𝘺𝘰𝘶 𝘱𝘭𝘢𝘺 𝘵𝘩𝘦 𝙜 𝙖 𝙢 𝙚, 𝘵𝘩𝘰𝘶𝘨𝘩 𝘪𝘵'𝘴 𝙪𝙣𝙛𝙖𝙞𝙧 // 𝘦𝘯𝘨𝘢𝘨𝘦𝘮𝘦𝘯𝘵 𝘯𝘪𝘨𝘩𝘵
Eventos sociais para negociações e cordialidades não lhe eram incomuns, o mais jovem dos Kim tinha um vasto conhecimento delas vivendo no meio da alta sociedade desde que possuía idade para frequentá-las. Com os anos seu papel vinha mudando, mas finalmente tinha alcançado a conduta desejada pelo pai, seguindo além de seus passos, o roteiro esperado para dar ainda mais prestígio à rede hospitalar em seu nome. Em outros tempos, Youngshin sequer era notado, preferindo desse modo, pois enquanto neutro possuía sua liberdade. Dessa vez, entretanto, o pai informou que seria o dia da concretização dos acordos previamente ditos, e seu papel era fundamental nisso. Quem diria que em seu momento de grande importância a carta do “não está fazendo nada mais que a sua obrigação” fosse usada?
As conversas sobre o tal casamento e todas as vantagens não foram discutidas consigo, somente ilustrada como se fosse estúpido. Não era diferente do modo de tratamento anterior, afinal tudo havia sido planejado sem seu consentimento. As negociações das empresas que tinham meta de união e coprodução só traziam bons números e tudo que precisavam era de uma união formal para fechamento de contrato. Se levasse status sociais e nomes em consideração, que após entrar na maioridade estando em um bom curso e seguir uma linha que além de filho de um médico renomado também pudesse chegar em alguns anos à presidência da empresa, possuindo um casamento digno, o que poderia dar errado? E a resposta que chegava a sua cabeça era: tudo. Absolutamente tudo. Youngshin estava dando errado desde o princípio e entrando em curto circuito. Ainda que pensasse muito sentia-se sem qualquer saída. A ideia de uma relação nesse nível de formalidade e sem a genuinidade que esperava que esse momento tivesse somente o apavorava. Estava em uma relação que, se fosse sincero, não havia se comprometido o necessário, tornando-o ainda mais desqualificado para aquele momento. No final das contas, a decisão do patriarca era imutável e sua oposição à atitude também seguiu o usual. Não esperou que seguissem com a conversar e, muito menos, que as coisas já estivessem tão adiantadas. Aquele evento era obviamente a oficialização do seu noivado.
— Mãe, isso não faz sentido algum. Como que eu vou pedir Naeun em casamento? — Indagou, retoricamente, porque os dias já haviam passado e estava naquele maldito lugar, recebendo o anel de sua avó para entregá-lo a mulher que deveria ser sua noiva, em um evento público, onde não tinha aceitado entrar naquilo. Não recusou propriamente, também. Mas como diabos poderiam casar-se? A ideia o deixava a ponto de vomitar, a situação por completo, e, principalmente, porque todos sabiam e participavam. Ambas os suas avôs estava ali e até mesmo o haviam dado a benção. Seu pai havia ido longe demais, todo mundo em sua família era insano e vendo agirem com a mais excelente classe o fazia começar a se coçar. Agora como poderia não seguir com o planejado? Soori, sua mãe, diante a cena patética que deveria estar as expressões de Youngshin, pegou um pequeno lenço e limpou o suor que escorria pela sua testa, e então disse: — Negócios. Nada além de negócios, filho. Faça o que deve ser feito. Siga o roteiro e tudo dará certo. Você não precisa ser fiel a ela. — O tom carinhoso não confortava o jovem que já tinha escutado diversas vezes sobre o assunto e, no geral, só queriam que ele obedecesse sem agir como o completo inútil que pensavam que ele fosse. Eram ordens e sabia como elas funcionavam em sua família. — Sorria, iremos voltar. — A mulher concluiu ao pegar em seu braço, guiando-o novamente de volta à mesa. Sentou-se, passando a conversando com aqueles que deveriam ser seus futuros parentes, a caixa do anel estava no bolso de seu casaco, e todos esperavam Naeun. Sorriu um tanto nervoso ao ouvir um carro estacionar do lado de fora e o pai da garota dizer: — Finalmente! Minha filha. — E se tivesse sorte o carro simplesmente atravessaria o vidro e o mataria na hora. Oh, seria uma noite inesquecível.