O fascismo e o nazismo emergiram como clamores emocionais, antirracionais, fundados em promessas másculas de renovação do vigor nacional. Embora a argumentação política seja sempre uma estratégia importante para se comunicar com a base popular do fascismo, ela é menos eficaz quando confrontada com ideologias que rejeitam os termos do debate racional. A razão não parou os fascistas nem os nazistas. Embora a razão seja sempre necessária, de uma perspectiva antifascista ela infelizmente não basta por si só. Por isso, não é surpresa que a história mostre que as instituições republicanas nem sempre foram uma barreira ao fascismo. Pelo contrário, em diversas ocasiões, funcionaram como um tapete vermelho. Quando as elites econômicas e políticas do entreguerras se sentiram ameaçadas pela perspectiva da revolução, recorreram a figuras como Mussolini e Hitler para esmagar impiedosamente as dissidências e proteger a propriedade privada. Embora seja um equívoco reduzir o fascismo a um último recurso do capitalismo ameaçado, ele teve um papel importante, e às vezes decisivo, nos rumos do sistema. Muitas vezes, os líderes autoritários do entre-guerras impuseram medidas fascistas mesmo diante de ameaças menores. Para a maioria dos revolucionários, isso significa que o antifascismo deve ser necessariamente anticapitalista. Enquanto o capitalismo continuar a fomentar a luta de classes, eles argumentam, o fascismo estará sempre à espreita como uma solução autoritária para o levante popular.