arregalados demais pra alguĂ©m minimamente estĂĄvel emocionalmente naquele instante. engoliu seco logo em seguida, passando a mĂŁo pelo rosto numa tentativa completamente inĂștil de parecer menos destruĂdo psicologicamente. "i'm sorry, harry. i'm really, really sorry."